sábado, 16 de julho de 2011

Em baixo da ponte... Mora uma família.





"- Vem vindo gente". Foram as primeiras palavras de uma menina de 9 anos, quando eu e minha filha Natália descemos uma escadaria de chão batido, escavada no acostamento da avenida Independência, nas proximidades do número 1.650, junto ao quilômetro 259 da BR-116 (CEP 93270-010).

Ontem ao passar pelo local, onde é costumeiro ver roupas estendidas num varal, entre duas pontes, na divisa natural de Canoas com Esteio (RS), com a chuva dos últimos dias, o arroio Sapucaia estava com sua vazante bem alta, correnteza forte, fora do seu leito. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi como estaria a família que vive ali.

Hoje, à tarde, convidei minha filha para irmos visitar e conhecer as pessoas que moram em baixo daquelas pontes.

Eu e a Natália fomos recepcionados por quatro meninas: a Viviane de 4 anos, a Vitória de 6 anos, a Tainara de 9 anos e a Paula Verônica de 11 anos. Maiqueli de 14 anos não estava. Super hospitaleiras. Descobri que a Tainara e a Paula já moram ali com seus pais há sete anos. A Viviane e a Vitória moram no local com sua mãe, Patrícia Rodrigues, há duas semanas.

Patrícia dos Santos Rodrigues, 26 anos, natural de Selbach (RS), onde nasceu em 04 de fevereiro de 1985, trabalhava no Maxxi Atacado, como servente e morava na rua Caçapava, nº 651, bairro Matias Velho, em Canoas. Deixou o emprego há alguns dias atrás por pressão do marido ciumento. Em casa passou a ser agredida pelo marido bêbado. Não aguentou, pegou as duas filhas e fugiu. Sem ter para onde ir, foi morar em baixo da ponte.

Conversando com as meninas fiquei sabendo que gostam de ir no colégio. Fiquei contente com essa parte da história da família Rodrigues. As meninas disseram que estão freqüentando a Escola Estadual de Ensino Fundamental Ezequiel Nunes Filho, em Esteio, menos a Viviane de 4 anos. Gostam de pintar na sala de aula. Paula gosta de escrever. Português é sua matéria preferida.

Eu e a Natália ficamos de voltar e levar material escolar para elas, especialmente livros, cadernos de desenho e lápis de cor. Deu gosto de ver o sorriso que deram quando dissemos que voltaríamos com material para usarem na escola e estudar em casa.

Aroldo e Natália.

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