segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Nilva de Wallau Medina. 80 anos.


Nilva de Wallau Medina: oito décadas de vida. Acordei minha mãe hoje de manhã cedo, cantando parabéns. Ela abriu os olhos e, sorriu.
Dia destes, como de costume, entrei no quarto dela, informando meu roteiro de atividades programadas. Olhando-me, atentamente, observou que minha camisa estava amassada. "- Aroldo! Vai lá buscar o ferro que eu vou passar esta tua camisa". Minha mãe não consegue ficar de pé e caminhar há dois anos, em função de sua DPOC (Distúrbio Obstrutivo Pulmonar Crônico).
"- Mãe. Eu vou lá passar a camisa e venho te mostrar como ficou". "- Tira ela e trás o ferro que eu passo aqui na cama mesmo". Respondeu. "- Esta bem". Saí do quarto, localizei o ferro, peguei uma toalha de banho seca, dobrei-a como "mesa de passar" e vendo que o "passador" já estava quente, depositei-o sobre a camisa branca. Não demorou dois segundos para ver o "estrago". O ferro estava empoeirado e a camisa estava agora com uma bela mancha de sujeira.
Volto ao quarto da mãe. Perfilo-me e presto continência. Ela me olha. Analisa. Naturalmente vê que troquei de camisa e pergunta o que houve? Explico meu feito, ela balança a cabeça, lamentando o ocorrido e conclui: "- Preciso conseguir levantar dessa cama, logo".
Quase todas as tardes, tiro minha mãe da cama. Pego ela no colo e a acomodo em sua cadeira de rodas. Faço o chimarrão e proseamos sobre a Brigada Militar, política, história, não faltando assuntos domésticos. Quando levo ela de volta para o quarto, quase sempre protesta dizendo que estou fazendo força demais, pegando-a em meus braços. Não digo nada, apenas me lembro quantas vezes ela me carregou nos seus, quando eu era criança.
Que Deus esteja entre todos nós, nos abençoando com muita saúde e paz, harmonia e prosperidade. E, neste dia tão especial, agradeço ao grande mestre Jesus pela mãe que me concedeu, certamente, a melhor entre todas as mães, como cada filho deve considerar a sua, não deixando de presenteá-la com muitos beijos e carinho, todos os dias da sua vida.
Aroldo Medina

Meu pai e minha mãe.
Porto Alegre, Grêmio Náutico União, 1958.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Como agir em uma abordagem policial.

ABORDAGEM POLICIAL. O assunto que vou tratar é polêmico mas necessário. Um amigo, professor universitário, me ligou hoje a tarde, para relatar um incidente com a Brigada Militar que represento ao lado de centenas de próceres brigadianos da ativa e da reserva, cujo profissionalismo é exemplar.
Uma manobra no trânsito, próxima de uma viatura da BM, em deslocamento, ensejou a abordagem. De arma em punho, o PM determinou o desembarque do motorista abordado, procedeu a busca pessoal e revistou o carro. Nada encontrando, liberou o motorista, com uma advertência verbal sobre a manobra que ensejou a abordagem.
Relatando assim, sucintamente e, com objetividade, parece tudo certo. Porém, o problema surge quando a narrativa é complementada pela intempestividade verbal e corporal do policial armado.
Sempre oriento minha filha, amigos e amigas deste importantíssimo espaço virtual e, na vida real, a se portarem da seguinte maneira numa abordagem policial:
1) Atenda sempre todas as ordens verbais do policial que faz a abordagem. Ele pode estar sozinho ou acompanhado de outros policiais;
2) Não faça questionamentos ao policial ou qualquer movimento brusco, durante a abordagem e, principalmente, durante a busca pessoal e a revista do veículo. Busca pessoal é quando o policial revista a pessoa;
3) Ao parar numa barreira policial, desligue o motor e, a noite, acenda a luz interna, junto ao para sol do veículo;
4) Durante a abordagem responda com calma e clareza, a todas as perguntas do policial, mesmo aquelas que pareçam estranhas;
5) Terminada a abordagem, se houver necessidade, você pode perguntar o que motivou a abordagem. Se o policial não responder, não discuta com ele;
6) Caso considere a abordagem abusiva, não adianta discutir com o policial naquele momento. Se houver discussão, a situação tende a piorar. Sua melhor resposta é o silêncio e a educação, neste momento da abordagem.
7) Em caso de abordagem abusiva, tente ver o nome do policial. O nome deve estar bem visível na farda, como determina nosso regulamento disciplinar. Se não esta a vista é motivo de preocupação. O nome não estando visível, não pergunte-o ao policial. Preste atenção nas suas características físicas e observe bem sua viatura, procurando memorizar seu prefixo ou placa, marca e modelo de veículo, local e hora da abordagem. Com estes dados é possível identificar a guarnição. Procure então a Corregedoria da BM, cuja central fica na Rua dos Andradas, nº 522, no centro de Porto Alegre (RS);
8) Caso considere grave, algo que tenha acontecido durante a abordagem, procure uma Delegacia de Polícia e faça um registro sucinto e objetivo do que aconteceu.
O lado do policial que aborda. A arma em punho é recomendada sempre que haja uma fundada suspeita do policial, relacionada a pessoa abordada. Ela visa neutralizar uma possível reação agressiva do abordado, contra a integridade física do policial.
Embora sejamos formados e treinados para termos controle emocional absoluto, no exercício da profissão, isso se chama disciplina, associada a boa educação, com imparcialidade e razoabilidade, o policial seja civil ou militar no Brasil, tem exercido seu ofício em condições bem adversas.
No RS temos policiais sobrecarregados. Não há uma política de Estado para inclusões permanentes que deveriam ser anuais. Depois de 30 anos de serviço, os policiais, merecidamente, se aposentam e, não são culpados da crise financeira no Estado. Os que ficam na ativa trabalham por dois ou três, como esta ocorrendo atualmente. Disso decorre grande sobrecarga emocional. Ao lembrar isso, de maneira nenhuma quero justificar qualquer abordagem onde o policial meta os pés, pelas mãos.

Aroldo Medina
Tenente-Coronel RR da BM
30 anos de serviço policial militar

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Biblioteca da Brigada Militar reinaugurada hoje.

A reinauguração da biblioteca da Academia de Polícia Militar é mérito do atual comandante da APM, tenente-coronel Vitor Hugo Cordeiro Konarzewski, com o apoio de uma mão cheia de brigadianos interessados na difusão da cultura no meio militar, entre os quais incluo o comandante anterior da APM, coronel Antonio Osmar que no dizer da dona Terezinha, guardiã categoria gold de nossa biblioteca, são Comandos que se destacaram muito na preservação, ampliação e modernização deste espaço de aperfeiçoamento profissional, lazer, cultura e entretenimento do público militar e civil.
Aproveitei a ocasião para doar alguns livros novos a nossa biblioteca e uma coleção completa de jornais O Espadim, ligado à SACFO (Sociedade Acadêmica do Curso de Formação de Oficiais), órgão de divulgação dos cadetes da BM que fundei e editei a partir de 1987, depois de ser convidado para ser diretor do jornal pelo nobre cadete Marcio Ailto Barbieri Homem, presidente do saudoso diretório acadêmico dos alunos oficiais da Brigada Militar.
Darci Homem, no final de 1986, funcionário da CORAG (Companhia Riograndense de Artes Gráficas), com parque gráfico vizinho a APM, foi um grande incentivador, ao lado de outros colegas seus, no meu aprendizado em artes gráficas. Nessa época, eu e o dileto irmão José Henrique Gomes Botelho éramos focas na edição de jornais e revistas, indo nadar no lago hospitaleiro da CORAG, em horas vagas de atividade extra-classe, durante o CFO (Curso de Formação de Oficiais).
Aroldo Medina


terça-feira, 10 de novembro de 2015

61ª Feira do Livro de Porto Alegre

61ª Feira do Livro de Porto Alegre vai até o próximo domingo. Ainda dá tempo de visitar. Passei por lá hoje de novo, depois de cortar o cabelo, no Salão Dia e Noite que frequento há 30 anos, na Andrade Neves.
E, fui lá porque sentado na cadeira do Gringo, meu jovem barbeiro de 80 anos de idade, olhei para o lado e vi que seu colega, o Pedro, lia um livro de quase mil páginas sobre a 2ª Guerra Mundial, de Martin Gilbert, editado pela Casa da Palavra. Admirado, comentei que precisava de fôlego para ler um livro tão grosso.
O barbeiro, mais jovem que o Gringo, disse que estava acostumado a ler livros de mil e tantas páginas e, comentou com tanto entusiasmo o valor histórico e jornalistico do livro que lia, destacando um elogio do The New York Times que não resisti. 
Ao sair da barbearia fui atrás da obra na feira. Encontrei-a numa Cooperativa Estudantil ligada a Universidade Federal de Santa Maria por R$ 72,00 (setenta e dois) reais. Animado, saquei o Banricompras e botei a Segunda Guerra Mundial na sacola, junto com Sapiens, Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari, da L&PM, elogiado pelo The Guardian, adquirido por R$ 38,00.
Como diz o lema da 61ª Feira do Livro de Porto Alegre: livros nos ajudam a pensar. E, estamos mesmo precisando pensar muito, principalmente, como nos livrar de tanta corrupção encrustada em governos brasileiros.
Infelizmente, se percebe que o volume de vendas pode ser afetado, por conta do cinto apertado que nos impõe economia de guerra.
Aroldo Medina