sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O que se leva da vida é o que fazemos pelos outros.

Recorte do jornal Correio do Povo.
Não era minha hora... Deus estava comigo. Sempre esta. Ele e o Filho, o mestre Jesus.

Reorganizando papéis e livros na minha casa, encontrei esse recorte de jornal. Minha mente viajou no tempo, instantaneamente.
Patrulhávamos Porto Alegre quando ouvimos pelo rádio da viatura, o chamado de nossa central de comunicação, sobre um roubo em andamento. O motorista olhou para mim e eu acenei com a cabeça, sem lhe dizer nada. Em poucos segundos a viatura voava, com a sirene aberta, acompanhada por outras viaturas das PATRES (Patrulhas Táticas Especiais) do Batalhão de Polícia de Choque da Brigada Militar.
Chegamos rápido no local. Fomos recebidos a bala. Um dos criminosos caiu ferido. O outro correu. Fomos atrás dele. Perdemos ele de vista, por alguns instantes. Desconfiei que havia entrado numa farmácia, onde entrei, cautelosamente, encontrando o ladrão usando a balconista como escudo e, apontando um revólver engatilhado, para a cabeça dela.
Sem hesitar, mentalizei o mestre Jesus e lhe pedi em pensamento que se havia chegado a minha hora e eu fosse merecedor, me acolhesse em sua morada, nos próximos instantes.
O bandido estava dentro de um banheiro. Abri o tambor do meu revolver e o descarreguei, entregando minha arma para o sargento Rogerio Suman, mostrando-me para o criminoso. Ele fez o que eu esperava. Tirou a arma da cabeça da sua refém e apontou para a minha, dizendo que ia me matar. Pedi para falar antes de morrer e, o bandido consentiu. Mandei que olhasse para fora da farmácia. Desviando o olhar de mim, ele viu um brigadiano do GATE apontando um fuzil para ele. Jogou-se para trás, entrando, estupefato, para o fundo do banheiro.
Com olhos grandes e esbugalhados me perguntou por que eu havia feito aquilo, lhe advertir que estava sob a mira de um fuzil, prestes a ser abatido. Expliquei que estava ali para salvar vidas, inclusive a dele. O desfecho da história esta na reportagem.
Aroldo Medina


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Luciano Huck presidente.

Luciano Huck!? Prefiro o Ronald Reagan. Será que não se enganaram na pesquisa e não seria o Hulk? Porque ele traria junto, outros Super H.


Iotti e a politica em 2018.

Gosto muito das charges do Iotti. As sacadas dele são 10. Esta então, acertou em cheio numa visão que compartilho com ele. Muitos podem até não compreender a provocação do desenho ou até mesmo discordar, por não ter o hábito de refletir sobre estas contradições no comportamento do eleitor.

Esta charge é uma síntese extraordinária do resultado final das eleições no Brasil, nos últimos 30 anos. Talvez mais. O Iotti subiu na estratosfera e rabiscou uma foto ampla do caráter das eleições brasileiras.

Eu vejo no desenho, irmãos gêmeos. Somos livres para interpretar a figura, felizmente. Democracia é democracia. Doa a quem doer. Certamente haverá quem pense que o bonequinho na charge é o mesmo, em momentos  diferentes. Aí o bicho pega. O cara é bipolar ou é totalmente sem caráter. Até podemos aduzir que existem eleitores assim. Espero que sejam uma minoria. Por isso, prefiro pensar em irmãos gêmeos.

O bonequinho de camiseta amarela representa bem eleitores da classe média que fazem propaganda e compartilhamentos para anular o voto, votar em branco e, agora, a última moda, se abster de votar. A multa é pequena, em torno de R$ 3,50. Sim, três reais e cinquenta centavos. Para muitos parece ser melhor aproveitar o "feriado" da eleição, para passear, afinal de contas os políticos não merecem o voto que pedem. Crápulas, sem vergonha. Há quem diga até que na eleição de 2018 teremos recordes em abstenções. Então vamos merecer mesmo, o que vier das urnas.

O outro eleitor na charge, o de camisetinha branca, o que negocia o seu voto, vota no rato. A moeda de troca é vasta, nessa negociação. Varia de dinheiro vivo até uma lista quase infinita, nesse histórico balcão da eleição, onde esse eleitor, aproveita a oportunidade para pedir ao seu candidato e, pasmem, normalmente ganha mesmo: material de construção, cestas básicas, dentaduras, óculos, par de calçados, conserto do carro, corte de cabelo, roupas, botijão de gás, pagamento da conta de água, luz, telefone, cartão de crédito, festa de aniversário, despesas de funeral, churrascada, cervejada, cachaçada, etc. Vou parar por aqui, porque a lista é longa. Entenderam porque aqueles caras investigados na Lava Jato precisam de tanto dinheiro?

Assim temos, de um lado o eleitor "mais esclarecido", de camiseta amarela, com melhor grau de instrução que fica bravo se a gente disser que é analfabeto político e que vai ficar indignado comigo, ao ler esta desditosa crônica. Aquele que adere a campanhas para anular o voto, votar em branco ou se abstém de votar. O mesmo que embarca na canoa furada do argumento daquelas correntes que dizem que se todo mundo anular o voto ou votar em branco, vai ter nova eleição, com outros candidatos.

Do outro lado, vamos encontrar o eleitor da periferia, cuja renda não se enquadra na classe média, o que aceita negociar. Talvez até o trabalhador desempregado. O que decide a eleição votando no rato que compra votos. Não é a toa que a renovação das vagas nas câmaras e assembleias, raramente ultrapassa a casa dos 20%. Dois terços dos candidatos são reconduzidos aos cargos.

Então torcemos a cara e vamos continuar reclamando dos políticos aproveitadores dessa cultura que o Iotti sintetizou num único desenho, assistindo no sofá da sala, os mesmos sendo reeleitos, perdendo a maior chance que temos de mudar tudo o que achamos errado, votando no dia da eleição, escolhendo um candidato que reflita o caráter de honestidade e capacidade para o trabalho, de milhares de bons brasileiros.

Aroldo Medina


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Segurança Pública de Canoas.

Werner Spieweck, presidente do Consepro Canoas, Valdeci Antunes dos Santos, tenente-coronel Comandante do 15º BPM e Aroldo Medina, tenente-coronel RR da BM, fizeram uma reunião almoço, hoje, no Canoas Park Hotel, unindo forças pela segurança pública de Canoas.

O foco principal da conversa foi o estabelecimento de meta, para melhorar a infra-estrutura da Primeira Companhia do 15º BPM, com sede no populoso bairro Mathias Velho, em Canoas.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Frankenstein pode ser paraninfo no governo Sartori.

Sartoriedagate na segurança pública.
Tem um assunto que tem me incomodado, muito, nestes últimos dias. Inquietado minha consciência profissional, mesmo estando na reserva. A notícia do governo do Estado do RS sobre a abertura de 4 mil vagas para ingresso na BM, de uma única vez. Pode parecer um paradoxo, pois, uma notícia, aparentemente boa, para minimizar a falta de PMs nas ruas, traz vícios ocultos para a sociedade.

A história, num passado recente, esclarece a inquietação que me assalta e rouba minha paz. O governo Yeda Crusius também anunciou com pompas, o ingresso de quase 4 mil PMs. E, produziu uma bela foto no gramado da Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre, no ano de 2009, quando determinou ao Comando da Brigada que fossem colocados em forma, fardados, os novos alunos soldados.

Depois de romperem marcha, para seguir aos seus destinos fora das escolas regulares da BM, faltaram camas, colchões, armários e salas de aula. Até os galpões do Parque Assis Brasil, em Esteio, abrigo de galinhas, coelhos, porcos e outros animais, em época de exposição, viraram "salas de aula" para os neófitos brigadianos que, quase todos os dias "curtiam" uma sauna nos pavilhões da Expointer.

Depois de formados (?) foram para as ruas e suas matriculas foram ganhando um estigma gerador de inúmeros inquéritos e sindicâncias. Nos corredores dos quartéis apurava-se a causa do "fenômeno" de tantos inquéritos e sindicâncias associados as matriculas X e Y egressos do concursão do governo Yeda. Soubesse então que o governo, sempre o governo, quando foi notificado pelo Comando da BM que centenas de candidatos haviam rodado no psicotécnico, mandou (vão negar até a morte) afrouxar os critérios deste exame, para completar as vagas disponibilizadas pelo edital desse concurso.

Aí, descobriram outro probleminha, desta vez no exame intelectual. Tirando os candidatos que atingiram a média exigida no edital, ainda sobravam milhares de vagas. Vem o governo de novo, sempre o governo e, manda o Comando da Brigada baixar a média na marra, até que as vagas fossem preenchidas. E a BM, vai baixando, baixando (ou seria abaixando), baixando o nível, até que finalmente, as benditas vagas foram completadas, para produzir aquela bela foto, no gramado da APM que ilustra esta postagem.

Dá para entender agora por que não tenho dormido direito, pensando nessas 4 mil vagas que o governo Sartori anuncia com alarde, depois de causar a debandada para a reserva, de quase seis mil PMs, em menos de três anos de governo ou seria desgoverno na área de segurança pública? A sociedade que se lixe, o importante é a foto e a reeleição. Não importa a qualidade.

Na peneira de seleção do Sartori para novos soldados da Brigada Militar, com 4 mil vagas, vai passar porco, cachorro, gato, cobra, lagarto, urubu, papagaio, sapo, escorpião e sabe-se lá que outros bichos.

Não sou o primeiro a comparar a raça humana, com animais. Lembram-se do George? George Orwell. Eu mesmo me acho parecido com um cachorro "SRD". Um cachorro misturado (sem raça definida). Explico: meu pai bem brasileiro, era "meio bugre". E, minha mãe, de origem alemã. Acho que deu uma boa cruza. Aceitei bem o meu adestramento, honrando meu pai e minha mãe. Não vai faltar alguém para contestar esse adestramento. Mas democracia é democracia. Não faltará também quem diga que estou latindo demais.

E, por falar em latir... O Victor Frankenstein pode ser convidado para ser paraninfo dessa política de seleção do Sartoraço das Massas; do tipo peneirão que deixa passar tudo que é pedaço, a la Frank. Sou mesmo uma massa, ter votado no gringão que me enrolou feito espaguete. E, ainda levei minha mãe junto, 80 anos, numa cadeira de rodas, para votar nele. Caímos feito patinhos, na lábia do comediante.

As escolas da Brigada, podem formar, em números redondos, mil soldados. Acima dos mil, os alunos são formados fora das escolas, em unidades operacionais, tendo que disputar no tapa, camas, colchões, armários, travesseiros, banheiros, etc. As moças sofrem mais. Imagina um ou dois banheiros para 20 ou mesmo 40 jovens alunas. E, isso, não é trote não. Parece piada. Também não é piada. Nem vou falar nos homens porque homem é homem. Pode ir fazer as necessidades no mato.

Apartadas as piadas infelizes, tenho vídeos dos bastidores da formação de soldados fora das escolas regulares da BM, em unidades operacionais. É triste, indigno e vergonhoso como a Brigada é submetida por governos do vale tudo político.

Começam a entender agora por que, por exemplo, se digitarmos no professor Google questões sobre a formação de PMs, vão surgir matérias escrevendo sobre o despreparo de policiais? Eureca! Eis os vícios ocultos. Uma unidade operacional, além de cuidar do policiamento ostensivo numa cidade, nessas épocas em que o governo se toca, normalmente, na véspera de ano eleitoral, tem que se “virar nos trinta”, para também se  transmutar, precariamente, em  escola de formação de novos soldados. Resultado: nenhuma, nem outra coisa sai direito, como manda o figurino de uma boa formação profissional.

Os próprios soldados formados em escolas regulares da Brigada Militar quando são misturados nas unidades operacionais, com os colegas lá formados, sentem a diferença. Encontram os novinhos instruídos fora das escolas orgânicas mais flexíveis e, com mais jogo de cintura. Dois fatores preponderam para as diferenças notadas também por alguns oficiais: a disciplina e a qualidade da formação. A lógica é matemática: formar um aluno numa escola regular e outro numa escola improvisada revela profissionais bem diferentes. Não preciso entrar em detalhes. Cada um pode tirar as suas próprias conclusões, no resultado desse raciocínio.

O que o governo (com “g” minúsculo) deveria fazer e não faz? Ingresso regular de policiais civis e militares, anual, rigorosamente dentro da capacidade orgânica das suas escolas de policia, assegurando na estrutura de seus estabelecimentos de ensino, salas de aula e alojamentos dignos da missão dos futuros policiais.

Em tempo: olho vivo nas empresas que vão se candidatar e vencer os processos para fazer a seleção nos concursos da segurança pública gaúcha, em fase de elaboração apressada dos editais e etapas subsequentes a publicação do edital. O governo tem pressa para tirar aquela foto, no gramado da APM. Eleição chegando, sabe como é... E, voltando aos estabelecimentos que vão organizar o concursão... Assim como tem instituições sérias e com know how reconhecido, publicamente, na organização de concursos (que jamais aceitariam a violação de critérios pré-estabelecidos, tipo exame psicotécnico e média intelectual mínima para ingresso nas fileiras da polícia do RS), tem outras empresas enrustidas que falhariam até para selecionar o melhor candidato a sindico de um simples condomínio.

Aroldo Medina


Temer Frankenstein ou os políticos brasileiros são mais tenebrosos?



sexta-feira, 28 de julho de 2017

Macromix inaugura loja em Canoas.

Macromix inaugurou nesta sexta-feira, dia 28/07/2017, loja em Canoas, no bairro Marechal Rondon, rua Liberdade, 1381. Junto com minha filha Natália e o namorado dela, o Rolthiem fomos conferir a novidade. Chegamos na loja, 21 horas. Estacionamento cheio. Supermercado repleto de clientes como nós, em busca de bons preços.

Fomos bem recebidos, começando pelo funcionário que ajudava a coordenar o estacionamento dos carros que chegavam em fila que depois, igualmente se repetia nos caixas. Dentro do mercado o burburinho característico de inauguração. Carrinhos circulando em todas as direções. Parecia aquele trânsito intenso de bicicletas na China que ninguém entende como funciona tão bem a circulação, sem ninguém se bater ou mesmo precisar de sinaleira para orientar o fluxo.

Ficamos na dúvida se fazíamos ou não umas comprinhas porque a fila no caixa assustava mesmo. Paramos na vitrine das carnes, olhando através dos vidros transparentes, como cachorros que ficam namorando aquela máquina que assa o frango girando.

Fui empurrando o carrinho me afastando da tentação e conversando com a Natália e o Rolthiem, se valia mesmo a pena enfrentar a famosa fila de inauguração da loja que estava bem organizada e iluminada, com ótima climatização, corredores amplos, um pé direito bem alto, dispondo de funcionários bem atenciosos.

Fui parar na seção de bebidas importadas, olhando, ao vivo, aquelas pilhas de vinhos chilenos do tipo Concha e Toro Reservado. Leve 3 e pague menos. De R$ 29,00 pague R$ 26,00. Como eu vinha adiando a compra de uns vinhos porque as vacas não andam muito gordas, procurando uma desculpa para me jogar barranco abaixo, meus olhos acharam nas prateleiras dos vinhos, um conjunto de pequenos cartazes anunciando o bazar em seis vezes no cartão da loja e em três vezes nos demais cartões.

O departamento de recursos humanos do Macromix acertou totalmente na seleção dos funcionários de cada seção dessa loja. Botei no carrinho, várias garrafas do meu vinho preferido, empolgado com a leitura do cartaz que anunciava genericamente o bazar, em seis e três parcelas, dependendo do cartão e, voltei na vitrine das carnes bovinas, para namorar com elas. Um abastecedor do setor, atento ao meu interesse pelo produto, pegou uma costela daquelas que não tem como dizer não e com muita gentileza e simpatia, abordou-me, colocando a dita cuja na minha mão, falando ainda sobre as qualidades daquela “supimpa”. Rendido a cordialidade do funcionário, peguei e não larguei mais o osso carnudo e ainda peguei outra costela, só para aquela não ficar sozinha depois, na fogueira em brasa.

Com o vinho e a carne no carrinho, a Natália se encorajou e fez umas compras também. Depois de circular uma hora dentro da loja, somos para a insolente fila. Bravamente mantivemos nossa posição, até sermos bem atendidos pela jovem moça do caixa que não deixava transparecer o sufoco que deveria ter sido o seu dia. As compras foram passando. Um item se duplicou e, prontamente veio a fiscal de caixa fazer o estorno do valor indevido. A fiscal muito simpática também.

A régua passou, entreguei o cartão e veio a surpresa de que não havia parcelamento dos vinhos. Pensei por uns instantes, levo ou deixo a bebida supérflua, enquanto era esquadrinhado pelos olhares de outros clientes na fila, mandando eu me decidir logo. Fulminado pelo raio laser das retinas humanas que me bombardeavam, o calor na minha face subindo, o gatilho da vergonha que me invadia sem cerimônia, disse para a mocinha passar logo o cartão e concluir a compra, sem devolver o item comprado no calor da emoção despertada, espertamente por aquela propaganda abundante, colocada estrategicamente fora do espaço do bazar.

Antes de sair da loja, procurei o gerente do estabelecimento para lhe parabenizar pelo empreendimento muito bem vindo na cidade de Canoas, elogiar a educação dos seus funcionários, principalmente os trabalhadores com os quais tive contato em sua novíssima  loja e, por fim, lhe relatar a expertise daquela propaganda, certamente feita por um funcionário de marketing escolhido a dedo que igualmente deve ter bons conhecimentos de psicologia. O gerente foi um cavalheiro. Jovem educado e bom ouvinte. Ficou de levar o meu relato aos seus superiores. Antes de sair, pedi desculpas ao jovem pela minha desditosa interpretação daquela propaganda que bem poderia ter um anzol como logomarca.

Cheguei em casa, ainda me imaginando um peixe fisgado ou mesmo uma galinha, pega numa rede. Torceram-me o pescoço, com inteligência, mas a bem da verdade, mataram-me como cliente. Não pretendo mais nadar, nas águas do Macromix. Saí frustrado desta minha primeira compra nesta rede. Não sou um peixe muito evoluído.

Aroldo Medina

terça-feira, 25 de julho de 2017

Não me trova, Sartori.

Trabalhei na Brigada Militar durante 30 anos consecutivos, 100% ficha limpa. Comecei minha carreira na BM, em 1986, depois de ser aprovado no vestibular, concorridíssimo, da PUC-RS, em 1985. Vencida a etapa da seleção intelectual, para o CFO (Curso de Formação de Oficiais), seguiram-se os exames médico, um rigoroso físico e o famoso psicotécnico.

Optei pela carreira militar, sentindo-me vocacionado. Exerci todas as funções inerentes à carreira de um oficial de Polícia Militar, servindo na área operacional e administrativa. Também fiz na APM-RS (Academia de Polícia Militar) todos os cursos internos, habilitando-me para promoção de capitão a major, concluindo o CAAPM (Curso Avançado de Administração Policial Militar), em 2001 e de tenente-coronel a coronel, fazendo o CEPGSP (Curso de Especialização em Políticas e Gestão de Segurança Pública), em 2015. 

Em minha passagem para a reserva remunerada da Brigada fui agraciado com a Estrela de Reconhecimento da Corporação, grau prata, através do decreto estadual 52.445 de 30 de junho de 2015, por proposta do Comando Geral da BM, assinada pelo insigne coronel Alfeu Freitas Moreira. A finalidade desta síntese é ser avaliado como fonte, sobre o que vou escrever logo adiante.

Hoje, recebi no meu aparelho de telefone celular, através do aplicativo whatssap, uma propaganda do atual governo do Estado do RS, mandando eu me ligar, quando, na verdade, eu penso que quem deveria se ligar ou se flagrar era o próprio governo ou nosso governador piadista. 

A propaganda começa gritando. “TE LIGA: Estado recompõe quadro de servidores da segurança para combate a criminalidade. Durante o governo Sartori, esta havendo a maior recomposição dos quadros da Segurança Pública dos últimos anos. Até o final de 2017, teremos 4.262 novos servidores na carreira. Brigada Militar: 1.649 soldados e 24 oficiais, sendo 494 em fase de formação; Corpo de Bombeiros Militar: 475 servidores; Polícia Civil: 561 inspetores e escrivães e 1 delegado; Instituto Geral de Perícias: 106 servidores, em fase de concurso; Susepe: 726 ingressaram e 720 estão em fase de concurso. O somatório de medidas do governo começa a superar a defasagem histórica do quadro de servidores da Segurança. (Grifo do Governo). Leia mais no Não me Trova: https://goo.gl/42ahjc

Não me trova é realmente um excelente título para escrever sobre a matéria do governo que recebi no meu telefone celular.

Quem conhece os bastidores da política brasileira, deve doer o olho quando lê e, deveria doer ainda mais a consciência do governo quando escreve e negrita: “O somatório de medidas do governo começa a superar a defasagem histórica do quadro de servidores da Segurança”. A propósito: quem disse que os governos tem consciência? Especialmente os governos no Brasil.

O governo do Estado do RS esta longe de começar a superar a defasagem histórica do quadro de servidores da segurança pública dos gaúchos. A lei estadual nº 10.993 de 18/08/1997, alterada pela lei 13.970/12 fixa o efetivo da BM em 37.050 (trinta e sete mil e cinquenta), militares estaduais, entre oficiais e praças. Nos 30 anos que servi na BM, nunca vi o seu efetivo tão baixo, como na atualidade. Em números redondos, no ano de 2017, podemos estimar o efetivo da Brigada Militar, em 12.000 militares, no quadro de policia ostensiva, acrescidos de 2.500 militares do novo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do RS.

Assim, podemos falar que só na BM existem hoje 25 mil vagas a serem preenchidas. E, observe que estas vagas são na Brigada. Não estamos computando as vagas existentes no CBM (Corpo de Bombeiros Militar), hoje, separado da BM, mais as vagas abertas na Polícia Civil, na SUSEPE (Superintendência dos Serviços Penitenciários) e no IGP (Instituto Geral de Perícias).

Essa propaganda do governo que esta usando e abusando dos seus CCs (Cargos de Confiança) para disseminá-las nas redes sociais, não esta correta. É um subterfúgio político querendo alicerçar em areia movediça, a reeleição do governador Sartori, com rejeição e reprovação do seu governo, bem acentuadas em pesquisas feitas por institutos mais tradicionais e independentes.

Em apenas dois anos e meio, o governo Sartori é responsável pela saída de quase seis mil brigadianos (eu sou um deles) que pediram sua aposentadoria, por insegurança jurídica gerada pela ausência de uma política de governo de esclarecimento de reformas no Estatuto da Brigada Militar, pretendidas e propagadas, atabalhoadamente, pelo próprio Governo do Estado.

Tem aquele ditado: “O homem livre é senhor da sua vontade, mas escravo da sua consciência”. Votei e fiz campanha para o governador José Ivo Sartori. Acreditei tanto que convenci muitos amigos e familiares, até minha mãe (muitos aqui a conhecem), com 80 anos de idade (dispensada de votar) e cadeirante, a ir junto comigo, “votar no gringo”. Se arrependimento matasse, eu e ela estaríamos mortos agora. 

O governador Sartori nos trovou bonito.

Aroldo Medina