sábado, 24 de outubro de 2015

Resgate de animais.

Minha filha Natália Medina, 19 anos, me ligou agora há pouco para pedir ajuda. Relatou que tem um cavalo precisando de socorro junto a BR 448, próximo do quilômetro 13 da rodovia, sentido capital interior. O equino está num atoleiro, caído. Suscita atenção das pessoas que passam por ali, entre elas, a estudante de medicina veterinária Flávia Motta.

Liguei para o 191 da Polícia Rodoviária Federal e relatei o fato reportado pela Natália, estudante de veterinária na UNIRITTER/FAPA Porto Alegre. O pessoal da PRF foi bem prestativo e me disseram que iriam verificar a situação no local, tentando localizar o proprietário do animal, para que este fizesse o resgate do cavalo. Não o encontrando pouco poderiam fazer, pois, não dispõe de equipamento para esse tipo de resgate e nem tão pouco para onde levá-lo, caso o capturassem, aliás, este um grande problema, atualmente, onde alojar o animal que necessita ser tratado e alimentado.

As prefeituras dos municípios por onde passa a BR 448, principalmente, Canoas e Porto Alegre, não tem dado a devida atenção a este tipo de problema. Sequer tem estrutura, equipamentos, transporte adequado ou plantão para dar suporte aos policiais que atendendo chamados da população podem fazer o resgate dos animais, desde que tenham os meios necessários.

Em se tratando de desatolar um equino de porte, não é pouca força que policiais e bombeiros tem que fazer para realizar o resgate. E, no caso relatado pela Natália, a curiosidade das pessoas que habitualmente desaceleram para olhar o que chama atenção ou até mesmo para prestar socorro, pode causar graves acidentes na rodovia.

Aroldo Medina
Tenente-Coronel da BM.


Em tempo: ontem recebi ligação de um amigo pedindo socorro da BM, para verificar maus tratos de animais praticados numa propriedade privada em Gravataí, Distrito de Morungava. Fiz contato com o 1º Batalhão de Polícia Ambiental da Brigada relatando o problema. Embora com efetivo bastante reduzido foram bem atenciosos e ficaram de comparecer na propriedade, a fim de verificar a situação.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

CEPGSP 2015

Hoje a tarde ocorreu nossa formatura no CEPGSP 2015 (Curso de Especialização em Políticas e Gestão de Segurança Pública), última graduação na carreira do oficial do Quadro de Estado Maior da Brigada Militar. A cerimônia com 53 graduandos ocorreu na Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre (RS).
Compartilho com todos a felicidade de conquistar, ao lado de outros próceres brigadianos, a honra de alcançarmos juntos, o título intelectual que só aumenta nossa responsabilidade com a segurança pública da Sociedade Brasileira, carente de políticas de Estado que valorizem mais a carreira policial dedicada a defesa da vida e do patrimônio de todos.
O curso foi realizado no período de 18 de maio a 25 de setembro de 2015, com uma carga horária de 360 horas focadas no aperfeiçoamento da gestão administrativa e operacional da missão constitucional da Polícia Militar.

Aroldo Medina



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Pescador de Ideias

Perdi o sono nesta madrugada. Creio que é comum perdermos o sono, hoje em dia. Afinal de contas, motivos não faltam para sairmos dos braços de Morfeu. Os perigos nos espreitam por todo lugar. Não temos segurança nem mesmo dentro de nossa caverna de madeira, de tijolos ou de qualquer outro material com a qual tenha sido construída. Nosso telhado nunca esteve tão vulnerável. Depois dos bandidos, temos pedras de granizo que podem arrebentar nosso sossego a qualquer momento.

Mas voltando ao sono perdido. Levantei da cama e fui procurá-lo dentro de Zero Hora. Por falar em hora, o relógio marcava cinco e trinta e sete da madrugada. E, pode ser uma madrugada de qualquer pessoa. Nosso sono vai continuar fugindo da gente, mesmo que estejamos em Marte. Há! Sim. A Zero Hora que peguei? Era deste último domingo, dia 18/10.

Sócrates em Paraisópolis, do professor Eduardo Wolf foi o artigo que capturou minha mente. Bem que meu sono poderia estar na famosa favela de São Paulo. Na verdade, lá era o último lugar onde deveria estar. Mas não perderia nada em dar uma olhadinha. Putz! Fiquei mais acordado ainda, depois de ler que uma comissão de especialistas do Ministério da Educação e Cultura do Brasil esta sepultando, se já não enterrou, o ensino da filosofia nas nossas escolas. Seria odioso pensar nesses especialistas do MEC como alguma espécie de assassinos da mente de nossa juventude, privando-os de conhecer Sócrates, Aristóteles, Pitágoras, etc. E por falar no Pitágoras foi ele que escreveu: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”. 

Aí perdi o controle dos meus pensamentos. Minha mente foi parar na frase do Collares falando sobre o preconceito, na página dez: “Sempre convivi com isso (preconceito). Devo ter enfrentado, mas ficava com pena de quem cultivava o preconceito, porque é uma degradação moral e ética da criatura não gostar do outro por causa da cor”. A lembrança destas frases de Alceu de Deus, fez meu pensamento saltar de novo e ir para minha infância. Lembrei da Guiomar. A Guiomar era empregada doméstica da minha mãe, em 1968. Eu tinha 4 anos. Lembro dela como se tivéssemos nos encontrado ontem. Ela era uma negra forte, 35 anos, sempre disposta. Estava sempre lavando nossa roupa suja, passando e limpando a casa. Ouvi a Guiomar dizer mil vezes que eu era o filho branco dela.

Eu amava a Guiomar igual minha mãe. Aí, lendo um jornal percebi que eu via e sentia a Guiomar pelos olhos e o coração da minha mãe que sempre tratou todas as quatro empregadas domésticas que tivemos ao longo de 50 anos, com muita educação, amor e carinho. A segunda empregada, também negra, minha mãe chamava de Comadre e o seu filho Manoel, o sentia como um irmão. A Janaína foi a última empregada que tivemos. Eu ainda contrato ela para uma faxina semanal. Quando a Janaína vem limpar a casa, eu cozinho para ela. Costumamos almoçar juntos.

Meu pensamento salta de novo e vai parar na frase da “V.” da página 24 que disse: “- Eu tirei só um. Até hoje eu me pergunto: Que burrada que eu fiz?” A “V”? ZH Dominical esclarece: “Faxineira, que ficou conhecida pela acusação de ter comido o bombom de um delegado, em Roraima”. O “V” pode ser de Vitória, Veridiana, Vera, Vilma ou talvez de Verdade.

Não. Não. Não. Procurar o sono em Zero Hora ou em qualquer outro jornal, não dá certo não. O sujeito fica cada vez mais aceso, se sentindo mais um pescador de ideias do que um discípulo de Morfeu. Menos mal. Melhor do que perder o sono é ficar sem consciência e, para isso o jornal é um bom remédio. Boa leitura! Sempre que perder o sono.

Aroldo Medina

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Uma menina de 80 anos.

Dia chuvoso. Mate pronto, cevado a capricho, temperado com marcela e anis. Um aroma bem agradável subiu com a água quente servida na cuia. Salguei a pipoca e, com a garrafa térmica em baixo do braço fui sentar com minha mãe, na varanda da casa. O olhar dela saia pela janela, fitando a chuva que se precipitava forte.
“- Este chimarrão está muito bom, Aroldo”. “- Feito pensando em ti, só pode ter ficado bom, mãe”. Ela sorriu enquanto o “Fan” (de Fantasma) se aninhava no colo dela.
“- Mãe, tenho uma boa para te contar. Final de semana que passou fui num aniversário. Cheguei numa loja para comprar o presente da aniversariante de 2 anos. Logo que cheguei no caixa, uma senhora octogenária, fez fila atrás de mim. Como a balconista já tinha começado a embrulhar o presente, fiquei meio sem jeito com a mocinha esperando”.
A balconista que se esmerava em enfeitar o pacote comentou que a “pistola de bolhas de sabão” comprada era um bom presente, apesar de ser uma pistola. Não me contive e querendo puxar conversa com a senhora que, pacientemente, aguardava sua vez na fila, eu disse que na minha infância, brincava muito com revólveres de espoleta, metralhadoras e espingardas que disparavam dardos emborrachados ou bolinhas de plástico e, nem por isso eu havia me tornado um bandido ou sentira vontade de matar alguém depois de grande. Diante do riso da balconista e da velhinha, eu disse, com orgulho que me tornara policial militar, colhendo a aprovação das duas.
Mas ainda querendo compensar a senhora que esperava atrás de mim, enquanto a balconista terminava o pacote, meus olhos pousaram sobre uma linda boneca. Parecia uma princesa. Seu vestido era bem colorido. Não resisti. Peguei a boneca e pedi para a balconista somar na conta e embrulhar para presente. A velhinha permaneceu com a tranquilidade dos justos, estampada no seu semblante.
Terminados os pacotes paguei e recebi os embrulhos. Olhei para a senhora que me fitava gentilmente e perguntei o seu nome: “- Lucilda”. “- Dona Lucilda! Permita compensá-la pela espera”. E, lhe alcancei a boneca. Surpresa, ergueu a cabeça me olhando com carinho, disse que não podia aceitar. 
Eu insisti que ela merecia e, também porque lembrava muito minha mãe, acrescentando: “E, naturalmente, porque a senhora é uma menina muito simpática e bonita”. Ela corou, aceitou a boneca e pediu para me dar um beijo e um abraço, o que me emocionou bastante, junto com todos na loja.
Já ia saindo na porta quando a menina de 80 anos me chamou de volta. “- Como eu vou explicar em casa, para o meu marido que ganhei esta boneca de um moço tão bonito como o senhor”?
Todos na loja responderam com muitos sorrisos, iguais aos que brotaram como um buquê de flores, no rosto da minha mãe.

Aroldo Medina