sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Milhares de PMs se aposentam por insegurança.

Há 31 anos ingressei na BM, vocacionado e, incentivado pelos meus pais, depois de ser aprovado em concurso público rigoroso e, com seleção feita através de exame vestibular da PUC-RS, para o CFO. Orgulho-me da carreira que abracei e tenho ótimas lembranças das comunidades onde comandei o policiamento ostensivo e dos amigos e colegas de farda, com quem tive o privilégio de trabalhar.


Concluí esta etapa da minha vida com a certeza do bem realizado e do dever cumprido, sempre com a proteção do Mundo Espiritual e do mestre Jesus, com a graça de Deus.

Podia ainda estar na ativa, mas o atual Governo do Estado do RS gerou insegurança administrativa na polícia gaúcha, com propostas de reformas previdenciárias e, aumento puro e simples do tempo de serviço dos militares, ignorando as cargas características da profissão. Resultado: em apenas dois anos de governo, milhares de PMs pediram a reserva.

Aroldo Medina


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A origem do caos no Espirito Santo.

O economista Paulo Hartung (PMDB) foi eleito para governar o Espírito Santo, em 2014. Recentemente, anunciou que vai deixar o PMDB. Sexta-feira, dia 03/02/17 fez uma cirurgia no Estado de SP, para tirar um tumor da bexiga. César Colnago (PSDB) é o governador, em exercício. O ES tem por volta de 4 milhões de habitantes e 10 mil PMs para fazer o policiamento ostensivo, no seu território.

A Polícia Militar do Espírito Santo estaria há sete anos sem reajuste salarial. As famílias dos PMs, cansadas de esperar o reajuste chamado R.G.A. (Revisão Geral Anual), previsto na Constituição do Estado do ES e regulamentado por lei orgânica e decreto, resolveram fazer uma manifestação contra a falta de resposta governamental, acampando na frente dos quartéis e, impedindo que os PMs saíssem para a rua, tal como se viu, recentemente, esposas de PMs gaúchos acamparem na frente de portões de saída de quartéis da BM, em Porto Alegre, pelo atraso e parcelamento de salários.

A resposta do Governo do Estado do Espírito Santo a essa manifestação de esposas de policiais militares foi ordenar ao Comandante Geral da PM-ES, coronel Laércio Oliveira que acabasse com as manifestações na frente dos quartéis. O coronel Laércio, incomodado com o tom de ameaças veladas do Governo Estadual e, imposições intempestivas para reprimir familiares dos PMs, respondeu ao governo que não era possível cumprir as ordens nos termos recebidos. Foi exonerado sumariamente e, substituído pelo coronel Nylton Rodrigues que , igualmente, sentindo-se vilipendiado em valores éticos e morais inerentes a sua condição de oficial de carreira da PM-ES, ao receber ordens do Governo para reprimir o manifesto de familiares dos policiais, teria renunciado ao Comando, porém cedido a apelos de colegas, ficando no cargo. Esse contexto não consta das notícias que acessei na Internet, no dia de hoje.

Portanto, estou convicto de que esse caos lamentável que estamos assistindo no Espírito Santo, causado pela ausência da Polícia Militar nas ruas tem sua origem, na incapacidade de diálogo do governador do Estado e do seu secretário de segurança pública, André Garcia, com as famílias dos PMs e, das entidades de classe de representação dos PMs que poderiam, chamadas a negociação séria e responsável, evitar todo o trágico efeito da ação dos bandidos sem limites.

Almejo ainda que o tormento vivido pelos brasileiros que habitam o Espírito Santo, nos últimos três dias, causado pela bandidagem, sirva de exemplo para outros governadores e, até mesmo para a Presidência da República de como não deve ser conduzida uma negociação com as famílias brasileiras cansadas do desgoverno na segurança pública.

Aroldo Medina


NOTAS: familiares de policiais militares do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, cogitam para os próximos dias, manifestações semelhantes ao que estamos vendo no Espírito Santo.

E, não faltam arautos para se aproveitarem da situação propondo a extinção das Policias Militares. Quem assim professa quer o caos instalado no Brasil, para usurpação de riquezas que deveriam ser investidas no bem estar da nação brasileira, assim como ver prosperarem negócios rentáveis com a falta de segurança pública.

Também li alguns comentários leigos, publicados junto a notícias sobre esta pauta, pregando a desmilitarização da PM. Reforço: a origem da crise é governamental. O Governo do ES deve ouvir o que tem a dizer o novo Comandante da PM sobre esta crise, sem reprimi-lo ou repreendê-lo, por dizer o que a tropa esta sentindo e, estabelecer um calendário de reajuste mínimo, aplicável a toda polícia do Estado do Espírito Santo, civil e militar, não esquecendo de programar investimento em novos equipamentos que o Governo Federal pode viabilizar. Digno assinalar ainda que polícias de nações com IDH elevado, como por exemplo, EUA, Canadá, Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Chile, entre outros tem organizações policiais com cultura militar ou civis com paradigmas miliares. Portanto, o problema não esta nas PMs do Brasil serem militares e sim porque não temos uma politica de Estado permanente, na área de segurança pública. E, o óbvio indefectível: salários dignos, pagos em dia e equipamentos adequados são fundamentais para fazer frente ao banditismo que atormenta o povo brasileiro.

Entrevista com o novo Comandante da PM do ES.