sábado, 24 de agosto de 2013

Prisioneira de uma cama.

143 dias internada no Hospital Independência de Porto Alegre, a maior parte do tempo na UTI, em função de uma complicação respiratória, muito grave. Nilva de Wallau Medina, 77 anos, viúva, mãe de três filhos.  Aposentada e pensionista do INSS. Renda mensal: um salário mínimo e meio.

Depois de fumar durante 40 anos, minha mãe desenvolveu um enfisema pulmonar. Tornou-se ex-fumante há cinco anos, depois de ser internada, também em estado grave, no Hospital de Pronto Socorro de Canoas, onde foi entubada pela primeira vez, em sua vida.

Eram 21 horas e trinta minutos quando a mãe me chamou, sacudindo a guarda de sua cama automática. Ela esta com uma traqueostomia. Botei uma luva descartável e tapei a cânula metálica, afixada em sua traqueia. Ela, sussurrando, falou: “- Aroldo. Eu quero sentar na poltrona. Não aguento mais ficar deitada”. 

Empolgado com a rara disposição espontânea da mãe em sentar, posição que lhe faz muito bem à saúde, acionei a campainha do quarto 106. A resposta do posto de enfermagem foi rápida. Menos de um minuto, a técnica entrou no quarto. Inteirada do motivo do chamado pediu ajuda a duas outras colegas, para realizar a transferência da mãe, da cama para a poltrona.

Tudo ia bem até que uma das técnicas levantou uma dúvida sobre a hora da solicitação. Era noite. O costume é sentar o paciente durante o dia. O procedimento foi interrompido. Fiquei incomodado com a situação. O arbítrio da enfermeira, chefe do plantão, foi solicitado para dirimir o impasse.

Enquanto aguardava a vinda da enfermeira, com a TV ligada na novela “Amor à Vida”, eu olhei para meu notebook, descansando numa cadeira do quarto. Decidi então transformar meus pensamentos, num trabalho escrito.

Passei a refletir sobre a condição de uma pessoa presa a uma cama. Não por preguiça, mas porque a saúde não permite ao esqueleto e aos músculos erguerem o próprio corpo, por falta de força. Elenquei inúmeras considerações em minha cabeça que tornariam este artigo bem mais longo e, por consequência, mais difícil de ser lido. Andamos com pressa demais para tudo. Lembrei, por exemplo, o padecimento causado pelas indefectíveis úlceras de pressão, também conhecidas como escaras que causam muitas dores nas pessoas. Minha mãe tem três. Uma na região sacra, bem expressiva.  A morfina tem aliviado sua dor.

Mas tudo que eu pudesse lembrar e escrever aqui para descrever o desafio de uma pessoa acamada por longo período, certamente, não representaria 1% do sofrimento que um ser humano deve sentir quando depende 100% dos outros para as tarefas mais simples e primárias do nosso dia a dia.

Levantar, ir ao banheiro, se lavar, fazer suas necessidades fisiológicas, comer, sentar se tornam tarefas de difícil acesso.  Talvez tudo isso seja uma grande oportunidade que Deus nos dá, para demonstrar nossa compaixão e boa vontade para auxiliar o próximo.

A enfermeira, gentil e atenciosa, entrou no quarto, desculpou-se pela demora e explicou que estava acompanhando a transferência de um dos seus pacientes, do quarto para a UTI. Minha mãe mesmo, já esteve no quarto e voltou para UTI, três vezes, em sua estada no exemplar Independência que continuo atribuindo nota 10 para este hospital 100% SUS.

A enfermeira, com nome angelical, esclareceu a precaução de suas técnicas, em manusearem seus pacientes com autorização da chefia, como uma medida de proteção e, disse ter preferência, sempre que possível, do paciente ser manuseado, com acompanhamento de um fisioterapeuta que, normalmente, trabalha durante o dia. Suas ponderações acalmaram meu coração. Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, em sua grande maioria são pessoas bastante abnegadas. Seu ofício exige paciência como vocação, entre outros importantes predicados. Tem muito mais valor do que os salários que lhes são pagos, no Brasil, numa jornada de trabalho, permanentemente, desafiador.

A conversa com a enfermeira foi interrompida com um novo chamado da sua valiosa equipe. Um paciente se agitava, arrancando suas conexões com aparelhos de sustentação da sua vida. A enfermeira pediu licença e se retirou. Antes, porém, deixou suas técnicas orientadas a trazerem até o quarto um pequeno guincho eletrônico, para facilitar o transporte e manuseio da paciente.

As técnicas de enfermagem, bastante atenciosas, finalmente, se aproximaram para executar seu trabalho, uma hora e meia após mamãe manifestar seu desejo de se “desaprisionar” de sua cama e ir para a poltrona redentora. Porém, minha mãe, despreocupada, adormecera. “- Dona Nilva!” Chamou a enfermeira. Acordada, disse que preferia sentar “mais tarde”.

A vontade de ir para a poltrona havia abandonado minha querida e amada mãe. Triste, com a evaporação da oportunidade de vê-la fora da cama, agradeci as técnicas presentes e sugeri a mamãe que voltasse a sua jornada de sonhos, dormindo com os anjos.

Deus e Nosso Senhor Jesus estejam no coração de todos nós que Neles temos fé e esperança.


Aroldo Medina

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Vídeo Monitoramento em Canoas: segurança pública com maior eficiência.

A Isis e o Toby são nossos cachorros, junto com a Luna. Tem também o Fan, o gato da minha mãe e, os dois "ratos" da Natália. Minha filha quer ser veterinária. Já esta fazendo estágio em casa!

A Natália estava no aniversário de uma colega. Assim que cheguei em Canoas, liguei para ela: "- Natália! A Isis e o Toby fugiram". "- Não! Não! Não!" Desesperou-se a Natália. Mandei, com firmeza, ela se acalmar e disse que iríamos procurá-los.

Começamos as buscas as 22 horas e 30 minutos. Com chuva e frio, as ruas de Canoas estavam desertas. Liguei para a BM e pedi o telefone da Central de Vídeo Monitoramento de Canoas. Liguei para o 153, expliquei a situação e pedi ajuda. Jonatan Martins, guarda municipal, 10 anos de serviço, líder da equipe da Sala SIM (Sistema Integrado de Monitoramento) foi super atencioso. Assegurou que iria ajudar na procura.


Dez minutos depois de entrar em contato com a Sala SIM, meu telefone tocou pela primeira vez. Era o Jonatan. "- Major, tem dois cachorros andando juntos na coronel Vicente, descendo na direção do bairro harmonia. Eles fecham com as características que o senhor informou". Fomos para lá, eu, minha filha Natália Medina e sua colega Carolyn Pelc. "Alarme falso". Não eram eles.

Foram cinco ligações, de um lado para o outro, atrás dos "fujões" quando recebemos a ligação da guarda Neuza: "- Major! Acho que encontramos os seus cães. Eles estão descendo a Tiradentes, rumo a Praça do Avião". Eram duas horas da madrugada. Fui rápido para o local, pensando no perigo da BR 116.

Encontrei a Isis e o Toby na parada de ônibus da Praça do Avião. Desci, feliz, radiante, abrindo a porta da camioneta, mandando eles entrarem. A Isis pulou para dentro, grunhindo. O Toby, mais velho, tive que dar uma mãozinha. Levei-os para casa, na Mathias e, voltei ao centro de Canoas, para fazer uma visita ao Jonatan Martins e sua valorosa equipe.

10! É pouco para expressar o reconhecimento e a gratidão aos trabalhadores do Centro Integrado de Segurança Pública de Canoas, onde funciona a Sala SIM. Lá encontrei uma equipe atenciosa, motivada, com grande profissionalismo, operando um sistema de notável tecnologia e utilidade pública, reunindo integrantes da Guarda Municipal de Canoas, da Brigada Militar e da Guarda de Trânsito.

O agradecimento é extensivo ao prefeito Jairo Jorge, mentor deste Sistema inaugurado há três anos, sem esquecer de agradecer também aos gestores da área de segurança pública de Canoas, nomeados pelo prefeito, entre os quais se encontra o coronel Luiz Bortoli, oficial de estirpe elevada, com quem tive a honra de servir no 11º BPM, em 1989, logo que sai da Academia de Polícia Militar.

Deus esteja com todos, iluminando e protegendo.

Major Aroldo Medina

domingo, 11 de agosto de 2013

Dia dos pais.

FELIZ DIA DOS PAIS! Ser pai é uma benção. Considero-me um homem abençoado por Deus. Tenho uma filha que me coloca nesta condição sublime. Orgulhoso como demonstra o olhar do pai, na ilustração do Google. Inúmeras vezes carreguei a Natália nos ombros quando era pequena. Certamente, ela voava em meus braços. Inúmeras vezes viajei nos ombros do meu pai, de saudosa memória. Foi muito presente em minha vida. Partiu cedo, aos 60 anos. Só tenho boas lembranças dele. Um grande pai, de coração generoso. Um trabalhador exemplar, honesto. Um homem de coragem. Guiava-me pelo exemplo e me cativava pela palavra firme e sempre sincera. Honrados sejam todos os pais conscientes que receberam a graça de criar filhos. Deus habite no coração de todos eles, com vida longa, saúde e paz, ao lado dos filhos.

Aroldo Medina

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mãe passa por cirurgia abdominal no Independência.

A excelente equipe de médicos do Hospital Independência de Porto Alegre (RS) descobriu, em tempo, de ontem para hoje, uma úlcera no intestino de minha mãe Nilva de Wallau Medina que exigiu uma cirurgia de emergência.

As circunstâncias do grave estado de saúde da mãe, chamou para o cenário da operação, o cirurgião Igor Wolwacz Júnior, diretor técnico do Hospital da BM.



Às 16 horas desta tarde, o doutor Igor operou a mãe, no bloco cirúrgico do Independência. Eu e a Adriana acompanhamos o trabalho no hospital. A cirurgia foi bem sucedida. 


Dou graças à Deus e ao nosso Senhor Jesus, em agradecimento ao doutor Igor, doutor Carlos, responsável pela anestesia e toda equipe de enfermeiros e técnicos do bloco cirúrgico do Hospital Independência. Nota 10, para o seu trabalho. 

Vai, igualmente, meu agradecimento a irmã Cecília, ao doutor Flores, membro da diretoria do Hospital Independência, ao lado do doutor Alexandre e todos os destacados médicos sob sua chefia, na UTI do HI, junto com enfermeiros e técnicos de enfermagem.  Meu idêntico reconhecimento ao querido pessoal técnico do Posto de Enfermagem nº 1 (que carinhosamente já chama a mãe de "guerreira highlanderiana"). E, não posso esquecer do pessoal da secretaria, portaria e recepção do hospital. Todos constituem uma torcida especial pela recuperação da saúde da mãe que está há 124 dias recebendo os cuidados da grande equipe do melhor hospital da rede SUS do Brasil.

Ao coronel Freitas, chefe do Estado Maior da BM, minha continência sincera pelo seu apoio recebido nesta hora difícil, na pessoa de quem agradeço a todo o alto Comando da BM, coronel Fábio e coronel Silanus, homens que dignificam a história da BM, junto com meu chefe na Ajudância Geral, tenente-coronel Damásio. Honra-me pertencer a tão honrada instituição.

Deus seja louvado e continue nos abençoando nesta luta pela vida. 

Na foto estou ao lado do tenente-coronel Igor, valioso oficial do nobre quadro de saúde da Brigada Militar. Segundo meu colega de turma tenente-coronel Darlan da Silva Adriano, o doutor Igor é um cirurgião com reconhecimento no Brasil todo, com reputação igualmente destacada no exterior.

Aroldo Medina