sábado, 27 de agosto de 2011

"Quem mantém a ordem não faz desordem".


A frase do título está publicada na página 5, da edição impressa do jornal Zero Hora de hoje.

A sentença é do comandante geral da Brigada Militar, coronel Sérgio Abreu.

O comandante se refere a uma tática comandada, segundo ZH, pela Associação Beneficiente Antonio Mendes Filho (ABAMF), integrada por praças da BM que reivindicam melhores salários protagonizando o bloqueio de rodovias federais no RS, com a queima de pneus.

O salário mensal do soldado da PM no RS, fica em torno dos R$ 1.000,00 (mil reais). Junto com a remuneração dos policiais cariocas, são os menores salários de PMs do Brasil.

Na mesma reportagem o governador Tarso Genro também condena o ato, porém, reconhece que o salário do soldado da BM é "vergonhoso".

As autoridades da cúpula da segurança pública no RS estão preocupadas com a quebra da hierarquia e da disciplina na tropa. Tem razão.

A gestão da BM, a manutenção da sua hierarquia e disciplina é uma empresa ampla e complexa. Não se retringe a administração de problemas como a pauta da reportagem em tela. Vai além. Exemplifico. Ainda esta semana que passou, fiquei sabendo que vou responder Inquérito Policial Militar porque forneci cópia do relatório de um IPM do qual fui encarregado, para o Ministério Público e as vítimas de violência policial gravíssima.

Fiquei estupefato, pois, a simples leitura do inciso 1º e 7º artigo 129 da Constituição Federal Brasileira são cristalinos nas funções estratégicas do MP para manutenção do Estado Democrático de Direito, entre elas, exercer o controle externo da atividade policial.

Quem não deve, não teme.

E, se a mesma Carta Magna oportuniza ao PM indiciado (ao réu) o direito da ampla defesa e do contraditório, assim como permite ao advogado de qualquer uma das partes envolvidas num processo policial, acesso aos autos findos ou em andamento(item XIV do artigo 7º da Lei 8.906 de 04/07/1984), por que estranhar a ação do encarregado de um IPM julgar importante dar acesso e satisfação a vítima de grave agressão policial? Eis um ponto crucial: "o corregedor" sendo caçado.

O ato de colocar o corregedor no "paredão", afeta seriamente a disciplina e a hierarquia militar, porque justo o encarregado da justiça e da disciplina interna é alvo de constrangimento, por querer exercer o seu trabalho com transparência para a sociedade e as instituições que devem guardar pela lei e a ordem social.

Aroldo Medina
Major da Brigada Militar
Sub-Comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar

Leia também: Diário de um Oficial da BM

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O Google e Jorge Luis Borges.


Acabo de conhecer o poeta argentino Jorge Luis Borges através da logomarca estilizada do Google que lhe presta homenagem no dia do seu aniversário.

Estimulado pelo logotipo futurista da imagem do Google fui pesquisar a justificativa da homenagem. Na Wikipédia acessei o histórico do escritor nascido em Buenos Aires, em 1899, considerado pela crítica internacional, o maior poeta argentino.

Antes de postar este texto fui ler o pensamento de Borges. A natureza de sua obra filosófica e cheia de alegorias, levou-me a desconfiar de que Borges pudesse ser ateu. Encontrei Uma oração. Seu simbolismo levou-me a crer que o autor admitia Deus em sua obra, fato indispensável para ocupar este humilde espaço.

Aroldo Medina

domingo, 14 de agosto de 2011

Ivo Medina, meu pai.



Meu pai foi um homem muito presente em minha vida até o dia de sua morte, em agosto de 1988. Nasceu na Terra dos Marechais, São Gabriel, em 16 de setembro de 1928.

Criou-se na estância de minha vó Ilda e do vô Tetê (Paulino de Moura Medina) que não conheci. O pai do meu pai morreu num acidente de trânsito, antes que eu pudesse desfrutar da sua companhia também.

Ouvi muitas histórias sobre a juventude do meu pai, em férias de verão, contadas pelos tios dele, em acampamentos na beira de rios e matas do distrito do Batovi, em São Gabriel. Uma que me fascinava em especial, era ouvir que depois de descobrir um grupo de jacarés, vivendo numa sanga próxima da casa onde morava com meus avós e, sobre a qual havia uma árvore caida. Meu pai passou a freqüentar este local para, de cima da árvore caída, brincar com os bichanos. A primeira coisa que concluí depois de ouvir pela primeira vez essa história é que meu pai era um homem de coragem.

Outro grande valor do caráter de meu pai era sua honestidade, enaltecida por todos parentes e amigos dele que conheci até hoje, ao lado da sua disposição para o trabalho. Papai, um campeão de vendas, trabalhou 10 anos na Gessy Lever e 15 anos na Anderson Clayton, como vendedor especializado, até ser aposentado por invalidez, depois que seu colega de ginásio, doutor Homero Machado, diagnosticou grave problema cardiaco que veio a lhe ceifar a vida, aos 60 anos de idade.

Presenciei o doutor Homero, grande amigo do meu pai, em seu consultório, na Galeria São Luiz, em Canoas, lhe dizer: "- Ivo tens que parar de trabalhar. Estas com um grave problema no coração". A resposta do meu pai: "- Homero. Não posso parar de trabalhar agora. Estou pagando uma casa financiada pela Caixa. Como ficam a Nilva e os guris se eu não puder pagar a prestação da casa?" O doutor Homero replicou: "Se não parares, vais morrer Ivo". A resposta serena do meu pai: "- Só paro depois que pagar a última prestação". Pagou a última prestação. Morreu em casa, fulminado por ataque cardiaco que presenciei. Tentei, em vão, reanimá-lo.

Muitas vezes lhe desobedeci. Não lhe faltou paciência para conversar comigo inúmeras vezes e, ainda dando-me diversos livros, entre eles O Homem que Calculava, de Malba Tahan e textos de Rudyard Kipling, alertando que se eu continuasse a desobedecer minha mãe, não lhe restaria outra alternativa, senão usar sua autoridade de pai e me "passar o laço". Ignorando os avisos de meu pai, levei umas cinco surras em minha meninice, todas merecidas, até ser domado.

Papai não poupava esforços para investir em nossa educação, minha e de meus dois irmãos. Trabalhava, em média, 12 horas por dia, para nos sustentar. Freqüentamos o Maria Auxiliadora, em Canoas.

Faço o melhor possível, para seguir o seu exemplo. Deus o abençoe em outra dimensão de vida e a todos os pais, no dia de hoje, concedendo sabedoria, paciência e muita disposição para sermos pais presentes na vida de nossos filhos.

Aroldo Medina

Grande Google! Dia dos Pais.


A homenagem do Google ao Dia dos Pais.

Como sempre, com personalidade e bom gosto.