domingo, 27 de dezembro de 2015

Guardas Municipais e polícia.

O jornal Zero Hora publica neste domingo, entrevista do secretário de segurança do RS, Wantuir Jacini que defende posição de que as "Guardas Municipais precisam agir como polícias".

A reportagem pode ser lida em: entrevista do secretário.

A falta de segurança pública nas cidades brasileiras não será resolvida pelas Guardas Municipais. Basta lembrar que as Guardas Municipais existem em apenas alguns municípios. No RS onde há 497 municípios, somente 26 cidades possuíam GM, em 2012. Esse dado estatístico não se alterou muito em 3 anos. O orçamento municipal que patina em áreas básicas como saúde e educação, na grande maioria das cidades do Brasil, sem uma grande reforma tributária que não ocorrerá tão cedo, não comporta o ônus da criação de Guardas Municipais.

Mesmo que tenha sido criado um Estatuto para as Guardas Municipais através da lei federal nº 13.022, em 08 de agosto de 2014, sob análise do STF, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5156 que admite o porte de arma e o "agir como polícia", não faz parte da cultura organizacional das atuais Guardas Municipais, este agir como polícia. Uma simples legislação não modifica o agir e o pensar de uma organização, de uma hora para a outra. Creio que uma pesquisa imparcial entre os próprios guardas municipais, indagando-os sobre esta pauta, traria um ponto de vista que não pode ser ignorado na análise deste problema.

Outro fator digno de nota é a formação do guarda municipal e do policial civil e militar, começando pela carga horária, currículo e treinamento. Vamos ficar bem assombrados com a discrepância de horas que um aspirante a policial frequenta nos bancos das academias e escolas de formação de policiais civis e militares quando compararmos com a formação de guardas municipais. E, imaginar que vamos dar um cursinho de capacitação para o guarda municipal sair de uma condição predominante de zeladoria para agir como policial é simplificar demais um assunto por natureza, complexo.

A solução dos problemas de insegurança pública no Brasil começam pela valorização do trabalho das atuais Polícias Civis e Militares brasileiras, junto com Institutos de Perícia e Serviços Penitenciários. Os Estados que compõe nossa república têm em suas mãos, homens e mulheres concursados para agir como polícia civil e militar qualificados para dar uma excelente resposta a sociedade, no combate a criminalidade. Basta que os governos valorizem seus quadros técnicos, investindo em salários dignos e equipamentos adequados, sem partidarização das instituições rendidas por uma classe política que domina alguns com privilégios, em detrimento da maioria de policiais que vivem marginalizados, com estigmas conhecidos. Os desvios de conduta devem ser combatidos com corregedorias fortes e independentes.

Não vejo campanhas para substituir a Polícia Federal Brasileira, nem tão pouco o Ministério Público de nosso país que alcançam grande notoriedade nacional pelo profissionalismo e independência com que agem no combate a criminalidade. Aliás, ambas instituições, com orçamento garantido, ao lado do Poder Judiciário, muito bem representado pelo juiz Sérgio Moro, se constituem com a eficiência e credibilidade do seu trabalho, em motivo de orgulho e esperança do povo brasileiro, por uma bonança, depois da tempestade que ora nos atormenta.

Aroldo Medina

Nota: foto que ilustra a postagem de Julio Cordeiro, Agência RBS, extraída da reportagem original.



sábado, 12 de dezembro de 2015

(In) Segurança na cozinha. Fogões.


Comprei um fogão 4 bocas Eletrolux Chef Super, no Magazine Luiza, semana passada, através da Internet. Compra segura, entrega super rápida, com recebimento da mercadoria intacta. 

Ao instalar o fogão, por acaso, descobri que as panelas não tem boa estabilidade sobre o gradil do fogão, diferentemente das panelas sobre o gradil do meu antigo fogão Brastemp Clean que oferece excelente estabilidade dos utensílios de cozimento sobre ele.

Surpreso com a descoberta inesperada, depois de constatar que as panelas dançam em cima do gradil do Eletrolux Chef Super, gravei um vídeo sobre a matéria, comparando o fogão novo, com o mais antigo. (Filmagem: Natália Medina, minha filha, 19 anos, ótima câmera girl).

Se tivesse que responder hoje, qual o melhor fogão? Brastemp Clean ou Eletrolux Chef Super, analisando o quesito segurança das panelas em cima do fogão, o Brastemp Clean oferece muito mais firmeza e estabilidade, em função do seu gradil melhor projetado.

Vou solicitar ao Magazine Luiza a troca do fogão adquirido.

Aroldo Medina




terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Visita ao Comandante da Brigada.

Visitei o Comandante Geral da BM, coronel Alfeu Freitas Moreira, nesta tarde. Uma visita de cortesia. O coronel Freitas, como de praxe, um anfitrião, cujo cavalheirismo combinado com o seu conhecimento profissional, o credencia como um dos melhores Comandantes da Corporação, nos últimos 30 anos.

Tenho convicção de que o Comandante faz o que pode, com o que tem. Na crise que vivemos, não existe milagre. Não vejo oficial mais qualificado, nestes tempos, do que ele, para conduzir a BM.

Aroldo Medina

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Nilva de Wallau Medina. 80 anos.


Nilva de Wallau Medina: oito décadas de vida. Acordei minha mãe hoje de manhã cedo, cantando parabéns. Ela abriu os olhos e, sorriu.
Dia destes, como de costume, entrei no quarto dela, informando meu roteiro de atividades programadas. Olhando-me, atentamente, observou que minha camisa estava amassada. "- Aroldo! Vai lá buscar o ferro que eu vou passar esta tua camisa". Minha mãe não consegue ficar de pé e caminhar há dois anos, em função de sua DPOC (Distúrbio Obstrutivo Pulmonar Crônico).
"- Mãe. Eu vou lá passar a camisa e venho te mostrar como ficou". "- Tira ela e trás o ferro que eu passo aqui na cama mesmo". Respondeu. "- Esta bem". Saí do quarto, localizei o ferro, peguei uma toalha de banho seca, dobrei-a como "mesa de passar" e vendo que o "passador" já estava quente, depositei-o sobre a camisa branca. Não demorou dois segundos para ver o "estrago". O ferro estava empoeirado e a camisa estava agora com uma bela mancha de sujeira.
Volto ao quarto da mãe. Perfilo-me e presto continência. Ela me olha. Analisa. Naturalmente vê que troquei de camisa e pergunta o que houve? Explico meu feito, ela balança a cabeça, lamentando o ocorrido e conclui: "- Preciso conseguir levantar dessa cama, logo".
Quase todas as tardes, tiro minha mãe da cama. Pego ela no colo e a acomodo em sua cadeira de rodas. Faço o chimarrão e proseamos sobre a Brigada Militar, política, história, não faltando assuntos domésticos. Quando levo ela de volta para o quarto, quase sempre protesta dizendo que estou fazendo força demais, pegando-a em meus braços. Não digo nada, apenas me lembro quantas vezes ela me carregou nos seus, quando eu era criança.
Que Deus esteja entre todos nós, nos abençoando com muita saúde e paz, harmonia e prosperidade. E, neste dia tão especial, agradeço ao grande mestre Jesus pela mãe que me concedeu, certamente, a melhor entre todas as mães, como cada filho deve considerar a sua, não deixando de presenteá-la com muitos beijos e carinho, todos os dias da sua vida.
Aroldo Medina

Meu pai e minha mãe.
Porto Alegre, Grêmio Náutico União, 1958.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Como agir em uma abordagem policial.

ABORDAGEM POLICIAL. O assunto que vou tratar é polêmico mas necessário. Um amigo, professor universitário, me ligou hoje a tarde, para relatar um incidente com a Brigada Militar que represento ao lado de centenas de próceres brigadianos da ativa e da reserva, cujo profissionalismo é exemplar.
Uma manobra no trânsito, próxima de uma viatura da BM, em deslocamento, ensejou a abordagem. De arma em punho, o PM determinou o desembarque do motorista abordado, procedeu a busca pessoal e revistou o carro. Nada encontrando, liberou o motorista, com uma advertência verbal sobre a manobra que ensejou a abordagem.
Relatando assim, sucintamente e, com objetividade, parece tudo certo. Porém, o problema surge quando a narrativa é complementada pela intempestividade verbal e corporal do policial armado.
Sempre oriento minha filha, amigos e amigas deste importantíssimo espaço virtual e, na vida real, a se portarem da seguinte maneira numa abordagem policial:
1) Atenda sempre todas as ordens verbais do policial que faz a abordagem. Ele pode estar sozinho ou acompanhado de outros policiais;
2) Não faça questionamentos ao policial ou qualquer movimento brusco, durante a abordagem e, principalmente, durante a busca pessoal e a revista do veículo. Busca pessoal é quando o policial revista a pessoa;
3) Ao parar numa barreira policial, desligue o motor e, a noite, acenda a luz interna, junto ao para sol do veículo;
4) Durante a abordagem responda com calma e clareza, a todas as perguntas do policial, mesmo aquelas que pareçam estranhas;
5) Terminada a abordagem, se houver necessidade, você pode perguntar o que motivou a abordagem. Se o policial não responder, não discuta com ele;
6) Caso considere a abordagem abusiva, não adianta discutir com o policial naquele momento. Se houver discussão, a situação tende a piorar. Sua melhor resposta é o silêncio e a educação, neste momento da abordagem.
7) Em caso de abordagem abusiva, tente ver o nome do policial. O nome deve estar bem visível na farda, como determina nosso regulamento disciplinar. Se não esta a vista é motivo de preocupação. O nome não estando visível, não pergunte-o ao policial. Preste atenção nas suas características físicas e observe bem sua viatura, procurando memorizar seu prefixo ou placa, marca e modelo de veículo, local e hora da abordagem. Com estes dados é possível identificar a guarnição. Procure então a Corregedoria da BM, cuja central fica na Rua dos Andradas, nº 522, no centro de Porto Alegre (RS);
8) Caso considere grave, algo que tenha acontecido durante a abordagem, procure uma Delegacia de Polícia e faça um registro sucinto e objetivo do que aconteceu.
O lado do policial que aborda. A arma em punho é recomendada sempre que haja uma fundada suspeita do policial, relacionada a pessoa abordada. Ela visa neutralizar uma possível reação agressiva do abordado, contra a integridade física do policial.
Embora sejamos formados e treinados para termos controle emocional absoluto, no exercício da profissão, isso se chama disciplina, associada a boa educação, com imparcialidade e razoabilidade, o policial seja civil ou militar no Brasil, tem exercido seu ofício em condições bem adversas.
No RS temos policiais sobrecarregados. Não há uma política de Estado para inclusões permanentes que deveriam ser anuais. Depois de 30 anos de serviço, os policiais, merecidamente, se aposentam e, não são culpados da crise financeira no Estado. Os que ficam na ativa trabalham por dois ou três, como esta ocorrendo atualmente. Disso decorre grande sobrecarga emocional. Ao lembrar isso, de maneira nenhuma quero justificar qualquer abordagem onde o policial meta os pés, pelas mãos.

Aroldo Medina
Tenente-Coronel RR da BM
30 anos de serviço policial militar

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Biblioteca da Brigada Militar reinaugurada hoje.

A reinauguração da biblioteca da Academia de Polícia Militar é mérito do atual comandante da APM, tenente-coronel Vitor Hugo Cordeiro Konarzewski, com o apoio de uma mão cheia de brigadianos interessados na difusão da cultura no meio militar, entre os quais incluo o comandante anterior da APM, coronel Antonio Osmar que no dizer da dona Terezinha, guardiã categoria gold de nossa biblioteca, são Comandos que se destacaram muito na preservação, ampliação e modernização deste espaço de aperfeiçoamento profissional, lazer, cultura e entretenimento do público militar e civil.
Aproveitei a ocasião para doar alguns livros novos a nossa biblioteca e uma coleção completa de jornais O Espadim, ligado à SACFO (Sociedade Acadêmica do Curso de Formação de Oficiais), órgão de divulgação dos cadetes da BM que fundei e editei a partir de 1987, depois de ser convidado para ser diretor do jornal pelo nobre cadete Marcio Ailto Barbieri Homem, presidente do saudoso diretório acadêmico dos alunos oficiais da Brigada Militar.
Darci Homem, no final de 1986, funcionário da CORAG (Companhia Riograndense de Artes Gráficas), com parque gráfico vizinho a APM, foi um grande incentivador, ao lado de outros colegas seus, no meu aprendizado em artes gráficas. Nessa época, eu e o dileto irmão José Henrique Gomes Botelho éramos focas na edição de jornais e revistas, indo nadar no lago hospitaleiro da CORAG, em horas vagas de atividade extra-classe, durante o CFO (Curso de Formação de Oficiais).
Aroldo Medina


terça-feira, 10 de novembro de 2015

61ª Feira do Livro de Porto Alegre

61ª Feira do Livro de Porto Alegre vai até o próximo domingo. Ainda dá tempo de visitar. Passei por lá hoje de novo, depois de cortar o cabelo, no Salão Dia e Noite que frequento há 30 anos, na Andrade Neves.
E, fui lá porque sentado na cadeira do Gringo, meu jovem barbeiro de 80 anos de idade, olhei para o lado e vi que seu colega, o Pedro, lia um livro de quase mil páginas sobre a 2ª Guerra Mundial, de Martin Gilbert, editado pela Casa da Palavra. Admirado, comentei que precisava de fôlego para ler um livro tão grosso.
O barbeiro, mais jovem que o Gringo, disse que estava acostumado a ler livros de mil e tantas páginas e, comentou com tanto entusiasmo o valor histórico e jornalistico do livro que lia, destacando um elogio do The New York Times que não resisti. 
Ao sair da barbearia fui atrás da obra na feira. Encontrei-a numa Cooperativa Estudantil ligada a Universidade Federal de Santa Maria por R$ 72,00 (setenta e dois) reais. Animado, saquei o Banricompras e botei a Segunda Guerra Mundial na sacola, junto com Sapiens, Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari, da L&PM, elogiado pelo The Guardian, adquirido por R$ 38,00.
Como diz o lema da 61ª Feira do Livro de Porto Alegre: livros nos ajudam a pensar. E, estamos mesmo precisando pensar muito, principalmente, como nos livrar de tanta corrupção encrustada em governos brasileiros.
Infelizmente, se percebe que o volume de vendas pode ser afetado, por conta do cinto apertado que nos impõe economia de guerra.
Aroldo Medina



sábado, 24 de outubro de 2015

Resgate de animais.

Minha filha Natália Medina, 19 anos, me ligou agora há pouco para pedir ajuda. Relatou que tem um cavalo precisando de socorro junto a BR 448, próximo do quilômetro 13 da rodovia, sentido capital interior. O equino está num atoleiro, caído. Suscita atenção das pessoas que passam por ali, entre elas, a estudante de medicina veterinária Flávia Motta.

Liguei para o 191 da Polícia Rodoviária Federal e relatei o fato reportado pela Natália, estudante de veterinária na UNIRITTER/FAPA Porto Alegre. O pessoal da PRF foi bem prestativo e me disseram que iriam verificar a situação no local, tentando localizar o proprietário do animal, para que este fizesse o resgate do cavalo. Não o encontrando pouco poderiam fazer, pois, não dispõe de equipamento para esse tipo de resgate e nem tão pouco para onde levá-lo, caso o capturassem, aliás, este um grande problema, atualmente, onde alojar o animal que necessita ser tratado e alimentado.

As prefeituras dos municípios por onde passa a BR 448, principalmente, Canoas e Porto Alegre, não tem dado a devida atenção a este tipo de problema. Sequer tem estrutura, equipamentos, transporte adequado ou plantão para dar suporte aos policiais que atendendo chamados da população podem fazer o resgate dos animais, desde que tenham os meios necessários.

Em se tratando de desatolar um equino de porte, não é pouca força que policiais e bombeiros tem que fazer para realizar o resgate. E, no caso relatado pela Natália, a curiosidade das pessoas que habitualmente desaceleram para olhar o que chama atenção ou até mesmo para prestar socorro, pode causar graves acidentes na rodovia.

Aroldo Medina
Tenente-Coronel da BM.


Em tempo: ontem recebi ligação de um amigo pedindo socorro da BM, para verificar maus tratos de animais praticados numa propriedade privada em Gravataí, Distrito de Morungava. Fiz contato com o 1º Batalhão de Polícia Ambiental da Brigada relatando o problema. Embora com efetivo bastante reduzido foram bem atenciosos e ficaram de comparecer na propriedade, a fim de verificar a situação.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

CEPGSP 2015

Hoje a tarde ocorreu nossa formatura no CEPGSP 2015 (Curso de Especialização em Políticas e Gestão de Segurança Pública), última graduação na carreira do oficial do Quadro de Estado Maior da Brigada Militar. A cerimônia com 53 graduandos ocorreu na Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre (RS).
Compartilho com todos a felicidade de conquistar, ao lado de outros próceres brigadianos, a honra de alcançarmos juntos, o título intelectual que só aumenta nossa responsabilidade com a segurança pública da Sociedade Brasileira, carente de políticas de Estado que valorizem mais a carreira policial dedicada a defesa da vida e do patrimônio de todos.
O curso foi realizado no período de 18 de maio a 25 de setembro de 2015, com uma carga horária de 360 horas focadas no aperfeiçoamento da gestão administrativa e operacional da missão constitucional da Polícia Militar.

Aroldo Medina



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Pescador de Ideias

Perdi o sono nesta madrugada. Creio que é comum perdermos o sono, hoje em dia. Afinal de contas, motivos não faltam para sairmos dos braços de Morfeu. Os perigos nos espreitam por todo lugar. Não temos segurança nem mesmo dentro de nossa caverna de madeira, de tijolos ou de qualquer outro material com a qual tenha sido construída. Nosso telhado nunca esteve tão vulnerável. Depois dos bandidos, temos pedras de granizo que podem arrebentar nosso sossego a qualquer momento.

Mas voltando ao sono perdido. Levantei da cama e fui procurá-lo dentro de Zero Hora. Por falar em hora, o relógio marcava cinco e trinta e sete da madrugada. E, pode ser uma madrugada de qualquer pessoa. Nosso sono vai continuar fugindo da gente, mesmo que estejamos em Marte. Há! Sim. A Zero Hora que peguei? Era deste último domingo, dia 18/10.

Sócrates em Paraisópolis, do professor Eduardo Wolf foi o artigo que capturou minha mente. Bem que meu sono poderia estar na famosa favela de São Paulo. Na verdade, lá era o último lugar onde deveria estar. Mas não perderia nada em dar uma olhadinha. Putz! Fiquei mais acordado ainda, depois de ler que uma comissão de especialistas do Ministério da Educação e Cultura do Brasil esta sepultando, se já não enterrou, o ensino da filosofia nas nossas escolas. Seria odioso pensar nesses especialistas do MEC como alguma espécie de assassinos da mente de nossa juventude, privando-os de conhecer Sócrates, Aristóteles, Pitágoras, etc. E por falar no Pitágoras foi ele que escreveu: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”. 

Aí perdi o controle dos meus pensamentos. Minha mente foi parar na frase do Collares falando sobre o preconceito, na página dez: “Sempre convivi com isso (preconceito). Devo ter enfrentado, mas ficava com pena de quem cultivava o preconceito, porque é uma degradação moral e ética da criatura não gostar do outro por causa da cor”. A lembrança destas frases de Alceu de Deus, fez meu pensamento saltar de novo e ir para minha infância. Lembrei da Guiomar. A Guiomar era empregada doméstica da minha mãe, em 1968. Eu tinha 4 anos. Lembro dela como se tivéssemos nos encontrado ontem. Ela era uma negra forte, 35 anos, sempre disposta. Estava sempre lavando nossa roupa suja, passando e limpando a casa. Ouvi a Guiomar dizer mil vezes que eu era o filho branco dela.

Eu amava a Guiomar igual minha mãe. Aí, lendo um jornal percebi que eu via e sentia a Guiomar pelos olhos e o coração da minha mãe que sempre tratou todas as quatro empregadas domésticas que tivemos ao longo de 50 anos, com muita educação, amor e carinho. A segunda empregada, também negra, minha mãe chamava de Comadre e o seu filho Manoel, o sentia como um irmão. A Janaína foi a última empregada que tivemos. Eu ainda contrato ela para uma faxina semanal. Quando a Janaína vem limpar a casa, eu cozinho para ela. Costumamos almoçar juntos.

Meu pensamento salta de novo e vai parar na frase da “V.” da página 24 que disse: “- Eu tirei só um. Até hoje eu me pergunto: Que burrada que eu fiz?” A “V”? ZH Dominical esclarece: “Faxineira, que ficou conhecida pela acusação de ter comido o bombom de um delegado, em Roraima”. O “V” pode ser de Vitória, Veridiana, Vera, Vilma ou talvez de Verdade.

Não. Não. Não. Procurar o sono em Zero Hora ou em qualquer outro jornal, não dá certo não. O sujeito fica cada vez mais aceso, se sentindo mais um pescador de ideias do que um discípulo de Morfeu. Menos mal. Melhor do que perder o sono é ficar sem consciência e, para isso o jornal é um bom remédio. Boa leitura! Sempre que perder o sono.

Aroldo Medina

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Uma menina de 80 anos.

Dia chuvoso. Mate pronto, cevado a capricho, temperado com marcela e anis. Um aroma bem agradável subiu com a água quente servida na cuia. Salguei a pipoca e, com a garrafa térmica em baixo do braço fui sentar com minha mãe, na varanda da casa. O olhar dela saia pela janela, fitando a chuva que se precipitava forte.
“- Este chimarrão está muito bom, Aroldo”. “- Feito pensando em ti, só pode ter ficado bom, mãe”. Ela sorriu enquanto o “Fan” (de Fantasma) se aninhava no colo dela.
“- Mãe, tenho uma boa para te contar. Final de semana que passou fui num aniversário. Cheguei numa loja para comprar o presente da aniversariante de 2 anos. Logo que cheguei no caixa, uma senhora octogenária, fez fila atrás de mim. Como a balconista já tinha começado a embrulhar o presente, fiquei meio sem jeito com a mocinha esperando”.
A balconista que se esmerava em enfeitar o pacote comentou que a “pistola de bolhas de sabão” comprada era um bom presente, apesar de ser uma pistola. Não me contive e querendo puxar conversa com a senhora que, pacientemente, aguardava sua vez na fila, eu disse que na minha infância, brincava muito com revólveres de espoleta, metralhadoras e espingardas que disparavam dardos emborrachados ou bolinhas de plástico e, nem por isso eu havia me tornado um bandido ou sentira vontade de matar alguém depois de grande. Diante do riso da balconista e da velhinha, eu disse, com orgulho que me tornara policial militar, colhendo a aprovação das duas.
Mas ainda querendo compensar a senhora que esperava atrás de mim, enquanto a balconista terminava o pacote, meus olhos pousaram sobre uma linda boneca. Parecia uma princesa. Seu vestido era bem colorido. Não resisti. Peguei a boneca e pedi para a balconista somar na conta e embrulhar para presente. A velhinha permaneceu com a tranquilidade dos justos, estampada no seu semblante.
Terminados os pacotes paguei e recebi os embrulhos. Olhei para a senhora que me fitava gentilmente e perguntei o seu nome: “- Lucilda”. “- Dona Lucilda! Permita compensá-la pela espera”. E, lhe alcancei a boneca. Surpresa, ergueu a cabeça me olhando com carinho, disse que não podia aceitar. 
Eu insisti que ela merecia e, também porque lembrava muito minha mãe, acrescentando: “E, naturalmente, porque a senhora é uma menina muito simpática e bonita”. Ela corou, aceitou a boneca e pediu para me dar um beijo e um abraço, o que me emocionou bastante, junto com todos na loja.
Já ia saindo na porta quando a menina de 80 anos me chamou de volta. “- Como eu vou explicar em casa, para o meu marido que ganhei esta boneca de um moço tão bonito como o senhor”?
Todos na loja responderam com muitos sorrisos, iguais aos que brotaram como um buquê de flores, no rosto da minha mãe.

Aroldo Medina


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Vai plantar batatas, Aroldo.


Como sempre faço todas as manhãs depois de acordar, fazer a higiene pessoal e tomar o café, com os cachorros de casa na volta, fui dar bom dia para minha mãe, prestes a completar 80 anos, no próximo dia 30 de novembro.
Amo muito minha mãe. Ela convalesce de um distúrbio pulmonar obstrutivo crônico que tolheu sua capacidade de caminhar e, até mesmo de ficar de pé. Permanece lúcida. Procuro diverti-la com conversas descontraídas.

Tive que rir, ouvindo minha mãe dizer quando não tinha o que fazer, ela ia pescar. Nessa época mamãe contava com mais ou menos oito anos e morava em Santo Cristo (RS), sua terra natal. No fundo do seu quintal tinha um rio, onde pescava lambaris. Agora descobri porque minha filha Natália Medina gosta tanto de pescar.
Fora d’água os peixinhos eram limpos pela minha avó Natália Mantovani de Wallau, salgados, fritos e degustados com um bom copo de água fresca. Mamãe lembra que de vez em quando tinha suco. Era uma delícia, segundo ela, comer lambaris fritos e beber suco.
A pequena Nilva gostava de andar a cavalo, “por tudo que era canto”, segundo a jovem amazonas. Meu avô Carlos Augusto João de Wallau encilhava o equino e, lá ia minha mãe andar pela cidade. Nove anos de idade, passeando a cavalo, no centro de Santo Cristo. Cruzava a praça, ao trote. Era permitido. Em seu passeio observava os poucos carros e as camionetas com carroceria de madeira que circulavam. Achava-os feios. Preferia o seu alazão. A Natália ama andar a cavalo.
Outro passatempo que a divertia muito era andar de balanço. Meu avô fazia balanços para as filhas. “- Certa ocasião eu tinha três, um melhor do que o outro”, garante minha mãe que raramente tinha amigas para brincar, em casa. Sua vida social era mais intensa no colégio, lembrando as freiras como umas “chatas”, porque nada as meninas podiam fazer. Tudo era feio ou proibido.
Na vida de mamãe também não faltavam cachorros. Eram três ou quatro, se a memória não lhe falha. Diz que não tinha preferência por comida. Comia de tudo. Vovó sempre foi uma boa cozinheira. Eu mesmo me tornei freguês assíduo da sua mesa, onde sentava feliz ao lado do meu vô, para almoçarmos ou jantarmos juntos, na década de 80, em Canoas quando meus avós maternos vieram morar ao lado de nossa casa.
Pergunto para minha mãe do que ela tinha medo na sua infância. Ela pensa, pensa, pensa e, não lembra ter medo de nada. Então a questiono do que ela tem medo hoje. Sem titubear, responde convicta que tem medo de ficar doente. Sente não poder levantar e ir fazer as coisas que tem vontade e, o seu olhar se perde no vazio do televisor ligado.
Eu levanto para sair do seu quarto. A mãe pergunta aonde eu vou. Respondo que estou indo escrever a sua história. Ela dá de ombros. Pergunta se eu não tenho coisa mais importante para fazer e, sugere que eu vá pegar um bom livro para ler. Reafirmo que vou escrever a sua história. Ela encerra a conversa dizendo: “- Aroldo vai plantar batatas”.
Nota do relator: na falta de fotos da infância de minha mãe, ilustro a postagem com fotos da Natália.

Aroldo Medina

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

CEPGSP 2015

Apresentei, hoje de manhã, na Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre, meu trabalho de conclusão do Curso de Especialização em Politicas e Gestão em Segurança Pública (CEPGSP 2015).

O tema do meu artigo científico foi: "A viabilidade de contratação de oficiais inativos da carreira de nível superior da Brigada Militar, voluntários para Prestação de Tarefa por Tempo Certo, em atividade exclusiva de Polícia Militar ou de Bombeiro Militar".

A banca de avaliação do trabalho foi constituída pelo tenente-coronel Darlan da Silva Adriano, Comandante do 8º Comando Regional de Bombeiros, com sede em Canoas e, pelo major com mestrado Vladimir Luis Silva da Rosa, Chefe da Divisão de Ensino e Treinamento do Departamento de Ensino da BM, meu orientador de conteúdo, junto com o tenente-coronel Vitor Hugo Cordeiro Konarzewski, Comandante da Academia de Polícia Militar, meu orientador metodológico que não pode estar presente em função de estar viajando a serviço da Força.

Foram assistentes os coronéis Claudio Núncio e Francisco Valle, integrantes do Grupo Centauro, o tenente-coronel Alexandre Pires Beiser, Chefe do Centro de Material Bélico da BM, entre outros oficiais e praças. Na foto participaram também o major Léo Acir Torres dos Santos, Diretor do Instituto de Pesquisas da BM e o tenente-coronel Marcelo Silveira Nunes, Sub-diretor do Departamento Administrativo da BM.

Tenente-coronel Aroldo Medina.

Nota: em minhas mãos o Certificado de apresentação do trabalho, com resultado APROVADO.

domingo, 20 de setembro de 2015

Campereadas na Brigada Militar.

O histórico mês de setembro, com muita chuva aqui no RS, aviva na memória, invernos passados. Aqui uma delas, andando pelas bandas da minha terra natal há cinco anos, em Santana do Livramento (RS). Não faltou chuva nem frio no caminho, nem tão pouco a velha hospitalidade gaúcha.

Aroldo Medina
Proseando com o tenente-coronel Alfredo Vila Nova, então Comandante do 2º RPMon.

Cavalos mecânicos contrastam com a paisagem dos pampas gaúchos.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Finalmente, uma boa notícia neste ano.


PREVIDÊNCIA DOS MILITARES DA BRIGADA MILITAR
Informação

Informa-se aos militares estaduais que, em razão de atuação do Comando-Geral junto ao Governo do Estado, no sentido de evidenciar a especialidade e essencialidade das atribuições constitucionais da Brigada Militar para a preservação da ordem pública, foram então os seus integrantes, militares estaduais, excluídos do Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 303/2015, o qual institui o Regime Próprio de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (RPP/RS), garantindo-se, assim, a manutenção da paridade e integralidade entre vencimentos e proventos de ativos e inativos. 
Coronel QOEM ALFEU FREITAS MOREIRA

Comandante-Geral da Brigada Militar

Nota: Transcrição para fins de registro histórico. Digno por se tratar de um assunto que incursiona no conceito fundamental de soberania interna do Estado. Parabéns! Nobre Comandante, coronel Freitas. O senhor conduz a BM num dos momentos mais difíceis da sua história.
Texto extraído do site da Intranet da Brigada Militar, no dia de hoje.
Aroldo Medina

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Wikipédia: doação e correspondência recebida.

"Em nome do meio bilhão de pessoas que leem a Wikipédia, e milhares de editores voluntários, e dos funcionários da Fundação, eu lhe agradeço por manter a Wikipédia online e livre de anúncios neste ano.
Obrigada". Lila Tretikov, Diretora Executiva da Fundação Wikimedia.

O trecho é de uma correspondência recebida, um dia após eu ter feito uma doação voluntária a Wikipédia. Doei um valor módico, depois de entrar no site desta enciclopédia livre, bastante democrática e, ler um banner convidando seus leitores a fazerem uma pequena doação.

Minha doação foi através de cartão de crédito, via Mercado Pago, após verificar a segurança desta transação eletrônica e entrar, por precaução, em minha conta do Mercado Livre.

Auxiliei a Wikipédia pelo mesmo motivo que contribuo também com o Greenpeace: a nobreza de sua causa, se mantendo independentes de patrocinadores tradicionais.


Aroldo Medina
Tenente Coronel da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul





terça-feira, 25 de agosto de 2015

Dia do Soldado Brasileiro

Minha homenagem e reconhecimento aos soldados brasileiros, de ontem e de hoje, das Forças Armadas e das Polícias e Bombeiros Militares. Rogo a Deus e ao mestre Jesus que os abençoem, iluminem e guardem de todos os perigos, ao lado dos seus familiares, concedendo a todos, muita saúde, prosperidade e paz.
E, como dizia em aula, aos meus queridos alunos na BM, onde ajudei a formar centenas: "Sejamos sempre soldados do bem e da paz, salvadores e defensores da vida, da democracia e da natureza". A guerra só nos causa dor, porém se a pátria amada ou as leis forem ultrajadas devemos lutar sempre com valor.
Em homenagem dos soldados defensores leais da verdade e do dever que nos intima a lutar na defesa da pátria que somos todos nós, ofereço uma grande apresentação de Inezita Barroso (1925-2015):


Aroldo Medina - Soldado Brasileiro, com orgulho.
Conscrito da FAB, em 1983.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Marcelo de Wallau da Silva

Excelente entrevista do major da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina, Marcelo de Wallau da Silva, sobre a questão da perturbação do sossego alheio, uma das ocorrências mais atendidas pelas PMs do Brasil. Na BM-RS não é diferente. E, por aqui, na frente desta ocorrência, somente briga entre as pessoas (a maioria entre casais), roubo e furto.

A ENTREVISTA do MAJOR WALLAU.


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Governo Federal bloqueia contas do RS.

Sem colher de chá, Governo Federal bloqueou as contas do Estado do RS, em função do atraso de alguns dias, no pagamento de parcela de R$ 280 milhões de reais, da dívida gaúcha, com a Fazenda Nacional. 

Enquanto isso o Governo Federal patina na corrupção, esbanjou BILHÕES em obras da Copa e na Olimpíada, jogou fora mais de 4 bilhões de reais na obra inacabada de transposição do rio São Francisco, abandonada e já apresentando problemas estruturais em vários trechos, como se pode ver no link que segue. 

E, ainda somos tratados como caloteiros, na chamada da notícia, em jornal nacional (Bom Dia Brasil, hoje 08:05 horas). Nós merecemos.

Aroldo Medina

Rio Grande do Sul: conta bloqueada.


Transposição do rio São Francisco: obra faraônica, inacabada.




Mais um exemplo de desperdício.
A lista de obras abandonadas no Brasil é grande.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Declaração de Fé em Deus.

Fui questionado, recentemente, com veemência, se eu acreditava que Jesus podia me proteger do Mal orquestrado em circunstancias torpes. Sem titubear, respondi que SIM, com 100% de certeza. 

E, acrescento: além de cristão, respeito todas as crenças e religiões, ocidentais e orientais, sem exceção. Tenho fé e creio em Deus, em Jesus Cristo, no Espírito Santo e nas Cortes Celestiais. 

E, alio-me, incondicionalmente, a todos os espíritos de luz que tem em sua obra, a prática regular do bem e da caridade.

Aroldo Medina

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Governo do Estado do RS em cheque.

No último dia 31 de julho, o Governo do Estado do RS decidiu parcelar/atrasar o pagamento dos salários dos servidores do Estado gaúcho. A medida revoltou o funcionalismo, especialmente professores e servidores da área da segurança pública que marcaram manifestações que ocorreram no dia de hoje.

De tudo que eu li, ouvi e vi, sintetizarei na postagem de um link para um programa de rádio e o artigo de um jornalista, para reflexão de meus leitores.

Cordial abraço, Aroldo Medina.

Ouça: Programa Esfera Pública da Rádio Guaíba.


O artigo é de Juremir Machado da Silva:

A ordem natural das coisas no governo gaúcho

Primeiro os políticos prometem mundos e fundos. Depois de eleitos, aumentam os seus salários. No RS, as coisas fundamentais foram resolvidas em primeiro lugar. Deputados, secretários e judiciário tiveram o “seu” garantido. O governador recuou no seu aumento de salário. Resolvidas as questões essenciais, impôs-se o discurso da crise. Em consequência, veio o parcelamento dos salários da plebe.
Por que não foram congelados os salários de deputados e secretários? Por que não se diminuiu o repasse ao Judiciário, que mantém seus privilégios como auxílio-moradia para quem tem casa? O judiciário cumpre a lei à risca quando se trata do “seu”. Mas deixa descumprir a lei do piso do magistério.
Por que não foram congelados os salários de deputados e secretários? Por que não se diminuiu o repasse ao Judiciário, que mantém seus privilégios como auxílio-moradia para quem tem casa? O judiciário cumpre a lei à risca quando se trata do “seu”. Mas deixa descumprir a lei do piso do magistério.
Os poderes são independentes? O dinheiro entra pelo caixa do executivo. Se o executivo pode descumprir a lei do piso e do pagamento integral dos salários alegando falta de recursos, por que não pode descumprir a lei do repasse ao judiciário pelo mesmo motivo? Falta dinheiro para o funcionalismo porque antes foram pagos os privilégios da casta dominante.
O governo do RS tem um ideólogo neoliberal, o economista Darcy Francisco dos Santos.
Ele tem um plano para o Estado: o desmanche. É preciso que a crise seja a mais grave possível para que o desmonte se justifique. Um secretário já disse em off: quanto pior, melhor. Um deputado já lamentou: como é que deixaram aprovar essa lei que exige plebiscito para privatizações de estatais. O ideólogo neoliberal do governo quer mudanças na previdência do Estado. Esse é o ponto central.
Ao contrário do que se diz, o governo sempre teve um projeto: diminuir radicalmente o tamanho do Estado. Tem também uma estratégia para atingir o seu objetivo: a ampliação da crise.
O ex-governador Tarso Genro garante que o governo pode pedir empréstimos de até 20 bilhões. O governo diz que não ou desconversa. Mesmo que seja possível, parece não interessar. Diminuiria a intensidade da crise?
O ideólogo neoliberal do governo aposta em privatizações, alteração da previdência, enxugamento de serviços e despesas. Considera que o combate a sonegação não dará resultados, que cobranças da dívida ativa não levarão muito longe e que renegociar a dívida com a União também não dará muitos frutos. A saída é cortar na carne. Na carne do funcionalismo. A culpa é da plebe.
O governo tem um projeto: realizar o que Britto começou e terminar o que Yeda Crusius tentou e não conseguiu. Privatizações, alteração de plano de carreira do magistério e modificação radical da previdência.
Deixar a segurança à míngua parece fazer parte do plano para, com o caos e o medo que dele será derivado, apavorar a população e criar as condições para o “ajuste”.
Quem quiser saber para onde vai o governo, preste atenção no que diz o seu ideólogo neoliberal, Darcy Francisco dos Santos. Para ele, ao que parece, o funcionalismo gaúcho ganha mais do que o Estado pode pagar e se aposenta cedo demais.
Como Estado, no seu entender, pelo que se pode compreender, deve ser como empresa e não gastar mais do que arrecada, a conclusão é óbvia: diminuir serviços, cortar benefícios, vender patrimônio, aumentar a idade para aposentadoria, cortar pensões por morte para viúvas jovens, etc. Coisas que o governo tucano de Dilma Rousseff também começou a fazer com seu ajuste fiscal.
E até mesmo aumentar impostos ainda que isso contrarie a ideologia e constranja os parceiros.
Esqueça-se a ideia de que Sartori elegeu-se sem um projeto. Ele apenas não o declarou.
O seu projeto pode ser rotulado, numa perspectiva favorável, de diminuição do tamanho do Estado.
Ou Projeto de Reforma Estrutural do Estado. Numa perspectiva desfavorável, atende pelo nome de desmanche do Estado. O Inter e o RS estão no começo do desmanche.
O governador Sartori precisa seguir o futebol. Na hora da crise, o comandante precisa ser o primeiro a falar. Em coletiva. Para que possa ser questionado.

sábado, 25 de julho de 2015

Minha despedida da ativa da Brigada Militar.

Esta semana, tive a grata satisfação de receber das mãos do coronel Alfeu Freitas Moreira, Comandante Geral da BM, em seu gabinete, a medalha Estrela de Reconhecimento da Brigada Militar, em ato formal de minha despedida da ativa da Brigada Militar, dia 20 de julho de 2015..

Tudo o que disser aqui é pouco para agradecer ao Comandante, toda sua atenção e gentileza. É um cavalheiro do mais alto quilate profissional, moral e espiritual. A Brigada está em muito boas mãos.
Em seguida, recebi do dileto amigo e veterano do Curso de Formação de Oficiais, coronel Antonio Osmar, chefe de gabinete do Comandante Geral, uma cópia integral dos meus assentamentos, 564 páginas encadernadas. Uma grande honra! Fiquei muito feliz com a deferência recebida que saberei honrar até meu último dia de vida.
Retribuí à Brigada Militar, dando de presente uma bíblia ao Comandante, para compor o acervo do seu Gabinete, expressando minha mais absoluta gratidão por tudo que vivi na ativa da honrosa Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Sul, em trinta anos de efetivo serviço, defendendo a vida e o patrimônio do valoroso povo gaúcho.

Ainda distribuí a todos os presentes, uma cadernetinha com a oração do sagrado coração de Jesus e um cartão postal com a oração de São Francisco de Assis, como uma lembrança desta cerimônia.
Compartilho este sentimento de felicidade e gratidão à Brigada, com todos.
Deus e o mestre Jesus estejam com todos e, sempre no meio de nós, abençoando, protegendo e iluminando nosso caminho.

Aroldo Medina


                                              O diploma: