sexta-feira, 31 de julho de 2009

Carlos Evandro Alves da Silva




Ontem recebi uma ligação do Evandro. Consultou-me sobre um procedimento da BM. O Evandro é um amigo estimado. Um cidadão e empresário gaúcho exemplar. Líder no seu ramo gráfico. É assíduo na FIERGS. Inteirado da situação que o Evandro me participou, liguei para colegas da Brigada. De lá para cá fiz algumas reflexões e lembrei de uma história que vivi na BM.

Fui encarregado de fazer um inquérito policial. Um jovem bandido preso pela Brigada, denunciou que foi agredido por um dos PMs que o prendeu. Foi preso minutos após praticar um roubo, contra um casal no Parque da Redenção, em Porto Alegre, botando uma faca no pescoço de uma moça. Levou sua bolsa e o celular do namorado que a acompanhava. Convoquei o soldado para ser ouvido sobre o caso e ele admitiu ter de fato usado da força para dominar o ladrão que tentou escapar a prisão. Depois de ouvir o soldado fui na FASE (antiga FEBEM) ouvir o jovem preso.

Cumprida a missão, retornava para o quartel quando paramos a viatura para dar lugar a passagem de um carro que vinha no sentido contrário. A rua era muito estreita. A motorista teve que desviar da viatura. Ao desviar, olhou para nós e nos disse um "senhor palavrão". Fomos atrás dela. A motorista entrou no pátio de uma escola. Entramos atrás. Descemos e, sem meias palavras perguntei? - Porque a senhora nos ofendeu? A motorista desconversou e disse que estava nervosa. Botou a culpa no trânsito. Pedi seus documentos e do veículo. Ela atendeu. Logo vi que estava com o licenciamento do veículo vencido.

Em seguida, percebi também que já estava cercado de professoras e pela própria diretora da escola que se apresentou. Para me certificar, perguntei a motorista se ela era professora. Assentiu com a cabeça. Informei a ela que seu licenciamento estava vencido. Ela mostrou-se muito surpresa. Informei que isso era menos grave do que desrespeitar um policial em serviço, como ela havia feito.

A professora, pálida, não sabia o que fazer. Tranquilizei-a dizendo que aceitava um sincero pedido de desculpas pela ofensa proferida contra nós, como reparação do dano. Ela, educadamente, recomposta, pediu desculpas, encabulada. Aceitei. Em seguida disse a professora que tinha muito respeito por ela e suas colegas de trabalho. Delas depende nosso futuro como nação pelo fortalecimento da Educação. Sempre estimei meus professores. É uma classe de trabalhadores que deve ser muito mais valorizada no Brasil.

A professora quis saber então o que eu faria com o carro dela. Perguntou se eu iria recolhê-lo. Ficou surpresa quando respondi que não, junto com todas suas colegas. Expliquei, se eu recolhesse seu carro, inevitavelmente, ficaria contrariada com a Brigada, junto com suas colegas presentes. Ansiosa perguntou já afirmando que estava liberada. Respondi que sim, com uma condição. A professora com novo ar de surpresa indagou que condição seria essa. Simples, eu disse. A senhora deverá pagar o seu IPVA nas próximas 24 horas e me apresentar o comprovante de quitação, no 9º BPM, onde sirvo. No dia seguinte, lá estava a professora, visitando o quartel, sorridente, com seu IPVA pago, segundo me relatou um colega oficial que recepcionou a professora. Eu não estava no momento da sua visita. Para não haver dúvidas, a professora deixou uma cópia do comprovante de pagamento com meu colega que o fez chegar as minhas mãos.

Gostaria que os meus colegas da Brigada não tivessem recolhido e ainda multado o funcionário do Evandro que dirigia uma doblô da Print Press Indústria Gráfica, ontem, em Cachoeirinha, porque o carro não tinha licenciamento para trafegar. A multa e o recolhimento não são o primeiro, nem o único recurso nessas horas. Meus irmãos brigadianos agiram de acordo com a mais absoluta legalidade e profissionalismo mas, pela experiência que possuem, tem discernimento e elementos para saber se podem ou não confiar no condutor e propor uma legalização imediata da sua documentação.

No caso do funcionário do Evandro, ele estava com o IPVA devidamente pago, mas o Sistema do DETRAN, informou aos meus colegas da BM que o veículo não estava licenciado, em razão de um acidente de trânsito.

Um motorista embriagado colidiu com a camioneta do Evandro que mandou consertá-la através da sua seguradora. No registro deste acidente constou que o dano nos veículos foi de grande monta. Nem a seguradora e nem tão pouco o Estado informaram adequadamente o Evandro que este veículo, para voltar a trafegar, deveria ter passado por uma vistoria após seu conserto e a nota fiscal das peças, apresentada no DETRAN.

Dissabores da vida, dirão alguns. Fatalidades dirão outros. Eu digo que o Estado, a polícia a que pertenço e, todos nós devemos internalizar o conceito de cidadania todos os dias e, sempre que possível usar a gentileza e o bom senso como bússola em nossas ações diárias.

Um grande abraço a todos. Aroldo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A Brigada Militar pode fazer muito mais




"Ao ingressar na Brigada Militar do Estado do RS, prometo regular minha conduta pelos preceitos da moral, dedicar-me inteiramente ao serviço policial militar, a manutenção da ordem pública e a segurança da comunidade, mesmo com o sacrifício da própria vida".

Fiz este juramento em 21 de abril de 1986, quando recebi o Espadim Tiradentes, em solenidade na Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre.

Passaram-se quase 25 anos do meu ingresso na BM, desde então. Eu e tantos outros colegas brigadianos que, igualmente, fizeram este juramento, permanecemos fiéis a estas palavras. Entre aqueles que honraram a palavra, muitos já partiram para outra dimensão de vida.

Sinto orgulho de ser policial militar. A carreira me realizou pessoal, espiritual e profissionalmente. Aprendi muito na lida diária com meus irmãos da Brigada. Perdi a conta de quantas pessoas socorremos juntos. De quantos agentes do crime enfrentamos com abnegação e coragem que imantou meu corpo, emanada dos policiais que tive a honra de comandar, defendendo a vida e o patrimônio de milhares de gaúchos.

Olho meus irmãos brigadianos, aqueles do bem, policiais militares de caráter elevado, a grande maioria e sinto que são heróis em sua faina diária. Tem o menor salário de polícia no Brasil e ainda assim permanecem firmes no combate a criminalidade.

Poucos tem moradia digna. A maioria vive em condições humilde, como o valoroso povo brasileiro. Completam sua renda familiar trabalhando mais uma jornada de horas fora da BM, arriscando a vida fazendo, na maior parte das vezes, segurança privada, em fármácias, mercadinhos, postos de gasolina e outros estabelecimentos comerciais.

Meus irmãos da BM estão endividados. Recorrem a empréstimos para manter as contas em dia. O Banrisul é nosso maior credor. Um contingente enorme de brigadianos paga ao banco dos gaúchos, não raras vezes, mais da metade do salário, todos os meses, convertendo-se em segura fonte de lucro. Felizmente existe o Banrisul para nos socorrer e endividar. Não fosse o banco, estaríamos nas mãos de agiotas o que seria muito pior. Os gerentes do Banrisul nos socorrem tanto quanto socorrem o restante do funcionalismo do Estado que busca remédio no banco que nos ampara.

Poderia ser diferente. Uma melhor gestão do Estado, certamente, resultaria em melhor desempenho econômico que poderia ser aplicado na valorização do seu funcionalismo. Esta lógica convertida em melhor qualidade de serviços públicos a população.

Creio que povo brasileiro faz a sua parte. Pagamos nossos impostos. A carga tributária do país na esfera municipal, estadual e federal, permite ao Estado a arrecadação de generosas quantias. Nada mais justo do que toda esta riqueza gerada pelo trabalhador brasileiro ser aplicada em benefício coletivo, sem maracutaias.

Não podemos continuar ignorando a política e muito menos os políticos que regem nossos destinos por quatro anos, a cada nova eleição ocorrida no Brasil. Conhecer a vida e o caráter do candidato que mais se encaixa em nossas expectativas são passos decisivos para termos uma vida melhor.

Montando esse quebra cabeça todo, creio que a própria Brigada pode fazer muito mais na defesa da sociedade, contra os bandidos que hoje progridem em todo o Brasil. Políticas de Estado permanentes, voltadas para a área de segurança pública e seus integrantes, independente de governo, assim como vale para a educação no Brasil, é o primeiro passo para vencermos essa guerra declarada pelos agentes do crime contra todos nós.

Outro fator que pesa contra nós policiais é que também não conseguimos manter um representante eleito, oriundo de nossos quadros, de reconhecido saber e experiência policial, para falar de igual para igual entre deputados ou mesmo membros do Poder Executivo Estadual ou Federal. Alguém que tivesse o poder político de um mandato para conduzir com eficiência e eficácia, entre os políticos, a causa popular da segurança pública.

O tema é longo. Não quero cansar mais o leitor que chegou até aqui. Concluo dizendo que por mais difícil que possa parecer o enfrentamento da problemática delineada nas linhas acima, ainda confio na capacidade de entendimento das pessoas de alguns pontos aqui abordados e tenho, francamente, esperança de que possamos encontrar numa união de forças, sempre à luz da democracia, líderes que possam nos conduzir com segurança na solução dos problemas sociais de nosso país. Depois de um Bush também pode vir para nós um Obama!

É só prestar bem atenção nos candidatos que estão por vir. Tem muito enrolador que se vende bem, mas que não resiste a um olhar atencioso de nossa parte. Minha dica é: olho nos enganadores! Sinta o candidato. Olha bem na linguagem corporal dele. Compara com o "modus operandi" dos vilões das novelas. Dá para perceber similaridades na forma de se comunicarem. Não deixe de consultar o professor Google. Abençoado seja. Ele é fantástico! A imprensa livre é uma das maiores aliadas desse professor.

Experimenta antes de votar, colocar o nome do candidato na tela desse professor sabe tudo e usa umas palavrinhas do tipo: operação, Polícia Federal, denunciado, caixa dois, etc. Usa a criatividade! E vê no que vai dar. Não se surpreenda com o resultado! Por outro lado, pode também ter boas notícias. Aí são outros 500!

As fotos que ilustram esta postagem são das Patrulhas Táticas Especiais do antigo Batalhão de Polícia de Choque da BM, no final dos anos 90. Tive a honra de ter sido o primeiro comandante dessas patrulhas e de seus aguerridos policiais combatentes, como 1º tenente da BM. As PATRES foram criadas para dar apoio aos nobres PMs de todas as Unidades da BM que enfrentam, diariamente, os agentes do crime, em Porto Alegre.

Um abraço cordial, Aroldo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Politicômetro da Revista VEJA. Muito interessante!




POLITICÔMETRO

Nessa época em que a quase totalidade dos partidos políticos no Brasil entraram para dentro de um liquidificador e ligaram o pulsar do aparelho, em nome do que convencionaram chamar de governabilidade, o baromelítico inventado pela Revista Veja e o sociólogo Alberto Almeida permite a nós que ficamos do lado de fora do caneco do misturador doméstico citado, sabermos que espécie de ingrediente político individual podemos ser nesse sistema político. Um sistema que tem se mostrado devorador de homens e mulheres, especialmente os que nele ingressam sem o caroço do caráter.

Boa prova! O teste é individual, não vale colar e quanto mais sinceridade nas respostas, mais fidedigno é o resultado. Um forte abraço, Aroldo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Uma escola de jornalismo chamada Espadim



No final do ano letivo de 1986, já me considerava aluno do 2º ano do CFO (Curso de Formação de Oficiais) da Brigada Militar. Este curso não existe mais, infelizmente. Antes de terminar o ano houveram eleições acadêmicas. O aluno Barbieri foi eleito presidente da SACFO (Sociedade Acadêmica) do CFO. Entrei em férias, com o convite do presidente eleito para ser o diretor do jornal dos cadetes, na sua gestão. Como de praxe fui me acantonar em São Gabriel, terra do meu pai. Na viagem pela BR 290, em direção a fronteira oeste do RS, meu pensamento estava fixo no jornal O Imparcial, periódico mais antigo da Terra dos Marechais. Malas desfeitas, vestindo roupa de domingo de missa, anunciei minha chegada na redação do jornal gabrielense. Recebido como autoridade pelo gentil e atencioso editor, era notícia na edição seguinte. Cadete da BM visita redação do Imparcial, buscando estágio em suas férias para fazer tablóide na Academia de Polícia Militar.

Assim, em São Gabriel comecei a cultivar vocação jornalística, iniciada como diretor do jornal do Grêmio Estudantil Maria Auxiliadora em 1981, em Canoas, quando fiz um meio ofício, mimeografado, depois de passar pela censura da irmã Claudia, nossa monitora.

O ano letivo na BM reinicia em fevereiro de 1987 e, na primeira quarta-feira vaga, visito a CORAG (Companhia Riograndense de Artes Gráficas), em Porto Alegre, localizada ao lado da APM-RS, para buscar novo estágio na confecção de jornais. Durante o CFO tínhamos a quarta-feira à tarde, livre de aulas quando não ficávamos de serviço na guarda ou detidos por algum deslize do tipo: janela suja ou cama mal arrumada, entre outras faltas do gênero.

Os funcionários da CORAG receberam eu e o Botelho, meu colega de turma, de braços abertos. Permitiram que nós acompanhássemos o processo de confecção dos jornais elaborados pela hospitaleira companhia. A CORAG passou a ser nossa segunda escola. Quando não estávamos na Academia, nas horas de folga, nos metíamos entre os gráficos, a aprender a fazer jornais. Em julho de 1987, lançamos O Espadim. Um tablóide de oito páginas, impresso em papel jornal, nas cores preto e branco, com 2 mil exemplares. Lançamos o jornal na Academia, com direito a notícia nos dois grandes jornais gaúchos, Zero Hora e Correio do Povo. Nos sentimos realizados.

Fazíamos tudo no jornal. Éramos repórteres, fotógrafos, íamos atrás do anunciante, não raras vezes, criávamos o anúncio também, captávamos o recurso, pagávamos a edição e saíamos a rua para distribuir o fruto de tanto trabalho. Às vezes também pagávamos alguns trotes para alunos veteranos que se incomodavam com nossa imprensa acadêmica fazendo algumas críticas, sempre com bom humor e responsabilidade, a cultura organizacional da vida em caserna.

O jornal que sempre teve a aprovação do Comando da Academia e o incentivo dos oficiais do Corpo de Alunos, nunca sofremos censura, serviu para aprimorar nossa capacidade de pensar, escrever e interagir com os acontecimentos mais importantes da BM e onde ela se inseria em nosso universo acadêmico.

Saí da Academia da BM convicto de que minha próxima faculdade seria a de jornalismo.

Na foto, as seis edições que elaboramos ao longo de 18 meses que tiveram seqüência em outras turmas de cadetes que nos sucederam, na nobre missão de editar O Espadim. Aroldo Medina.

sábado, 25 de julho de 2009

Turma de Comunicação Social da ULBRA 1991



Seguindo a tendência de resgate da memória das turmas que integramos ao longo da vida, faço referência e reverência, aos meus colegas de comunicação social da ULBRA, curso no qual ingressei em 1991, após prestar o exame vestibular. Tive a satisfação de integrar a primeira turma nesta área, aberta naquele ano pela Universidade Luterana do Brasil, no seu campus de Canoas. Optei pelo jornalismo. Início de ano letivo, sempre ocorriam as apresentações. Quando eu dizia que era "brigadiano", no meio dos meus jovens colegas, surgia aquele "ar" de estranhamento. Hoje, seria o mesmo que declarar voluntariamente ser portador da famosa gripe A, dentro de uma sala de aula fechada. Quarentena direto. Felizmente, meus colegas deram-me a oportunidade de mostrar-lhes que eu não era um " ser de outro mundo".

No segundo ano, fui eleito presidente do Diretório Acadêmico de Comunicação Social. O DAFACUL. Disputei a eleição com o Sílvio Ayala, grande colega, inteligente e irreverente. Um líder por natureza, ao lado do colega Eduardo e tantos outros. Meu vice, eleito também, Fábio Camargo, igualmente um homem de grande valor. Nunca nos desentendemos naquela época e, até hoje. Capoeirista respeitadíssimo e professor de educação física, nos tornamos amigos. Recentemente tornou-se pai. Integrava nossa equipe ainda, o Sandro, a Rita, a Denise, entre outros nobres colegas. Assim como me aceitaram como tenente da Brigada, ensinaram-me a conviver com as diferenças próprias de uma juventude mais liberal. Tivemos acentuada participação no movimento estudantil da época. Ganhei até uma cadeia na Brigada, por essa participação. Uma hora dessas eu conto essa história.

Nossa coordenadora de curso, a querida professora Sandra, conduzia a todos nos com muita sabedoria e gentileza. Era uma harmonizadora, por excelência nas relações humanas e inter pessoais. Meu sentimento foi não ter podido concluir o curso ao lado de meus colegas da ULBRA. Aguentei a mensalidade até o 5º semestre, em 1994, depois fui obrigado a parar porque meu salário de tenente, por volta de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), na época, mal dava para manter as contas em dia, com a Universidade.

Mesmo sem diploma, segui fazendo o que já gostava de fazer: escrever, editar livros, jornais e revistas. O que continuo fazendo até hoje, nas minhas horas de folga na BM. A recente decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a carreira jornalística, encoraja-me a pedir a compreensão de meus colegas que se formaram, para sob sua máxima censura, procurar a Delegacia Regional do Ministério do Trabalho visando homologar minha inclusão no registro dos profissionais do jornalismo, o que me honrara muito. Aposentado na BM, certamente irei concluir este curso e ainda outros. Sinto-me jovem ainda e com disposição para ser sempre útil à sociedade e, não vejo melhor forma de servir do que dedicar tempo ao estudo e a educação. São ações que não perdem o seu valor nunca.

Aos meus colegas da ULBRA, deixo fraterno abraço e a certeza de que tivemos um grande aprendizado juntos. Aos internautas que aqui navegam neste instante, fica meu encorajamento para que persigam seus ideais com determinação e coragem, nunca desistindo da realização de seus sonhos. Um forte abraço, Aroldo.

Na foto, visitamos o Memorial RBS, em Porto Alegre, 1993.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Turma de Aspirantes 1988 da BM




Ao lembrar dos colegas de turma da FAB, com quem tive a honra de servir em 1983, a consciência intima o coração a falar da Turma de Aspirantes 1988 da Brigada Militar que, igualmente, tenho a honra de integrar. Homens de bem, cada qual com seus valores pessoais e uma característica especial que o distingue perante os demais irmãos de caserna. As Escolas e os cursos de formação em geral, sejam civis ou militares, tem essa força de amalgamar as pessoas. Quanto maior o tempo de convivência juntos, maiores tornam-se os laços das pessoas entre si. A amizade, a confiança e o companheirismo surgem como grandes alicerces nas relações que se estabelecem. O tempo passa e apesar da distância que muitas vezes ocorre entre os membros de determinado grupo, parece que os laços ficam até mais fortes. Creio que isso se deve pelo nosso amadurecimento e pela experiência de vida. A saudade de tempos que não voltam nunca mais, nos tornam mais humanos. Mesmo diferenças pessoais que outrora existiram tendem a esvair-se como uma névoa que passa.

Em curso, queríamos que o CFO terminasse logo. Era muita pressão para nos forjar policiais militares, com inúmeras responsabilidades. Pressão necessária, na medida certa. Tínhamos o "aspirômetro". "Aspirômetro" não era nenhuma engenhoca de fazer faxina (risos). Era a contagem regressiva que anotávamos no quadro de giz para registrar quantos dias faltavam para a formatura. Não acreditávamos quando nos diziam, os veteranos, que sentiríamos saudade. Estavam certos. Tempo bom que não volta mais. Sou culpado sim quem pensa que sou saudosista. Ninguém é perfeito. Mas o que é o homem sem suas memórias. E boas memórias. Penso que muito do que nos tornamos é resultado delas. É dever dos pais construir junto com seus filhos boas memórias. Memórias saudáveis. A sociedade seria melhor.

Grandes irmãos da Turma de Aspirantes 1988 da Brigada Militar. Saúdo fraternalmente, cada um de vocês. Que Deus nos ilumine sempre, proteja e guarde ao lado de nossos familiares e amigos, para que possamos prosseguir na árdua missão de defender a sociedade, como juramos em nossa formatura, mesmo com o sacrifício da própria vida, em memória e respeito aos irmãos de nossa turma que já partiram. Um forte abraço a todos colegas e visitantes desta página. Aroldo.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Serviço Militar





Hoje estive no QG do V COMAR em Canoas. Fui à serviço da Brigada. Encontrei um colega de turma de 1983, ano em servi à Força Aérea Brasileira. O Ivan me trouxe boas lembranças do nosso tempo de recruta. Tempo bom. Hoje o QG do V COMAR não forma mais recrutas. Uma pena. A atribuição é exclusiva da Base Aérea. Até o recrutamento não é mais feito diretamente pela FAB. O jovem comparece numa Junta Militar, atualmente funcionando nas prefeituras e faz seu alistamento militar.

No meu tempo compareci direto no QG do V COMAR, onde queria servir. Fiz meu alistamento e me submeti ao processo de seleção. Paguei os pecados, pois, muitos queriam servir. A seleção era dura. Passávamos correndo para cima e para baixo. Pagando apoios. "Rolando e ralando" para a direita e para a esquerda. Rastejamos um montão. Ouvimos gritos dos sargentos instrutores para desistir. Alguns se foram. Outros ficaram. Passado o período de seleção médica e física, incorporamos. Finalmente! O recrutamento era feito de aulas de segurança de instalações vitais, moral e cívica, armamento e tiro, disciplina e respeito, patriotismo, muita faxina, ordem unida, marchas e treinamentos para o sete de setembro.

Tirávamos plantão no alojamento, no início e depois no corpo da guarda do quartel. A comida era super boa. Tinha até refrigerante, no almoço e na janta. Nos servíamos à vontade. Quando de serviço ganhávamos sempre um lanche. Normalmente, uma "merendinha" (lembram da merendinha?), um iogurte, frutas (maçã ou banana) e o famoso Chá, popularmente, serviço num panelão e chamado de "brochante"! Os sargentos da instrução eram exigentes e ao mesmo tempo camaradas. Exemplares na conduta. Gostava de todos. Lembro com saudade dos sargentos Peixoto, Baigorra, Bissolotti, Alcendino, Altamar, do cabo Clênio e do S1 Bergamim, entre outros. Militares de grande valor moral. O Brasil tem grandes soldados. Foram instrutores inexquecíveis. Meus jovens colegas de turma, cada um tinha o seu valor pessoal. Por onde andarão o Escobar, o Antunes, o Passos, o Augusto, o Armindo, o Oliveira, o Aurélio, o Milane, o Camargo, o Vitalino, o Bagatine e tantos outros. Queria poder voltar no tempo e viver tudo de novo.

Cheguei em casa e fui catar fotos do tempo de recrutamento para escanear e colocar aí, para meus amigos e amigas visitantes deste espaço.

O sargento Ivan trouxe todas estas boas lembranças. Ao nos despedirmos, apertei firme a mão do Ivan. Em seguida, ele se perfilou e prestou uma continência, caprichada e bem sincera, batendo firme com a palma da mão estendida, na coxa da sua perna direita. Foi tão espontâneo que me emocionou, contive-me. Retribui com a melhor continência que um major pode fazer a um sargento com coração de brigadeiro. O serviço militar é uma escola. Uma escola de cidadania e camaradagem! O Brasil têm nas Forças Armadas uma grande reserva de valores nacionais. Um abraço a todos, Aroldo.

As fotos. Na primeira, estamos à margem do rio dos Sinos, em Canoas, posando para a foto, após uma marcha de 10 quilômetros, em novembro de 1983. Todo mundo inteiro.

Na segunda foto, "coisas de recruta", em outubro de 1983, no pátio interno do QG do V COMAR, em Canoas, onde tem esse globo terrestre. Como todo jovem com ideais, a vontade de mudar o mundo ou quem sabe levá-lo nas costas! Tarefa difícil.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Helio Moro Mariante




Uma pessoa que contribuiu muito em minha formação na Brigada Militar foi o coronel Hélio Moro Mariante. Conheci o coronel já na reserva. Eu era cadete da BM, segundo anista. Fui convidado para fazer o jornal dos cadetes. Em 1987, procurei o coronel, no seu apartamento, na rua Jerônimo Coelho, nº 95, no centro de Porto Alegre, depois de saber que ele foi diretor literário, como cadete por volta de 1941, para ouvir suas histórias como editor do jornal da sua época. Fui super bem recebido. Enquanto conversava com o coronel Mariante, em sua biblioteca, a dona Silésia, sua esposa, nos servia um gostoso chá ou um bom café, com biscoitos. Uma delícia. Sinto saudades do coronel. Uma pessoa que transpirava bondade e simpatia, ao lado de sua simplicidade envolvente. Escreveu inúmeras obras, entre as quais destaca-se "Crônica da Brigada Militar", em 1972. Um grande livro onde conta a história da BM. Até hoje me esforço para seguir seus passos como historiador, junto com outro mestre, Osório Santana Figueiredo, de São Gabriel.

Creio já ter chegado a 2% do saber dos mestres. Homens de saber e valor notório, caráter robusto, humanitários. São modelos de conduta para mim. Às vezes me pego pensando por que os governantes, em vez de nomear parentes ou amigos próximos, por que não chamar homens com o perfil do coronel Mariante, do seu Osório ou de tantos outros historiadores para terem assento ao seu lado, nos Palácios ou mesmo nas Assembléias, para deles se aconselharem antes de nos colocarem em caminhos duvidosos.

O coronel Mariante nascido em 21 de dezembro de 1915, na cidade do líder Germano Rigotto, Caxias do Sul (RS), partiu para outra dimensão de vida, aos 90 anos de idade. Deixou um legado de boas obras, familiares e amigos, com muita saudade.

As fotos.
Numa das fotos estão eu e meu irmão Adroaldo Medina, ao lado do coronel Hélio Mariante, no Café Colonial Bela Vista, do Gerardo Fontenelle, na Cristóvão Colombo, em Porto Alegre, em 11 de agosto de 1992. Fomos tomar um café que organizamos para confraternizar como amigos e eleitores do deputado Jarbas Lima, presente.

Na outra, ano 2.000, levei minha filha Natália, na ocasião com 4 anos de idade, para visitar o estimado mestre, quando já residia no Residencial Pedra Redonda, do hospitaleiro amigo Henri Chazan, localizado na zona Sul de Porto Alegre. Aroldo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Responsabilidade política





Por falar em boas lembranças, entre tantas que guardo em meu acervo pessoal, estão estas que compartilho com os amigos leitores deste espaço. São memórias de quando concorri ao governo do Estado, em 2002. Campanha em andamento, meados de agosto, chega no comitê, espontaneamente, um casal acompanhado do filho pequeno, 6 anos de idade e pede para falar com o candidato. Apareço bem empolgado já visualizando a possibilidade de conquistar mais dois novos votos. O pai vai logo me atalhando e dizendo que é o filho deles quem quer me conhecer. Olho para o pequeno eleitor e estendo-lhe a mão, ao que corresponde prontamente me apertando a mão. O menino não perde tempo e vai logo dizendo que vai votar em mim. Sorrio largamente com sua autenticidade. Em seguida, pede para sua mãe um papel que ela traz na mão. A folha passa rápido por suas mãozinhas que me entregam o papel com um dos braços bem estendido. Pego a folha com carinho e passo a ler. Não demora muito para perceber do que se trata. Meus olhos me traem e são embaraçados por um colírio natural, inevitável quando nos emocionamos. Abraço o menino. Esqueço dos pais por uns instantes. Refeito, pergunto ao pequeno cidadão se ele pode me dar aquela folha de lembrança dele, como um presente para mim. Ele olha para o pai, depois lança um olhar para sua mãe, pensa um pouco e, finalmente, faz que sim com a cabeça. O pai entra no assunto. "- Quando o senhor aparece na televisão ele corre para vê-lo. Não perde um programa seu". Minha mente foge. Divaga longe, numa reflexão sobre responsabilidade política.


Escola Fazendinha

Entre tantos estabelecimentos de ensino que tive a honra e satisfação de conhecer, está a Escola Fazendinha, zona sul de Porto Alegre, cujo público é constituído por crianças de tenra idade, onde minha filha iniciou seu processo de socialização escolar aos 4 anos de idade. Lá conheci o Tio Conde, um cidadão de porte avantajado que transpirava simpatia. Um personagem que encarnava com perfeição, era a figura do Papai Noel escrito nas melhores histórias. O Tio Conde se transformava no bom velhinho, todos os finais de ano, na festa de natal da Fazendinha. As crianças adoravam. Eu apelava aos meus irmãos do Corpo de Bombeiros da BM, muito requisitados nessa época, para dar uma carona ao homem de roupa vermelha e longa barba branca, para ele chegar às crianças em grande estilo, num carro de bombeiros. Tinha também a Magda, psicopedagoga da escola que estava sempre pronta para auxiliar os pais, com sábias orientações e cuidados no trato com as crianças, ao lado de monitoras da escolinha, sempre muito carinhosas com os pequenos. Essa turma toda brindou-me com o telegrama que ilustra essa postagem, recebido logo após a divulgação do resultado do 1º turno da eleição, na primeira semana de outubro de 2002.

Este contexto todo me leva a afirmar, embora muitos possam achar ingênuo ou mesmo simplório demais o depoimento (de fato as mensagens são simples, diretas, objetivas) mas são gigantes na sua carga de idealismo, um valor desacreditado quando se fala em política, nos dias de hoje. De minha parte, digo que são manifestações como estas que imagino devam também estar na memória de muitos políticos que antes de se deixarem seduzir pelo poder e se desviar do seu caminho original, deveriam lembrar da confiança dos seus eleitores.

Por fim, quero dizer ao Gabriel e aos seus pais e a todos da Fazendinha e tantos outros cidadãos que estas mensagens especiais serão combustível eterno em meu coração, para fazer sempre o melhor possível, como dizem os escoteiros, na construção de uma sociedade com mais educação e qualidade de vida para todos. Um abraço fraterno, Aroldo.

Orgulho de mãe



Álbum de família é bom de ver. Quanto mais antiga a foto, o sabor da saudade é mais intenso. Aí está minha mãe, bem orgulhosa. Dá para notar, não é? Filho formado. Aspirante da BM. 18 de novembro de 1988, Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre. Achei que não ia terminar esse curso nunca. O CFO (Curso de Formação de Oficiais) era de três anos. O primeiro ano parecia que não passava nunca. Vida de bicho é fogo. Igual a faculdade. Primeiros semestres parecem ser mais longos, depois vão encurtando. Chega o dia da formatura, a família toda lá, reunida. Os pais "gavando" os filhos e os filhos bem faceiros com os pais. Minha mãe é culpada de eu ser militar. Ela me levava para assistir os desfiles da semana da pátria, desde que eu tinha dois anos. Adorava. Deu no que deu. A culpa do meu interesse por política é dela também. Muito crítica, ligada nas notícias, passava analisando os governos. Comecei a prestar atenção neles também e, confesso nos meus 45 anos de vida, muito poucos me agradaram. Um abraço a todos os visitantes desse espaço, Aroldo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Arnaldo Jabor, Luciano Pires e os Fantasmas da Net

Corrigindo um equívoco. Essa Internet é fantástica e perigosa. Recebi um e-mail de um amigo. Colega da Brigada. Um bom policial. Mandou para meu e-mail um texto do Arnaldo Jabor elogiando o RS. Empolgado com a generosidade das palavras do Arnaldo, de quem também sou fã, logo despachei ele para este recente BLOG que o amigo Rosa impulsionou-me a criar. Não demorou muito para outro grande amigo, Roberto Cohen, um expert em TI (Tecnologia da Informação), mantenedor da famosa página do gaúcho (www.paginadogaucho.com.br), mandar-me uma mensagem me perguntando qual a fonte do texto que eu havia postado e se eu tinha me certificado de que o texto era realmente do Arnaldo. Pronto! A pulga foi para trás da orelha.

Voltando do quartel, cheguei em casa e, depois de jantar, comecei acessando espaços do Arnaldo buscando seu texto Jabor e o RS e vi que a prática de usar o seu nome para "esquentar" textos tem antecedentes. Não encontrei nenhum dos dois textos que publiquei. Então acessei o novo site do Sindirádio do RS. Escrevi para seus líderes indagando sobre a tal palestra que o texto menciona. Não satisfeito, consciência pesada, apelei para o professor Google. Ali encontrei o site de Luciano Pires e um texto de sua autoria intitulado "Virei Jabor", publicado na Internet em 23/08/2007, segundo se pode confirmar no site do Luciano. O Luciano escreve ainda que o redator do texto em tela, Jabor e o RS, se baseou em um texto da sua lavra denominado: "De onde virá o grito".

Bem, diante das evidências, podemos formular algumas hipóteses. O texto do Luciano sofreu alguma espécie de mutação e virou Jabor, sem o conhecimento do próprio Jabor. Coisas da Internet. Pode ser algum anta-vírus eletrônico ou algum desses conhecidos fantasmas de Internet agindo nas sombras do ciberespaço. Pode, de outra banda, se tratar de algum guerrilheiro romântico, tentando fazer uma revolução para elevar a auto-estima do gaúcho que está em baixa, com tantos escândalos políticos, atualmente em curso no RS. Bem, também pode ser o próprio Arnaldo que de fato escreveu o texto depois de ler o Luciano que tem grande lavra de ótimos textos no seu site, e se inspirado nele! Desculpe a brincadeira, Arnaldo! Ou outra hipótese que meu cérebro de aprendiz não pode alcançar no momento.

Li o texto do Luciano Pires em: www.lucianopires.com.br/script/artigos/abre_artigo.asp?cod=90

Dei boas risadas, com o bom humor do novo autor que descobri. Um escritor com carisma literário. Agora devo receber resposta do Sindirádio do RS dizendo que a tal palestra nunca existiu. Vou deixar a postagem anterior aí, para que minha barrigada possa talvez servir de alerta aos outros internautas de boa fé, para, como me abriu os olhos o Cohen, ir mais devagar, checar as fontes antes de comprar o produto, evitando os artistas que querem nos servir com o chapéu dos outros. O lado bom é que a cópia pirata ou não e o seu criativo escritor me levaram até o Luciano Pires que passo a ler com prazer. Aroldo Medina.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Arnaldo Jabor e o Rio Grande do Sul



Recebi e-mail do amigo Rogério Amaro Mendonça, veterano soldado da Brigada Militar e um prócer líder comunitário da zona norte de Porto Alegre. O texto que o Amaro me mandou, versa sobre o Rio Grande do Sul, na visão de Arnaldo Jabor. Pesquisando na Internet, encontrei um outro texto interessante da lavra do renomado escritor. Não é de hoje que admiro sua irreverência servida com farta inteligência. Costuma ser ácido com os políticos de nossa pátria. O Arnaldo é uma consciência viva da nação. Ler o Arnaldo é tomar um banho de conscientização política. Não imaginava que gostava tanto de nós, gaúchos. Creio que ele nos olha de cima. Tem uma visão macro e ao mesmo tempo altruísta do que somos. É muito generoso com a gente. Não sei se vivesse aqui, teria essa opinião sobre o RS, pois, nossa imagem anda abalada com tantos escândalos políticos que se instalaram por aqui. Parece que estamos perdendo o foco das virtudes que o Arnaldo vê no povo brasileiro que habita essas terras do extremo sul.

Talvez esteja errado em pensar assim, mas confesso aos meus irmãos e irmãs deste Estado, minha vergonha do que tem acontecido nesta terra que amamos tanto: o Brasil e o RS. Porém, o Arnaldo está a nos animar. A dizer o quanto acredita em nós. Fazendo uma massagem cardíaca literária em nosso coração que há de bombear novo oxigênio para nossas mentes, carregado dos valores que o Arnaldo destaca na obra verbal que ergue em nossa homenagem, a seguir transcrita e que aumenta nossa responsabilidade moral com todo o Brasil.


Arnaldo Jabor fala sobre o RS.

O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam “que horror”. Sabem do roubo do político e falam “que vergonha”. Vêem a fila de aposentados ao sol e comentam “que absurdo”. Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem “que baixaria”. Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram “que medo”. E pronto! Pois acho que precisamos de uma transição “neste país”. Do ressentimento passivo à participação ativa.

Pois recentemente estive em Porto Alegre, onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou. Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém. No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do SINDIRÁDIO, uma surpresa: abriram com o Hino Nacional. Todos em pé, cantando. Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul. Fiquei curioso. Como seria o hino? Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra! “Como a aurora precursora, do farol da divindade, foi o vinte de setembro, o precursor da liberdade...”

Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem. E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem. Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado. Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é “comunidade”.

Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é... Foi então que me deu um estalo. Sabe como é que os “ressentimentos passivos” se transformarão em participação ativa? De onde virá o grito de “basta” contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil? De São Paulo é que não será. Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo. Os paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção. São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem “liga”. Cada um por si e o todo que se dane. E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes.

Penso que o grito - se vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa “liga”. A mesma que eu vi em Porto Alegre. Algo me diz que mais uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira. Que buscarão em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo. Que venham, pois. Com orgulho me juntarei a eles.


Os Gaúchos

O Rio Grande do Sul é como aquele filho que sai muito diferente do resto da família. A gente gosta, mas estranha. O Rio Grande do Sul entrou tarde no mapa do Brasil . Até o começo do século XIX, espanhóis e portugueses ainda se esfolavam para saber quem era o dono da terra gaúcha. Talvez por ter chegado depois, o Estado ficou com um jeito diferente de ser.

Começa que diverge no clima: um Brasil onde faz frio e venta, com pinheiros em vez de coqueiros, é tão fora do padrão quanto um Canadá que fosse à praia. Depois, tem a mania de tocar sanfona, que lá no RS chamam de gaita, e de tomar mate em vez de café. Mas o mais original de tudo é a personalidade forte do gaúcho. A gente rigorosa do sul não sabe nada do riso fácil e da fala mansa dos brasileiros do litoral, como cariocas e baianos. Em lugar do calorzinho da praia, o gaúcho tem o vazio e o silêncio do pampa, que precisou ser conquistado à unha dos espanhóis.

Há quem interprete que foi o desamparo diante desses abismos horizontais de espaço que gerou, como reação, o famoso temperamento belicoso dos sulinos. É uma teoria - mas conta com o precioso aval de um certo Analista de Bagé, personagem de Luis Fernando Veríssimo que recebia seus pacientes de bombacha e esporas, berrando: "Mas que frescura é essa de neurose, tchê?"

Todo gaúcho ama sua terra acima de tudo e está sempre a postos para defendê- la. Mesmo que tenha de pagar o preço em sangue e luta. Gaúcho que se preze já nasce montado no bagual (cavalo bravo). E, antes de trocar os dentes de leite, já é especialista em dar tiros de laço. Ou seja, saber laçar novilhos à moda gaúcha, que é diferente da jeito americano, porque laço é de couro trançado em vez de corda, e o tamanho da laçada, ou armada, é bem maior, com oito metros de diâmetro, em vez de dois ou três.

Mas por baixo do poncho bate um coração capaz de se emocionar até as lágrimas em uma reunião de um Centro de Tradições Gaúchas, o CTG, criados para preservar os usos e costumes locais. Neles, os durões se derretem: cantam, dançam e até declamam versinhos em honra da garrucha, da erva-mate e outros gauchismos. Um dos poemas prediletos é "Chimarrão", do tradicionalista Glauco Saraiva, que tem estrofes como: "E a cuia, seio moreno/que passa de mão em mão/traduz no meu chimarrão/a velha hospitalidade da gente do meu rincão." (bem, tirando o machismo do seio moreno, passando de mão em mão, até que é bonito).

Esse regionalismo exacerbado costuma criar problemas de imagem para os gaúchos, sempre acusados de se sentir superiores ao resto do País. Não é verdade - mas poderia ser, a julgar por alguns dados e estatísticas. O Rio Grande do Sul é possuidor do melhor índice de desenvolvimento humano do Brasil, de acordo com a ONU, do menor índice de analfabetismo do País, segundo o IBGE e o da população mais longeva da América Latina, (tendo Veranópolis a terceira cidade do mundo em longevidade), segundo a Organização Mundial da Saúde. E ainda tem as mulheres mais bonitas do País, segundo a Agência Ford Models. (eu já sabia!!!rss) Além do gaúcho, chamado de machista", qual outro povo que valoriza a mulher a ponto de chamá-la de prenda (que quer dizer algo de muito valor)?

Macanudo, tchê. Ou, como se diz em outra praças: "legal às pampas", uma expressão que, por sinal, veio de lá. Aos meus amigos gaúchos e não gaúchos, um forte abraço!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Brigada é a Geni



O jornal Zero Hora fez uma reportagem equilibrada sobre moradores de rua abordados pelo 9º BPM. A matéria publicada dia 18.04.08 suscitou manifestação da designer Kátia Ozório classificando o trabalho da Brigada como uma ação equivocada, em artigo veiculado no jornal Zero Hora, dia 19.04.08. A leitura da opinião da designer fez lembrar a música do Chico Buarque, Geni e o Zepelin. A Brigada atende todo mundo, nas mais diferentes situações. Além do policiamento ostensivo que procura fazer mesmo com pouquíssimas viaturas, brigadianos e brigadianas em número cada vez menor, estas as verdadeiras razões que fazem as pessoas esperarem em algumas ocasiões pela BM, atende desde ocorrências policiais, até os casos mais inusitados. Faz parto em viaturas quando faltam ambulâncias. A Brigada leva pessoas doentes para os hospitais, não cobra corrida e, o paciente que chega ao hospital acompanhado da polícia dificilmente fica sem atendimento. Requisitada nas emergências, doa sangue aos enfermos. Pega jacaré em quintal. Captura cobra dentro de casa. Vive prendendo bandidos, diariamente, que voltam as ruas na semana seguinte. Socorre pessoas acidentadas. Combate incêndios. Mergulha nas piores condições para procurar afogados. Salva incontáveis vidas nos verões ensolarados. Embrenha-se nos matos procurando desaparecidos. Já dirigiu ônibus e caminhão de lixo em Porto Alegre, em greves das categorias. Participa das Forças da ONU, em missões de paz. Vela seus inúmeros mortos tombados no combate ao crime. Entre tantas histórias, conto mais uma delas. Certa feita estava de serviço junto ao 190 e uma atendente me passa uma ligação, onde uma senhora pergunta se posso mandar uma viatura na casa dela para desligar o forninho do seu fogão. A senhora visitava uma amiga na zona norte de Porto Alegre e morava no Lami, zona sul. Havia esquecido o forninho ligado e deixado a chave da sua casa, na vizinha que não tinha telefone. Autorizei uma viatura ir desligar o forninho! Nos arredores de Santa Maria e Itaara chamam a Brigada para atender fenômenos envolvendo discos voadores. No interior de nosso Estado também chamam a Brigada para caçar “chupa cabras pampeiros” e outras feras que atacam ou dilaceram animais domésticos. Casa mal assombrada ou algum demônio que rouba o sossego público, ladrões de cemitério, lá também está a Brigada caçando fantasmas. Chamar a Brigada para tirar mendigo da rua, é mais uma, entre mil missões que a BM responde presente. Uma simples leitura do Decreto Lei 3.688 de 03/10/1941 – Lei das Contravenções Penais, artigos 37, 42, 59, 60, 61, 62 e 68 que tratam de perturbação do sossego alheio, mendicância, vadiagem, embriaguez, ofensa ao pudor, sujeira em lugar de acesso público, recusa de identidade, independente dos antecedentes criminais da pessoa abordada, dão amparo legal a BM para atender aos chamados das pessoas importunadas por moradores de rua que também respeitamos. Em meus 22 anos de Brigada só testemunhei a Corporação recusar uma “ocorrência”. Era semana da pátria e, alguém resolveu fazer “cocô” no palanque. Chamaram um soldado da Brigada para limpar. O soldado chegou, olhou para a “evidência” e arrematou com toda calma: “- É com o DMLU”! Deu as costas e voltou para o patrulhamento no seu posto. É por tudo isso que foi inevitável sentir um grande desconforto cultural como policial, ao ler a opinião da dona Kátia Ozório, opinião que me fez lembrar de imediato a letra da música do Chico e de todo o seu contexto, comparando-a com as missões de polícia e reescrevendo a letra em minha mente: “Joga a pedra na Brigada, Ela é feita pra apanhar, Ela é boa de cuspir, Ela atende qualquer um, Maldita Brigada”! Aroldo Medina.

Artigo publicado pelo jornal ZH em 24 de abril de 2008, página 28.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

BM e Wianey Carlet


Recebi hoje em meu e-mail da BM a Coluna do Wianey Carlet. O artigo versa sobre a BM e torcidas, no caso em pauta, do Grêmio, por sinal o time que abracei em minha infância. O pensamento do comentarista esportivo do Grupo RBS é solar. Aquece a cabeça do torcedor com uma luz saudável. O sangue flui nas artérias do cérebro trazendo idéias carregadas de oxigênio. Traz, inclusive, uma breve, porém oportuna e imparcial reflexão sobre a nova intempestiva proposta de extinção da Justiça Militar do Estado do RS. O texto do Wianey me fez lembrar do Sebastião. Sebastião Rodrigues Filho foi meu colega de turma na Academia de Polícia Militar, entre 1986 e 1989. Há exatos 20 anos escreveu um artigo exclusivo para nossa revista de formatura, a Brigada em Revista, onde alertou na página 66, sobre ensaios já naquela época, de extinção da Justiça Militar no RS. O bom senso e a razão prevaleceram e a Justiça Militar sobreviveu. Tenho o maior respeito e consideração pelo trabalho insubstituível de nosso conceituado Tribunal de Justiça que hoje defende a extinção de nossa JME. Se um dia for ameaçado o TJ-RS ou mesmo o Poder Judiciário, serei o primeiro gaúcho a guardar a sua porta contra aqueles que o quiserem ofender, quiçá destruir. Sem a Justiça não somos viáveis como civilização em lugar nenhum do planeta. Ainda tenho esperança que nossos desembargadores e deputados estaduais possam sim ajudar a aperfeiçoar a Justiça Militar Gaúcha que de fato precisa se atualizar sob a orientação da magistratura do Brasil, jamais extingui-la. Sua extinção iniciará o princípio do fim da disciplina militar como há conhecemos hoje. A BM sucumbirá sob sua própria sombra e, traduzindo o espírito do artigo do jornalista, um poderoso escudo de defesa da sociedade está se perdendo, sem saber o que vamos colocar no seu lugar.

A seguir transcrevo o pensamento de Wianey Carlet, publicado na página 53 do jornal Zero Hora, edição 16023 de 07 de julho de 2009.

BM e torcidas

Existe forte inconformidade por parte da Geral do Grêmio contra a direção do clube. As lideranças do grupo concluem que a Brigada Militar “está mandando no Olímpico” e os dirigentes estão sendo omissos. Acostumaram-se ao que acontecia, em passado recente, quando a BM sequer entrava no meio da torcida. Havia um extravagante acordo entre o policiamento e os torcedores. Mudaram os comandantes da corporação e modificaram-se as práticas. Não é preciso lembrar o nível de violência que se instalara nas arquibancadas, talvez por efeito da grave omissão da BM. Hoje, a Brigada impõe regras e pune, quando são desrespeitadas. Duvido que os torcedores que vão ao Olímpico apenas para torcer, que não atiram objetos no campo e nem soltam rojões, se sintam prejudicados. Os dirigentes do Grêmio não podem afrontar a BM. O Grêmio precisa do policiamento e o trabalho está sendo bem feito.

Não contem comigo para qualquer forma de pressão sobre a Brigada Militar. É verdade que houve excessos no jogo contra o Cruzeiro. Mas, apesar de eventuais erros, a BM é a única garantia de segurança que resta ao cidadão gaúcho. Em vez de tentar enfraquecer a instituição, a hora é de todos os gaúchos abraçarem a causa da Brigada. Existe uma ameaça real contra nossa polícia militar. Neste país, já tentaram “regulamentar” a imprensa (censura), mas recuaram diante da reação. Depois, quiseram desarmar a população, mas o povo resistiu e disse não. Agora, tentam acabar as polícias militares dos Estados. Eliminar os tribunais militares e desmilitarizar a BM e outras corporações é acabar com todas, colocando no lugar não se sabe o quê.

A Brigada desempenhou papel relevante em vários momentos. Se Brizola estivesse vivo, deflagraria uma revolução em defesa da BM. Porém, o que se vê é a indiferença e o que se escuta é o silêncio omisso. Tentem imaginar o RS sem uma Brigada Militar altiva e com a sua hierarquia respeitada. Conversem sobre o assunto, pensem. E os torcedores, tratem de entrar na linha. Respeitar as regras é respeitar, acima de tudo, os demais torcedores, imensa maioria, que querem seguir desfrutando o direito de ir aos estádios em paz. Aceitar as normas é oferecer às famílias a prerrogativa de comparecer aos jogos, torcer pelos seus times e voltar para casa sem sobressaltos.

Repito: não contem comigo para atacar a Brigada. Tampouco entendam que fecharei os olhos para deslizes que, eventualmente, sejam cometidos por brigadianos. Existem imagens mostrando que, em alguns momentos, soldados se excederam. É dever do comando identificá-los e puni-los. Mas também é imperioso reconhecer que em tumultos sempre acaba apanhando algum inocente. Aliás, vi a imagem de um torcedor dando uma voadora sobre um imenso cavalo. Inacreditável. Impõe-se que cada parte reconheça os seus erros.

Saibam os torcedores que os estádios são requisitados pelas federações, CBF, Conmebol ou Fifa. A autoridade dos clubes, nestas ocasiões, é limitada. A Brigada nem teria a obrigação de fazer o policiamento interno, já que os clubes cobram ingressos e nem um centavo é repassado à polícia militar. Logo, se a BM se dispõe a trabalhar onde não tem o dever de estar, é aceitável que imponha regras. O resto é rebeldia sem causa.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O Recreio


O Recreio é uma filmagem espontânea, realizada na Escola Estadual de Ensino Fundamental RGS, localizada no distrito de Santo Amaro, no município de General Câmara (RS). Fazíamos uma vistoria nas instalações da Brigada Militar existentes na cidade. O Comandante da BM, em General Câmara, o tenente Quintana visitou o Departamento de Logística e Patrimônio da BM, em Porto Alegre, para pedir reformas no velho prédio da extinta RFFSA que a BM ocupa na cidade. Após um longo dia de trabalho, o tenente Quintana nos levou para conhecer o distrito de Santo Amaro, um ponto turístico de General Câmara, de histórica fundação portuguesa. Após visitar a Igreja local e as ruínas de um antigo fortim, descobrimos a Escola de Ensino Fundamental Rio Grande do Sul. Era hora do recreio e as crianças, ao verem que filmávamos a localidade, ficaram eufóricas e, naturalmente, não podíamos frustrar sua expectativa em participar de nosso "proto-filme". Assim, produzimos "O Recreio", 11 minutos de boa diversão e um modesto tributo às crianças que encantam nossa vida com sua pureza e simplicidade. General Câmara, 18 de junho de 2009. Aroldo Medina.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Aroldo na visão de Osório


Revendo alguns arquivos pessoais encontrei este texto do seu Osório. Tomo a liberdade de publicá-lo neste espaço, embora seja um pouco mais longo do que os textos habitualmente publicados em blogs. É o testemunho de um grande amigo, mestre e orientador permanente que visito toda vez que vou em férias para São Gabriel (RS). Seu Osório foi muito generoso com as palavras, o que aumenta minha responsabilidade moral com todos os que tiverem a bondade de lê-lo.

TEXTO DE POSSE NA AHIMTB E IGTFRS
Academia de História Militar Terrestre do Brasil e
Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore do RS

Colégio Militar de Porto Alegre, 26 de maio de 1999.


Saudação do Acadêmico Osório Santana Figueiredo ao acadêmico Aroldo Medina.


Serei sempre, sumamente grato, por ter sido convidado pelo nosso presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, historiador, coronel Cláudio Moreira Bento, para apresentar o currículo do novo acadêmico desta Instituição, capitão Aroldo Medina.

Sigo a ascendência deste jovem escritor, desde sua adolescência. Seu pai, Ivo Medina, nosso contemporâneo, hoje de saudosa memória, residiu com sua família, no sub-distrito do Cerro do Batovi, município de São Gabriel (RS).

Foi lá, concorda Aroldo Medina, que a partir dos cinco anos, sentiu o fluxo de inspiração criadora, pela contemplação diária do lendário Cerro do Batovi. Sua visão solitária e dominante na lonjura da coxilha em volta, tem o encanto nostálgico da evocação distante de outras eras. É fascinante. Naqueles lugares hermos encontram-se pedaços marcantes da história do Rio Grande do Sul, da história do Brasil e da América do Sul. Seu chão está adubado pelo sangue dos guapos defensores das nossas fronteiras em luta com os espanhóis, pois, foi por aquele divisor de águas que passava a linha divisória entre Espanha e Portugal, determinada pelo Tratado de 1777. É também o local onde foi fundada a legendária cidade de São Gabriel, em 1800, igualmente conhecida como "Terra dos Marechais".

Todo aquele cenário telúrico, palco histórico do passado, criou tradições, inspirou lendas, gerou costumes locais, empolgando o menino Aroldo, que sentiu em si o despertar de um talento criador que inundou-lhe a alma e o cérebro imaginoso, com a curiosidade do saber, uma faculdade dos designados para serem os artistas das palavras que laminam as páginas dos acontecimentos e, registram a saga dos povos para a posteridade.

Temos que o historiador, como o escritor, são os tabeliães do tempo, sem os quais, os povos não teriam memória, nem fronteiras demarcadas, nem línguas definidas, nem definições simbólicas, nem a bandeira nacional, nem o cântico dos seus hinos, nem o sentimento pátrio, nem a consciência do passado, nem a noção do presente, nem o descortino do futuro. Uma turba desmemoriada, simplesmente.

Mas o criador, na sua sabedoria infinita, não os quis assim. E deu ao homem a inteligência criativa, dotando-o de vocações predestinadas, aureoladas pelo saber, a fim de alargar os conhecimentos do ser humano. Cremos sim, que todo aquele que cria, gera ou desenvolve uma obra em benefício da humanidade, está entoando um hino de exaltação à glória de Deus.

Aroldo Medina é filho do gabrielense Ivo Medina e de dona Nilva de Wallau Medina, prenda das missões. Nasceu em Santana do Livramento, à 31 de março de 1964. Possui uma filha, Natália Medina, porto-alegrense com dois anos de idade.

Ao revermos o currículo de Aroldo Medina, surpreendeu-nos sua ascensão literária, com uma produção fértil e permanente. Inovando, atualizando, construindo, participando ou associando-se àqueles que estão divulgando e difundindo as letras e a história rio-grandense, com pertinácia e determinação obstinadas. É um idealista que faz do seu trabalho, uma obra de aspiração nobre, eficiente e operoso.

Aroldo Medina após passar pelos estudos escolares, assentou praça no QG do V COMAR, em Canoas, grande Unidade da Força Aérea Brasileira. Depois, ingressou na Brigada Militar, como cadete, em 1986. Na Academia de Polícia Militar teve início, então, sua caminhada de propenção literária, sendo escolhido para ser diretor do jornal da agremiação estudantil dos cadetes. Durante as férias em São Gabriel, o cadete Medina veio a colaborar com o antigo Jornal "O Imparcial", buscando aprimorar sua vocação jornalística.

No ano de 1987, fundou o Jornal "O Espadim", órgão de informação oficial da SACFO (Sociedade Acadêmica do Curso de Formação de Oficiais da Brigada Militar). O periódico, teve larga aceitação entre os cadetes e a oficialidade da Corporação. Daí para frente alinharam-se as oportunidades onde vem desenvolvendo na área de imprensa, a par de incansável capacidade de organizar e produzir literatura de grandeza elucidativa, um grande trabalho de utilidade pública e de relevante conteúdo histórico.

Escreveu "Brigada em Revista", 1989; elaborou "Estatuto" para o movimento estudantil gaúcho, 1993, enquanto estudante de jornalismo na ULBRA, em Canoas. Foi um dos editores da revista "Hyloea" do CMPA, em 1995. Convidado, é um dos fundadores do atual "Correio Militar do Sul", órgão de divulgação oficial do Comando Militar do Sul e, atualmente, é o editor do "Manual da Brigada - Guia de Serviços do Comando de Policiamento Metropolitano".

Como oficial da Brigada Militar, integrante da Turma de Aspirantes 1988, vem procurando enaltecer sua Corporação com seu brilhantismo profissional, ao exercer funções dignificantes, como cadete na Academia de Polícia Militar, oficial de relações públicas, comandante de pelotão e secretário no 9º e 11º Batalhões de Polícia Militar, Companhia Independente da Restinga e Batalhão de Operações Especiais, e, atualmente, como analista do Centro de Operações Policiais Militares do Comando de Policiamento Metropolitano. Exerceu ainda, função de sub-diretor do Museu da Brigada Militar, por três anos e, trabalhou um ano como secretário do Instituto de Pesquisas da PM gaúcha. É acadêmico do Curso de Jornalismo na ULBRA (1991/1994), tendo freqüentado cadeiras de teoria da história no Curso de História na mesma Universidade, em Canoas. Tornou-se também responsável pela edição de jornais e revistas de temas técnicos, históricos e que narram o cotidiano de organizações militares, periódicos vinculados à Brigada Militar e Forças Co-irmãs, reconhecidos e apreciados por seus integrantes.

Esteve à disposição do Colégio Militar de Porto Alegre, por um período de seis meses, onde realizou relevante trabalho de valor histórico, na assessoria de comunicação social deste Estabelecimento de Ensino do Exército. Em 1995, como frisamos, participou da elaboração da Revista "Hyloea", edição de incalculável valor histórico que teve repercussão polêmica, sem consistência justificável. É correspondente do jornal "O Casarão da Várzea", órgão de divulgação oficial do Colégio Militar de Porto Alegre e articulista do jornal "Correio Militar do Sul".

Fez estágio na Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas, sobre edição de jornais, livros e revistas, em 1987. Integra a diretoria da Revista Unidade, publicação de assuntos técnicos-científicos de Polícia Militar, desde 1991, ano em que lança seu primeiro livro, contando os 50 anos da Sociedade dos Cadetes da Brigada Militar. Em 1993, participa como cronista do jornal mais antigo de Canoas, "O Timoneiro", é correspondente da Associação de Diretores de Jornais do Interior do RS e exerce o cargo de presidente do Diretório de Estudantes de Comunicação Social da ULBRA. Em 1994, recebe o título e a insígnia correspondente de Colaborador Emérito do Exército, das mãos do Comandante Militar do Sul, General de Exército Délio de Assis Monteiro. Vem participando de vários encontros, seminários e congressos culturais, tanto no Estado do RS, como em São Paulo e Brasília.

Sem dúvida é um escritor por excelência, o escultor das palavras, capaz de perenizar atos e fatos na textura da linguagem escrita. Já dizia José de Alencar: "A palavra, esse dom celeste que Deus deu ao homem e recusou ao animal, é a mais sublime expressão da natureza. " - E, interpretamos nós que, se dado por Deus, esse dom literário, ninguém poderá tirá-lo.

A Academia de História Militar Terrestre do Brasil foi feliz e justa, ao incorporar entre seus membros o novo acadêmico, capitão Aroldo Medina, jovem escritor e historiógrafo que vem se impondo no campo literário por seus próprios méritos, uma esperança que se acentua cada vez mais, prometendo e será por certo, uma fulguração na literatura rio-grandense e brasileira. A Academia foi igualmente justa, ao empossá-lo na cadeira que tem por patrono, Hélio Moro Mariante, historiador de elevada grandeza, justamente porque o jovem acadêmico é o seu mais fervoroso discípulo, já desde sua época de cadete.

Almejamos que seja sempre assim: singelo na sua expressão, fidalgo na sua simplicidade, dinâmico na sua disposição, coerente com seu idealismo, predicados indispensáveis que ornam o caráter do homem devocionado ao engrandecimento cultural de seu povo.

Que Deus o inspire sempre às boas causas.


Osório Santana Figueiredo - Historiador

São Gabriel, RS, 26 de maio de 1999.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Manual da Brigada



Um dos trabalhos editoriais dos quais tenho o maior orgulho de ter realizado é o Manual da Brigada. Foram três edições. A primeira, com 36 páginas, em abril de 1997, a segunda, com 60 páginas, em novembro do mesmo ano e a terceira, com 96 páginas, em novembro de 1998. As três edições juntas chegaram há 100 mil exemplares e, foram distribuídas, gratuitamente, a população, em Porto Alegre e região metropolitana. Foi um guia voltado ao cidadão. Nele coloquei orientações como o cidadão poderia cuidar melhor da sua segurança em diversas situações do seu dia a dia e, ainda mapeei todas as Unidades da BM, em Porto Alegre, com endereço e telefone. Ilustrei com fotos e desenhos. Os brigadianos e as brigadianas também gostaram muito do Manual, pois, nele os retratei como artistas da publicação. Foram merecedores.

Era distribuído as pessoas, nos quartéis da BM. As edições esgotavam rapidamente. Ali também coloquei o perfil dos principais serviços da Brigada Militar e como as pessoas podiam acessá-los com maior agilidade. Falamos das ocorrências policiais mais incidentes e como o cidadão poderia evitá-las. A publicação se consagrou como um guia de serviços da Brigada e seus patrocinadores viram nele uma grande oportunidade de agregar sua imagem a um produto de excelente aceitação popular e utilidade pública.

Sua realização só foi possível com o apoio seguro e o incentivo permanente, de meu chefe imediato, na época, major Paulo Roberto Mendes Rodrigues, hoje famoso: coronel Mendes. Um líder de grande envergadura moral e notória autenticidade. Idêntica conduta tiveram o comandante de policiamento da capital, naquela época, o nobre coronel Arlindo Bonete Pereira e o valoroso coronel José Dilamar Vieira da Luz, comandante geral da BM, oficiais a quem consigno minha mais garbosa continência. Aroldo Medina.

BRIGADA MILITAR