quarta-feira, 25 de maio de 2016

Uber Porto Alegre

Por indicação de um amigo, André Emerich, baixei o aplicativo do Uber, no meu celular. O André, um jovem micro empresário da área de tecnologia da informação, garantiu que eu não precisava ter receio nenhum em informar, previamente, o número do meu cartão de crédito, ao me cadastrar no Uber, motivo pelo qual não havia feito meu cadastrado antes.

Costumo utilizar o serviço de táxi, em Porto Alegre, regularmente. Dia destes, atrasado para um compromisso, acionei o aplicativo em meu celular. Em poucos instantes fui informado que um carro já estava em deslocamento para me buscar, em 5 minutos. Na tela do meu celular apareceu a foto do motorista, seu primeiro nome e a placa do seu veículo. Logo em seguida, um mapa me mostrava o trajeto do "veículo Uber", indo ao meu encontro.

No tempo estimado, um motorista muito educado e atencioso, estava a minha disposição, com uma água a bordo, como cortesia. Bebi a água, observando o carro bem limpo, com temperatura no seu interior bem agradável. Fui conversando com o motorista do bairro Partenon até o Centro de Porto Alegre, encantado com o serviço. Para mim ainda foi uma surpresa a exigência de dar uma nota para o motorista, de uma a cinco estrelas e, também receber uma nota como passageiro. Naturalmente, classifiquei o motorista com cinco estrelas, vindo a saber posteriormente que também fui classificado como um passageiro cinco estrelas.

Depois desta experiência bem agradável como passageiro do Uber, passei a acompanhar a polêmica do aplicativo causado entre os motoristas de táxi e, conversando com as pessoas sobre esta pauta "quente", constatei um cenário digno de nota.

O Uber é uma empresa multinacional norte-americana de transporte privado, com um capital de 62 bilhões de dólares, fundada em 2009, por Garrett Camp e Travis Kalanick, existente em 70 países e 444 cidades.

A seleção dos motoristas que se tornam parceiros da empresa começa pela exigência de que a carteira de habilitação para dirigir do candidato tenha observação de que ele exerce atividade remunerada (EAR). O candidato vai até um CFC (Centro de Formação de Condutores) habilitado pelo DETRAN, paga uma taxa e passa por um exame psicológico, atualmente, bem profissional, sendo entrevistado por uma psicóloga e fazendo um exame psicotécnico escrito. Aprovado, recebe a carteira, com a observação exigida.

O próximo passo é a exigência de atestado de bons antecedentes que pode ser obtido pela internet, desde que o candidato já esteja cadastrado no banco de dados digital do Instituto de Identificação do seu respectivo Estado. Vencida esta etapa, o Uber exige um seguro APP (Seguro de Acidentes Pessoais de Passageiros) de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), por passageiro, facilmente obtido através da Previlemos Seguros.

Aprovado nestas etapas, o motorista, depois de remeter esta documentação via celular ou e-mail para o Uber, deve enviar cópia da documentação em dia do veículo, com ano de fabricação acima de 2008.

Uma empresa contratada pelo Uber vai checar a documentação enviada pelo candidato a motorista, conferindo sua autenticidade. Não havendo problemas com o motorista e sua documentação, ele é ativado pelo Uber e pode passar a prestar o serviço,  atualmente proibido pela Prefeitura de Porto Alegre.


Por que o Uber faz sucesso?




Essa pergunta é inevitável. Conversando com pessoas que utilizam o Uber como passageiros, foram unânimes em afirmar que aprovam 100% o serviço. Os pontos a serem destacados são:

1) A segurança do passageiro. Ao acionar o serviço, o passageiro vê na tela do seu celular, a foto do motorista, seu primeiro nome e a placa do veículo que vai buscá-la;

2) O carro esta rigorosamente limpo e em perfeitas condições de trafegabilidade, sendo dirigido por um motorista bastante atencioso e educado que oferece ao passageiro pequenas regalias, tais como água fresca, balas, bombons, chicletes, entre outras guloseimas, além de carregador de celular ou até mesmo Internet;

3) No final de cada viagem, motorista e passageiro são avaliados. Tanto motorista como passageiro devem manter uma média de avaliação elevada, acima de 4,7 estrelas. Se baixar dessa média existe um alerta do aplicativo. Se a nota não melhorar após o alerta, motorista e passageiro estão sujeitos a serem excluídos do Sistema Uber. E, basta que a média baixe de 4,3 para exclusão sumária do Sistema;

4) Tanto motorista como passageiro não utilizam dinheiro, toda transação é feita através de cartão de crédito, previamente cadastrado no Sistema Uber;

5) Não há troca de dados pessoais entre os participantes do Sistema Uber, o que assegura impessoalidade na prestação do serviço de motorista, com profissionalismo que busca excelência como padrão permanente.


O Uber e as mulheres.


Um dado que deve preocupar as autoridades é o fato de expressivo número de mulheres informarem sua preferência pelo Uber para evitar o assédio. É cada vez mais frequente grupo de mulheres voltarem para casa usando o Uber, depois de deixarem barzinhos e outros locais de festa, pois, se sentem mais seguras.


Taxistas e o Uber.

Taxistas que são bons profissionais devem estar atentos ao porquê de estar havendo uma migração de passageiros para o Uber. As principais reclamações estão focadas na postura e na indumentária do motorista, junto com as condições interna e externa do veículo.

Muitos passageiros entendem que o traje do motorista deve evitar bermudas e sandálias, assim como dirigir com a camisa semi-aberta, em dias de calor. Fumar dentro do veículo deve ser tabu, pois, o odor incomoda bastante o passageiro que não é fumante, assim como perfumes extravagantes dentro do veiculo ou mesmo usado pelo motorista. O ambiente interno do veículo deve ser o mais neutro e agradável possível. Táxis enfileirados na saída de shows ou barzinhos, com motoristas dentro ou fora dos seus veículos, devem se abster de fazer piadinhas para as gurias que estão saindo das festas. Durante uma corrida, não atender ao telefone ou utilizar aplicativos de celular, principalmente o Whatsapp.

E, por mais óbvio que pareça, o motorista deve dirigir de forma cortês, por mais difícil que seja essa conduta, nos dias de hoje, num trânsito conturbado, respeitando as regras de trânsito, principalmente, os limites de velocidade, não transmitindo para o volante, eventuais problemas pessoais.

Quanto ao veículo deve estar sempre bem limpo, com a manutenção em dia, sem ruídos que possam incomodar os passageiros, inclusive o próprio rádio, ligado em volume ou mesmo estação indesejada pelo cliente.


O Uber e sua regulamentação pela Prefeitura de Porto Alegre.

Brigar com o Uber não é a atitude mais sensata, uma vez que um contingente enorme de cidadãos de Porto Alegre aprovam o serviço.

444 cidades, em 70 países tem o aplicativo operando. O transporte de passageiros não deve ser monopolizado. O mercado deve ser o seu principal regulador. Lendo as propostas da Prefeitura de Porto Alegre para regulamentação do serviço, constato que tem uns itens bem desnecessários, até mesmo imprudentes, como por exemplo que o motorista parceiro do Uber trabalhe com o seu veículo identificado. Identificar o veículo é "carimbar confusão", pois, não faltará taxista para hostilizar o motorista do Uber ou mesmo danificar o seu veículo.

A propalada necessidade de controle do Uber pelo poder público é questionável, porque o maior controlador do serviço do Uber é o próprio usuário. Basta que ele dê uma única estrela para o motorista que não observar as regras de excelência na prestação do serviço de motorista que ele esta, sumariamente, excluído do Sistema Uber. Quer melhor controle do que este? E, não dá para esquecer que o passageiro sabe a placa do veículo que ele vai usar, previamente. É muito mais segurança. Tem moças que pegam um táxi em Porto Alegre e vão a viagem toda "telegrafando" pelo Whats para o pai, a mãe ou o namorado, o percurso que estão fazendo até o seu destino.

Epílogo.

Tenho respeito pelos taxistas, bons profissionais e homens de bem. E, como disse no início deste relato, utilizo táxi com frequência em Porto Alegre. Penso que o serviço do Uber deve inspirar bons taxistas que devem denunciar eventuais donos de táxis e motoristas ligados ao sub-mundo do crime, como por exemplo o emblemático caso do bandido Xandi.

E, não adianta o taxista ficar bravo com algumas constatações que relatei aqui, pois, são fruto de uma coleta de informações feita com responsabilidade.

Aroldo Medina
Tenente-coronel da Brigada Militar - 100% Ficha Limpa
30 anos de efetivo serviço policial militar ao RS


Outras referências:

Exemplo de inclusão: surdez não impede jovem de ser motorista no Uber.

Nenhum comentário:

Postar um comentário