quinta-feira, 18 de junho de 2009

Corpo de Oficiais do 9º BPM



Em 2008, tive a honra de servir no 9º BPM, por indicação do legendário coronel Mendes. No 9º Comandei a 3ª Companhia da Unidade. O batalhão, antigamente conhecido como "Pedro e Paulo", tem sob sua responsabilidade cuidar da segurança pública dos gaúchos, na região central de Porto Alegre. Os desafios são diários: combater os ladrões que agem motivados pela impunidade. Não raramente, prendíamos o mesmo sujeito várias vezes. "-Enxugamos gelo"; como costumava dizer o grande comandante da Unidade, na época, ao observar o gaiato de volta as ruas. Era preso de novo, num ciclo vicioso e frustrante. Entre infinitas ocorrências, fechávamos bingos também toda semana, sob a liderança de atuante e intrépido Comando, formado pelo tenente-coronel Bondan, major Freitas (nosso sub-comandante) e do capitão Miguel, comandante do Pelotão de Operações Especiais do batalhão. As máquinas apreendidas se empilhavam nos fundos do ginásio de esportes da Unidade e num salão onde antigamente tínhamos um refeitório fechado no Governo Antônio Britto. Quanto mais máquinas eram apreendidas, duas novas surgiam no seu lugar. E o comandante repetia: "Continuamos enxugando gelo". Tínhamos poucas viaturas funcionando no 9º BPM, em 2008. Eu cuidava de sete bairros de Porto Alegre, com uma viatura e duas motos, em média. Ia em todas as reuniões com a comunidade. Lá ouvia os reclamos procedentes dos cidadãos e cidadãs clamando por mais policiamento. Procurava atender tantos quantos podia, mas certamente, muitos continuavam a mercê dos agentes fora da lei. Cuidava mais das escolas. Eu tinha quase 30 em minha área de responsabilidade territorial. Conseguia atender 10 escolas, razoavelmente, pela limitação de meios humanos e materiais. Assumi a companhia com 75 PMs. Quando deixei o Comando eram 60. Ia regularmente no Julhinho, atendendo aos chamados do professor João e de seus heróicos professores. Cheguei até a colocar um soldado para cuidar do recreio da Escola muitas vezes, tal era o clima de beligerância entre os alunos sem limites. No Instituto de Educação, no Rosário, no entorno da UFRGS (junto ao Parque da Redenção e no Hospital de Clinicas), no Colégio Rio Branco e no Israelita, foram exemplos onde quase diariamente, os valorosos praças da Companhia atuavam na defesa de toda comunidade escolar, alunos, pais e professores. Em nossa ausência, os bandidos agiam. Já faz tempo que aprenderam, os bandidos, a observar a BM e atacar onde ela não está. Infelizmente não podemos estar em todo lugar, nem tão pouco cobrir os lugares em que estamos, em todas as horas. A Brigada faz o que pode, com o que tem. Certamente poderíamos fazer muito mais se tivéssemos uma política de Estado de Segurança Pública permanente. Mas também sofremos, como todo cidadão que clama por mais polícia na rua e mais eficiência dos policiais, quando não conseguimos eleger políticos mais sérios. Continuamos nossa luta, diária, contra o crime, em defesa de todos os brasileiros e de todos aqueles de outras nacionalidades que esperam do Estado, independente de sua bandeira, liberdade e garantia dos direitos individuais, com responsabilidade. Aroldo Medina.

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