quarta-feira, 7 de maio de 2014

Balanço de vida.

Este ano completei 50 anos. Meu pai e minha mãe, Ivo Medina (1928-1988) e Nilva de Wallau Medina (1935), souberam me educar. E, quando os desobedeci conheci o peso de rédeas que impuseram limites e deram-me direção.

Cresci na cidade de Canoas, onde resido há 40 anos. Nesta cidade fiz o meu 1º e 2º grau no Maria Auxiliadora. No colégio das freiras, em 1982 fui eleito presidente do Grêmio Estudantil. Sou natural de Santana do livramento (RS). As férias escolares eu curtia na estância de minha avó Ilda de Moura Medina, em São Gabriel (RS).

A primeira profissão que almejei quando era criança foi ser astronauta. Planejei a carreira dentro de um velho balanço “cercado de tábuas”, onde montei minha primeira nave espacial. Entre uma contagem regressiva e outra, pensava que deveria começar sendo piloto da Força Aérea Brasileira, além de engenheiro mecânico.

O primeiro emprego eu tive com 12 anos. Carteira assinada. Foi no Supermercado Spader, na rua Araça, em Canoas. Trabalhei como empacotador, dois meses, nas férias do colégio. Como gostei muito trabalhei nas férias seguintes, no Supermercado Lima, no bairro Mathias Velho e depois no Zaffari, hoje Bourbon Canoas.

Ao fazer 15 anos iniciei uma fase em que fiz concurso para a EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar), a EsPeCEx (Escola Preparatória de Cadetes do Exército) e a AFA (Academia da Força Aérea). Constatei que tinha de estudar mais. A concorrência nacional era forte. Passei a frequentar o Curso Ícaro, em Canoas, preparatório. Lá conheci o extraordinário professor de matemática Sansone, sub-tenente da reserva da FAB (Força Aérea Brasileira) que me convenceu a começar a carreira militar fazendo o concurso para Escola de Especialistas da Aeronáutica. Fiz o exame intelectual e passei. Rodei no exame de olhos. Descobri que tinha miopia, com astigmatismo e, um pequeno grau de daltonismo. A descoberta frustrou meu sonho de ser astronauta.

Passada a frustração completei 18 anos e me alistei na FAB onde fui admitido, feliz da vida. Servi no QG do V COMAR, em Canoas, no ano de 1983/1984. Nestes 50 anos afirmo que foi um dos melhores períodos de minha vida. No final do Curso de Formação de Soldados os sargentos instrutores Bissolotti, Baigorra, Peixoto, Altamar, Alcedino, junto com o cabo Clênio e o S1 Bergamin escolheram-me soldado padrão do Esquadrão de Polícia da Aeronáutica. Uma honra que trago no coração até hoje, além de ter sido orador da turma.

Depois de prestar o serviço militar decidi ingressar na Brigada Militar. Trabalhei na Retificadora de Motores Canoense, ao lado de minha casa. Reuni algum dinheiro somado ao que recebi do meu pai para ingressar no Universitário, curso preparatório, visando prestar o vestibular na PUC que durante muitos anos selecionou os candidatos ao CFO (Curso de Formação de Oficiais) da BM. Em dezembro de 1985 virei “bixo”.

Minha mãe subiu comigo a principal alameda da Academia de Polícia Militar, no bairro Partenon, em Porto Alegre, em 17 de fevereiro de 1986 quando ingressei definitivamente na carreira militar.

Como cadete da Brigada fiz o CFO em três anos. Afeto as letras, durante o curso fui convidado para editar um jornal. Nas férias de dezembro de 1986 e janeiro de 1987 fiz estágio no Jornal O Imparcial, em São Gabriel (RS) e, depois na CORAG (Companhia Riograndense de Artes Gráficas), em Porto Alegre.

Ao reiniciar as aulas na APM fundamos “O Espadim”. O tabloide era bimensal e fizemos cinco edições que renderam até notícia no jornal Zero Hora.


Ainda na Academia de Polícia Militar, ao final do Curso, em 1988 editei Brigada em Revista, alusiva a nossa formatura como Aspirantes a Oficial.

Em 18 de novembro de 1988 recebi minha espada das mãos de minha mãe, feliz da vida e, ainda tive a honra de ser o orador da turma.




Da Academia fui transferido para o 11º Batalhão de Polícia Militar, onde como 2º tenente, fui designado para comandar um pelotão destacado no bairro Humaitá, em Porto Alegre, em 1989. Além de comandar o pelotão, trabalhava nas ruas da capital, como oficial de serviço externo, supervisionando as atividades de policiamento ostensivo.

Ao longo de 28 anos na Brigada Militar exerci todas as funções inerentes a carreira de um oficial de Polícia Militar exercendo o comando em pelotões, companhias e batalhões.

Na área operacional, ao longo de 25 anos, trabalhei nas seguintes unidades em Porto Alegre: 11º, 9º e 1º Batalhões de Polícia Militar; Batalhão de Polícia de Choque; Companhia Independente da Restinga e Destacamento Especial do Partenon. Ainda ligado a área operacional trabalhei no CPC (Comando de Policiamento da Capital).


Na área de apoio trabalhei no Museu, no Departamento de Ensino, no Instituto de Pesquisas da BM e no Departamento de Logística e Patrimônio da Brigada. Na área administrativa trabalhei no QG da BM, no EMBM e na Ajudância Geral e, no CCB (Comando do Corpo de Bombeiros).

Durante o governo Rigotto fui chefe da Defesa Civil do Estado, durante 4 anos (2003-2006), período na qual enfrentamos diversos desastres naturais que culminaram em centenas de municípios gaúchos decretando situação de emergência.



Nesta ocasião vistoriei mais de uma centena de cidades visitando prefeitos, secretários municipais de agricultura, técnicos da EMATER e produtores rurais, a fim de elaborar relatórios de avaliação de danos e de resposta aos desastres, dirigidos ao governador do Estado do RS. E, em muitas missões contei com o indispensável apoio de nossas Forças Armadas.


Fora de Porto Alegre, em Novo Hamburgo (RS) trabalhei no CRPO-VRS (Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Rio dos Sinos), como chefe da Seção de Justiça e Disciplina e depois no 3º BPM, onde fui seu comandante. Em 2012 trabalhei no 2º CRB (Comando Regional de Bombeiros), em São Leopoldo.

Outra atividade que sempre exerci ao longo de minha carreira na Brigada foi ser instrutor em cursos de formação de novos militares, onde ministrei as disciplinas de história da BM, Comunicação Oral e Escrita, Direitos Humanos e Correspondência Militar. Creio terem sido mais de mil alunos soldados e uma centena de alunos sargentos e oficiais.

A experiência na edição de jornais, livros e revistas militares levaram-me a fazer jornalismo na ULBRA, em Canoas, no ano de 1991 e fazer parte da diretoria da Revista UNIDADE, de assuntos técnicos científicos de Polícia Militar, ao longo de 10 anos.

Durante o curso de jornalismo foi eleito presidente do diretório de comunicação social, em 1992. Em 1998 ajudei a fundar o Correio Militar do Sul, órgão de divulgação oficial do CMS (Comando Militar do Sul). Fiz as 12 primeiras edições do periódico. Também fundei, no Colégio Militar de Porto Alegre, em 1995, o jornal “O Casarão da Várzea” e reeditei a revista Hyloea, junto com o então major de engenharia Antonio Claudio Belém de Oliveira.

A produção levou-me a ocupar, em caráter vitalício, uma cadeira especial em homenagem a BM que tem como patrono o coronel Hélio Moro Mariante, na Academia de História Militar Terrestre do Brasil, fundada pelo coronel Claudio Moreira Bento, em Resende (RJ).

A consciência de cidadania despertada em mim pelos meus pais e avós, além da representação estudantil exercida no colégio e na universidade, associada a indignação com políticos inescrupulosos, me levaram a duas candidaturas ao governo do RS, uma em 2002 e outra em 2010, como uma maneira de protesto contra contradições governamentais.

Outra realização que me traz a satisfação do bem realizado e do dever cumprido é ter tido a benção de ter uma filha, Natália Medina, com 17 anos que depois de concluir seu ensino médio no Colégio La Salle de Canoas, onde foi presidente do grêmio estudantil ao longo de dois anos consecutivos (2010/2011).

A Natália quer ser médica veterinária e se prepara para fazer o vestibular na UFRGS, no final deste ano.

Hoje, somando quase dez anos no posto de major da Brigada, aspiro ser promovido ao posto de tenente-coronel, o que deve ocorrer no final do ano, em novembro, por antiguidade e, não por merecimento, embora já tenha pontuação máxima, em todos os quesitos objetivos de avaliação na carreira militar.

Quanto aos planos futuros, no curto prazo, sinto-me numa encruzilhada. Se eu concorro este ano a deputado estadual ou se peço as contas na BM, após a promoção e, vou ser produtor rural?

Confesso que me atrai muito a ideia de concorrer a deputado. Tenho convite do PMDB, do PP e do PV. Tenho a mais absoluta certeza de que corresponderia a confiança de meus eleitores, civis e militares, satisfazendo suas expectativas, principalmente, na área de segurança pública. Mas para que isso ocorra preciso de mais segurança no que tange a infraestrutura para concorrer. Somente a oferta de “santinhos” não basta. E, como minha única fonte de renda é o salário da Brigada, atualmente, 100% comprometido com o tratamento de saúde de minha mãe, não é possível achar que “vou a lua”, legalmente, sem, no mínimo, um “foguete”, certificado por algum órgão confiável.

Mas estou tranquilo, se não for possível concorrer, me conforta a ideia de arrumar as malas e ir para o interior, comprar um pedaço de campo. Viver sossegado, junto a natureza, plantando e cuidando dos animais. Fazendo de vez em quando um bom churrasco e quem sabe preparar uma caipira ou beber uma cerveja bem gelada, confraternizando com amigos.

Neste ambiente de paz não vai faltar um bom chimarrão e pescaria na beira de um rio. Lugar bom de voltar no tempo e "soltar pandorga", sem deixar de tomar banho de chuva, agradecendo a Deus e ao mestre Jesus, contemplando o céu do interior, com mais estrelas do que nas cidades grandes, ter sobrevivido, as balas, de não poucos bandidos que tentaram me truncar a vida, em inúmeras ocorrências policiais.

Aroldo Medina

Algumas memórias fotográficas:

Meus pais:




















Boas lembranças:


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