domingo, 15 de setembro de 2013

Irmãos Medina: provas e expiações.

Desabafo. Peço licença para os meus amigos e amigas deste nobre espaço, para produzir um texto mais longo hoje. Quero contar uma história. Calculo que deva gerar uma leitura de uns 15 minutos, no máximo.

Quatro dias antes da minha mãe baixar no HPS de Canoas, ela parou de comer. Isto ocorreu no início de abril deste ano. E, por mais que insistíssemos com sua alimentação, ela não comia. No quarto dia do seu jejum foi levada para o pronto socorro e de lá transferida para o exemplar Hospital Independência de Porto Alegre, onde baixou dia 04 de abril e esta lá até hoje. São seis meses de internação, em função do seu pulmão, com debilidade crônica que, não dispensa mais a ajuda regular de aparelhos para assegurar uma respiração razoável.

Esta viva, graças a Deus e ao extraordinário trabalho dos médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem do Hospital Independência de Porto Alegre, administrado pelas irmãs da Rede de Saúde Divina Providência, irmãs Círia e Cecília. Louvo a Jesus pela graça da minha mãe estar sendo cuidada por equipe de saúde do SUS, tão zelosa e profissional. Creio que este padrão de atendimento é único no Brasil.

A maior parte do tempo que minha mãe esta no hospital, ela viveu na UTI. Foi para o quarto quatro vezes quando eu e meus irmãos nos revezamos, como acompanhantes da mãe, sem dispensar, de vez em quando, a ajuda de outras pessoas que nos auxiliaram nesta tarefa de 24 horas. Os períodos em que ela esteve no quarto, situaram-se ao redor de uma semana. O quadro de saúde piorava e ela voltava para a UTI.

Tenho colhido, nestes dias difíceis o apoio de todos que tem acompanhado e ungido minha mãe com muitas orações que só trazem boas energias e nos unem as cortes celestiais que cuidam do povo cristão governado por nosso Senhor Jesus. E, por falar no Mestre, certamente, Ele convive em plena harmonia no plano superior, com outros grandes profetas de gigante expressão espiritual, em nosso Mundo.

Desde que a mãe foi para o quarto pela primeira vez e, fomos informados da possibilidade de sua alta e dos cuidados especiais que deveria ter em casa, no mesmo dia que recebi esta boa notícia, fui para casa, acessei a internet e fiz a compra de cama e colchão hospitalar, com os assessórios básicos de um quarto de hospital. Além desta providência, uma semana após a mãe sair de casa e ir para o hospital, iniciei uma série de reformas na casa dela, pensando no seu retorno.

Entre as entradas e saídas da mãe, na UTI do hospital, cada vez que ela ia para o quarto, a expectativa de levá-la para casa, acelerava os preparativos para recebê-la no aconchego do seu lar. Mas há providências que dependem de prazos do poder público, em função das inúmeras demandas populares que são acolhidas nas centrais de atendimento ao cidadão.

Minha mãe ficou dependente da cadeira de rodas que deve passar a utilizar; da mangueirinha de oxigênio que entra pela cânula em sua traqueia aberta; depende da ajuda de terceiros para sua higiene pessoal e, tão vital como o oxigênio, depende da dieta enteral (alimentação via sonda nasal).

Quando me falaram, já na primeira vez que a mãe ia para casa, fui pesquisar os custos de suas necessidades especiais. “Cacoete” de quem tem formação militar: planejar as coisas.

Minha mãe consome, em média, 2 litros diários de uma alimentação líquida. O hospital lhe dá o Nutrison. Pesquisando na internet, constatei que esta alimentação custa R$ 110,00 (cento e dez reais) o litro. Portanto, são R$ 6.600,00 (seis mil e seiscentos reais), por mês, só nesta dieta. Não vou contabilizar aqui, o custo de outros assessórios que o hospital utiliza no custeio de cada um de seus pacientes, como por exemplo, o “kit da bomba de infusão” (mangueirinha de plástico por onde vai a dieta), trocado a cada três dias, em média, pois, meus amigos e amigas aqui do face teriam taquicardia, com os valores destes assessórios. Já vão me entender porque escrevo todas estas circunstancias.

Dia 13 de agosto do corrente ano, abri três processos na prefeitura de Canoas, para pedir ajuda do poder público, na sustentação da vida de minha mãe. Pedi socorro ao Estado porque minha mãe é aposentada e recebe um salário mínimo e meio.

Em um processo solicito a dieta enteral; no outro, um equipamento de oxigenoterapia, com aparelho de aspiração e no 3º peço curativos para as escaras (ulceras de pressão) que a mãe desenvolveu em função de estar há seis meses deitada, com breves períodos onde o extraordinário pessoal do hospital consegue convencê-la a ficar sentada numa poltrona.

Na última sexta-feira, dia 13 de setembro, o setor competente da prefeitura fez contato comigo, para me dar retorno do andamento de dois processos, da alimentação e do aparelho. Digno assinalar que a Prefeitura de Canoas já disponibilizou para minha mãe, há mais de três anos, um acumulador de oxigênio que ela tem em casa, sob sua guarda. O processo aberto visa a troca deste equipamento por outro aparelho que tenha aspirador traqueal, para sugar a secreção dos seus pulmões. Ela faz isso a cada quatro horas em média, no hospital.

A Adriana me comunicou, neste final de semana, que o médico responsável pela mãe, disse para ela que pretende dar-lhe alta, na semana que começa amanhã. Naturalmente, perguntei a minha irmã como faríamos para receber a mãe em casa, ainda sem estarmos providos, no mínimo, com a dieta enteral e o aparelho de oxigênio, com aspirador de secreção, alertando-a que eu já havia comprometido todo meu salário líquido nos próximos 12 meses, com os investimentos feitos em função das demandas relacionadas ao caso que relato aqui.

Minha irmã ponderou que o médico ainda disse que o pulmão da mãe estava em “estado terminal” (para bom entendedor, meia palavra basta) e que ela tinha o direito de vir para casa, sentenciou a Adriana. Concordei, mas insisti que ainda assim precisávamos da garantia da dieta enteral e do aparelho de oxigênio, com aspirador, em casa. O diálogo logo virou em discussão. Desesperados, brigamos.

A Adriana foi para um lado e eu fui para o outro. O incidente ascendeu em minha cabeça, memórias recentes. Dia destes, eu fui ao hospitaleiro Lar dos Necessitados, em Novo Hamburgo (RS), para uma consulta de apometria. Ao ser chamado, na minha vez, entrei na sala onde estavam os médiuns que trabalham de graça. Sentei e ouvi dizerem que em outra encarnação eu havia sido um juiz justo e, continuava sendo um homem justo, nesta encarnação. Senti, instantaneamente, minha responsabilidade espiritual aumentar com esta revelação. Em seguida, sem eu dizer nada, uma médium falou que minha mãe não tinha descanso, em função de saber que nosso relacionamento em casa, entre eu, o Adroaldo e a Adriana estava em desarmonia.

Ainda hoje, recebi a visita de uma querida vizinha que veio saber como estava a mãe. No meio da conversa relatou que um familiar seu, muito próximo, havia ficado cego, de repente. Procurou médicos, fez cirurgias e até agora nada. Teve um descolamento de retina.

Busquei o boletim da Natália neste final de semana. Cinco notas abaixo da média.

Minha mãe, Nilva de Wallau Medina, 77 anos, deu à luz a três filhos, Aroldo, Adriana e Adroaldo. Creio que foi sua grande obra de vida. Todos bem sadios ao nascerem e, concentrou com meu pai, de saudosa memória, Ivo Medina (1928-1988), em nós, toda expectativa que um pai e uma mãe conscientes depositam em um filho. Em síntese, ser bom, honesto e útil ao mundo.

Os desafios são inerentes a condição humana, assim como nossos próprios defeitos e as vicissitudes que todos enfrentamos carregando fardos, uns mais pesados do que os outros. Tenho feito tudo o que esta ao meu alcance. Sempre agi para honrar meu pai e minha mãe. E mesmo assim, creio que não é suficiente. Lamento ser um homem limitado. Há situações que vão bem além do alcance de nossa boa vontade.

Deus esteja no coração de todos!

Aroldo Medina


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