quarta-feira, 15 de março de 2017

Tendeiro de NH salva mulher de estupro.


José dos Santos Nardes, 65 anos, é natural da Colônia Vitória, município de Santo Ângelo (RS), de onde saiu com a família, aos 4 anos de idade, indo morar em Giruá e depois Salgado Filho, vindo parar em Novo Hamburgo. É filho de Aurora dos Santos Nardes, falecida aos 84 anos de idade, mãe de cinco filhos. Vive em companhia de Mabélia Miranda da Silva, 58 anos, Mobel, como a chama carinhosamente.

O Kojak, como é chamado pelos amigos, estudou até a segunda série do curso primário. Trabalhou na roça e cortou lenha desde os seus 15 anos. Mais crescido, retornou a Santo Ângelo para atuar como estivador em cooperativas agropecuárias, atividade que exerceu também em Giruá e Salgado Filho.

Há 20 anos, abriu uma tenda em frente ao CTG Terra Nativa, na rua Sapiranga, nº 1080, bairro Canudos, em Novo Hamburgo, para venda de frutas, mandioca, mel, rapaduras, lenha, carvão e outras mercadorias, tipicamente da colonia. Kojak recorda que acampou no terreno, retirou o lixo e passou a zelar para que não colocassem mais resíduos na terra. Lembra que escolheu o local, embora sendo um matagal cheio de lixo, por sua proximidade com o CTG que imaginou ser um bom vizinho.

O tino para o negócio veio a se consumar na prática, pois o novo tendeiro e sua companheira Mobel conquistaram clientes que frequentavam o Centro de Tradições Gaúchas, fazendo vários amigos entre eles. A instalação de uma floricultura ao lado do CTG, mais tarde, veio melhorar mais ainda o fluxo de clientes na tenda do Kojak.


Kojak perdeu a conta de quantas pessoas já socorreu nas cercanias de sua tenda, de dia e de noite, vítimas de tentativas de assalto, roubo e estupro. Numa dessas ocasiões, não pensou duas vezes, quando viu um homem agarrar uma mulher e arrastá-la para dentro do mato. Sentado na frente da sua tenda, ao lado de Mabel, como de costume, vigilante, saltou da cadeira e agarrou um porrete e saiu gritando "- Larga ela"; na direção do estuprador que vendo o homenzarrão de coragem missioneira avançando em sua direção, largou a vítima e saiu correndo. A mulher, em prantos, amparada pelo Kojak e confortada por Mabel, depois de se acalmar e beber um copo d'água, partiu agradecida, rogando a Deus que o casal fosse abençoado pela solidariedade.

O tendeiro dos Sete Povos tem inúmeras histórias de heroísmo anônimo. Tem noção que arrisca a vida toda vez que se mete a salvar pessoas que buscam refúgio em sua barraca de madeira rustica, perseguidas por assaltantes. Conta com Deus, diz o tendeiro, toda vez que isso acontece.

Não é difícil entender porque a Tenda do Kojak é um porto seguro, num local em que o mato na beira da rua é predominante, pois, funciona das sete da manhã às nove da noite, todos os dias, de segunda a segunda, como diz o tendeiro, sem descanso nos domingos e feriados.

Conta com orgulho, histórias que dignificam a natureza humana. Mesmo com a tenda fechada depois das nove horas da noite, não hesita em abri-la, quando ouve um casal batendo na sua porta, em busca de algum chá, para amenizar a cólica do filho recém nascido. E, não são poucas vezes que, percebendo a humildade da pessoa em busca de remédio caseiro, dá o ramalhete de macela do campo, sem cobrar nada por ele.

Na rua Sapiranga, próximo do CTG Terra Nativa, estão instalados ainda, mais dois tendeiros, popularmente conhecidos como o Careca e o Barbudo, trabalhadores incansáveis de todos os dias, como o Kojak, que servem a comunidade dos arredores e de outras cidades, com lenha e carvão de ótima qualidade, com excelentes preços, além de outros produtos típicos do comércio de beira de estrada.


Redação: Aroldo Medina.


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