quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Juiz de Paz


Recebi hoje à tarde, em meu gabinete no terceiro Batalhão de Polícia Militar, onde exerço a função de sub-comandante, uma cidadã indignada com uma abordagem da BM, em Novo Hamburgo. Ela motivou sua abordagem, após ultrapassar uma viatura da Brigada e gesticular para os PMs que deviam andar mais depressa no trânsito. Eles estavam no patrulhamento e deslocavam em baixa velocidade. Sua atitude culminou numa multa. A multa despertou a fúria da cidadã que foi conduzida a uma Delegacia de Polícia pela sua incontinência verbal com os PMs.

Em meu gabinete, chorando muito, confessou sua culpa e arrependimento. Resignada reclamou que os PMs podiam ter sido mais condescendentes com ela. Não lhe tirando a razão em desabafar, fiz ela pensar no ponto de vista dos policiais e na sua faina diária de passar quase todo serviço, expostos a tensão das pessoas que brigam na rua, no trânsito e em casa, por toda sorte de motivos. A ocorrência mais gerada nos sistemas da BM, nos últimos 20 anos, é briga entre as pessoas e, mais da metade dessas brigas, ocorrem na vida conjugal entre casais, homem e mulher.

A cidadã foi serenando. Seu semblante trincado foi se recompondo como se um anjo da guarda a tocasse no rosto calejado pela vida. Passou a falar com orgulho da sua filha de 14 anos, sua fonte de vida, estudante de exemplar conduta no Colégio Pio XII, em NH. Seu orgulho de mãe a fez resplandecer e reencontrar a sua paz. A filha a salvou.

Conversamos quase uma hora que passou rápido. Ao final da conversa coroou-me com uma generosa benção. Afirmou que apesar de estar desempregada, com dívidas e multada no dia de hoje, no meu gabinete, encontrou paz. Louvei a Deus por essa benção e de todo coração desejei que Ele iluminasse o caminho daquela mãe, mantendo-a em paz e a conduzindo a um bom emprego.

Aroldo Medina

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