quinta-feira, 4 de março de 2010

Pacote de aumento salarial do Governo divide BM.


Ao abrir meu e-mail pessoal, hoje à tarde, deparei-me com várias mensagens de fontes brigadianas diversas, tratando de uma polêmica estabelecida com um pacote de aumento salarial de soldados e oficiais superiores da BM, gestado pelo atual Governo do Estado do RS, nos últimos três meses.

Lamento ler nessas mensagens, uma contundente divisão entre oficiais e praças da BM. Penso que toda essa discórdia e divisão tem sua origem no Governo Collares (1991-1994). E digo isso, não com o intuito de criticar o governador Alceu Collares, para mim, um homem de bem. Penso que foi mal assessorado quando levaram-lhe a idéia de aumentar somente o salário dos oficiais superiores da BM, quando saiu a merecida isonomia salarial entre delegados de polícia e os promotores de Justiça do Estado, na época. Aos oficiais superiores da BM foi estendido o benefício dessa isonomia. O resto da tropa ficou de fora. Ali se quebrou histórico princípio da verticalidade, na BM, ou seja, a partir do salário de coronel da BM, todos os salários dos demais postos e graduações eram indexados a este salário, recebendo um percentual do salário do coronel.

Na época, a BM tinha uma disciplina mais forte e os protestos foram comedidos e silenciosos dentro da corporação.

A partir daí a coisa foi só piorando, com a ausência de uma política permanente de Estado, na área de segurança pública. Os anos se passaram e a BM ficou com o título que ostenta hoje, dos salários de polícia mais baixos do Brasil. Alguns governantes do nosso querido RS, agravaram a situação, dando aumentos diferenciados para soldados, sargentos, tenentes, capitães e oficiais superiores. Aumentaram assim, a cizânia entre os postos e as graduações.

Desde 1991, nunca deveríamos ter permitido aumentos diferenciados. O mesmo percentual de reajuste concedido pelo Governo ao soldado, deveria ter chegado ao coronel. O mesmo percentual de aumento concedido ao coronel, deveria ter chegado ao soldado.

Onde vamos parar? Sinceramente, não sei. Lamentavelmente, alguns governantes improvizaram na matéria da segurança pública. Não tiveram o devido respeito com a sociedade, nesta área de vital importância para a saúde do Estado e, não tiveram respeito também com o próprio policial, seja ele, militar, civil, perito criminalistico ou agente penitenciário.

Fica o desejo de união. União entre oficiais e praças para que superem este momento difícil de nossa história policial militar, com o devido respeito entre si.

Major Aroldo Medina - 25 anos de serviço ativo na BM.

Reportagem ZH

Entrevista com o Cmt Geral da BM, coronel Trindade.

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