segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Quando eu Era Pequeno





Lá pelos idos anos da década de 60 quando ninguém sonhava ainda com computador doméstico, pois, só eram vistos pela televisão ocupando grandes salas, eu e muitos meninos, brincávamos de carrinho.

Amarrados por cordinhas, carrinhos e caminhõezinhos de madeira eram comuns por todos os lugares. Tracionados por “possantes pernas de meninos” os brinquedos de criança roncavam forte entre bocas que se comprimiam e cuspiam saliva aditivada de imaginação. O “brrrurrummm” do motor só era interrompido pelo “ihriiiii” de alguma freada brusca. E lá ia o carro adiante.

Guerras com soldadinhos de plástico eram freqüentes também. “Ptchiii! Ptchiii!” Muitos morriam bravamente entre destroços de outros brinquedos. Assim como morriam, ressuscitavam milagrosamente no dia seguinte, para mais uma grande batalha. Não raras vezes, ainda tinham regalias. Os soldados tomavam banho na mesma banheira em que se banhavam seus generais mirins.

Enquanto isso, as meninas, pelo que me lembro, tinham preferência pelas bonecas que ganhavam o nome de suas embalagens ou mesmo eram rebatizadas pelas suas novas pequenas mamães. Gostavam de passear de carinho, as bonecas. Eram muito mimadas no colo, ganhavam comidinha na boca, roupinhas e até eram censuradas como bebes de verdade quando faziam alguma arte. Também não era difícil ver as mocinhas brincando de casinha ou passeando pela rua, em grupo, levando os filhinhos imaginários para dar uma volta na quadra. Imagine isso hoje.

Bolas de gude saiam dos grandes vidros dos balcões do armazém como se fossem pãezinhos quentes no forno da padaria, antes do café da tarde. As pelotas de vidro eram manuseadas com agilidade pelos campeões do pedaço que limpavam os bolsos dos menos avisados, no esporte da “bulita”. Com 10 ou 12 anos íamos à guerra, como soldados. Também lutávamos ora como mocinhos, outras vezes como bandidos.

Era comum a confecção de armas e espadas de madeira. Não escapavam os dedos de uma paulada nesses entreveros. “Bandeide”, gaze e esparadrapo não paravam na prateleira do banheiro de casa. Artigos de primeira necessidade. Nesse arsenal, ainda entravam “fundas” ou “bodoques” municiados com bolinhas de cinamono e outros artefatos. Não dá para esquecer as “arminhas de pressão” que disparavam os “chumbinhos”. Pobres passarinhos. Com toda essa belicosidade, não lembro nenhum de meus amigos virarem a cabeça para o mundo do crime.

No extenso rol de brincadeiras de meninos e meninas tinha ainda jogar bola, o jogo de taco, de dama, de xadrez, a pandorga ou pipa, o carrinho de rolimã, também conhecido como carrinho de lomba, o jogo de botões, o ping pong, o “flaflu”, o ludo, jogar peão, ioiô, brincar de esconder, de pegar, de “cabra cega”, pular corda, jogar sapata, “raio laser” o mesmo que “mandraque”, cantigas de roda, etc.

Além dos desenhos e dos seriados é claro. Corrida Maluca, Brazinhas do Espaço, Herculóides, Super 6, Os Impossíveis, Scooby Doo, O Urso do cabelo duro, Os Jetsons, Túnel do Tempo, Terra de Gigantes, Ultra Men, Perdidos no Espaço, etc. A lista é grande. Não éramos menos felizes do que hoje a garotada com vídeo game, MP9, celular, ipod, computador (MSN, Orkut) notebook, etc. Junto com a programação de TV de hoje, bem mais liberal do que dantes, diga-se de passagem.

Todas essas memórias revivem no Dia da Criança. E por falar no Dia das Crianças, a data festiva de hoje, dia de ganhar presente para muitos, foi criada por um político brasileiro. Galdino do Valle Filho (1879-1961), médico nascido no Rio de Janeiro, vereador de Nova Friburgo em 1911, deputado estadual em 1912 e deputado federal em 1922, propõem aos seus pares, a criação do Dia da Criança, o 12 de outubro.

Aprovada, a data é promulgada pelo Presidente da República, Arthur Bernardes, através do decreto 4.867 de 5 de novembro de 1924 que só vem a vingar como comemoração nacional dos “baixinhos”, na década de 60, após a Fábrica de Brinquedos Estrela e a Johnson & Johnson lançarem uma grande campanha comercial chamada “Semana do Bebe Robusto”.

Após a promulgação do Dia Brasileiro da Criança, tivemos a Declaração Universal dos Direitos da Criança, promulgada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, em 20 de novembro de 1959. Entre seus princípios, todos de grande importância, destaco o sétimo que assegura: “A criança terá direito a receber educação... A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito”.

Artigo: Aroldo Medina.

(Publicação autorizada, desde que citada a fonte).

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA

Um comentário:

  1. As Coisas Não Mudam... Nós Mudamos!

    Talvez o mundo mude amanhã. Mas isso não é provável. As mudanças são lentas, apesar de toda a corrida que a gente enfrenta todos os dias.
    Ainda assim, seu mundo pode mudar de modo impressionante, nas próximas horas ou minutos, ou depois de ouvir esse texto!
    Porque tudo o que você está vendo, sentindo e tudo ao que você está reagindo, é porque existe um mundo real e um mundo "filtrado".
    A forma como vemos o mundo é definida por uma palavra grega chamada de "paradigma". Ela mostra que todas as grandes revoluções aconteceram devido à ruptura na forma de ver o mundo!
    Todos nós filtramos o universo de acordo com nossas próprias expectativas, crenças e princípios.
    Por isso, uma mesma cena pode comover uma pessoa e não causar absolutamente nada em outra.
    Cada uma delas teve uma diferente reação àquilo que viu com um filtro mental diferente.

    Tem uma historinha que explica o que estou querendo dizer: se passou no metrô de Nova York.
    As pessoas estavam calmamente sentadas, lendo jornais, divagando...
    Era uma cena calma, tranquila.
    De repente um homem entrou no vagão com os filhos.
    As crianças faziam algazarra e se comportavam mal e o clima mudou na hora!
    O homem sentou e fechou os olhos, aparentemente ignorando a situação.
    As crianças corriam de um lado para o outro, atiravam coisas incomodando a todos.
    Mesmo assim o homem não fazia nada.
    Ficou impossível evitar a irritação. Os passageiros não conseguiam acreditar que ele pudesse ser tão insensível!
    A certa altura, um passageiro, tentando manter a calma, virou para ele e disse:
    - Senhor, seus filhos estão perturbando muito. Será que não poderia dar um jeito neles?
    O homem olhou e disse calmamente:
    - Acho que o senhor tem razão. Eu deveria mesmo fazer alguma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora. Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não conseguem lidar com isso.
    Podem imaginar o que todos sentiram naquele momento?
    O paradigma mudou!
    De repente, todos que estavam ali passaram a ver a situação de um modo diferente.
    E a irritação ali desapareceu.
    E os sentimentos de compaixão e solidariedade fluíram.

    O mundo não mudou, não é?

    Mas até você mudou, ao ouvir essas palavras.
    Mudou de paradigma, e isso causou uma reação diferente.
    Você e eu nunca vemos a realidade total. Vemos apenas uma parcela dela, que selecionamos, em grande parte inconscientemente.

    A única prisão real que a gente tem está em cima dos nossos ombros.
    E cada um tem uma chave-mestra.
    As coisas não mudam; nós mudamos!

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