sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Montepio MBM: eleições e ensinamentos.

Logo ao chegar em meu local de trabalho, hoje, fui informado que havia sido nomeado pelo diretor do DLP, tenente-coronel Carlos Frederico Azevedo Hirsch, para presidir a Comissão Eleitoral que deveria colher os votos dos associados do Montepio da BM que trabalham no Departamento de Logística e Patrimônio da Brigada Militar, para escolha do delegado de nosso departamento, junto ao MBM.

Ciente da missão e sentindo-me honrado com ela, iniciei o processo eleitoral, secretariado pelo tenente Jacobsen, tendo como membro intermediário, o destemido capitão Sequeira. O cuidadoso tenente trouxe-me a urna, produzida por ele próprio. Uma caixa de papelão, devidamente encapada, como um caderno escolar de um aluno caprichoso. Em seguida, o tenente alcançou-me as cédulas eleitorais e disse em tom determinado: "- Major. O senhor tem que rubricar as cédulas." Prontamente atendi a recomendação do tenente, enquanto indagava sobre os eleitores do DLP.

Iniciamos o processo tendo dois candidatos: o major Evandro José Horn, ansioso pelo início da eleição e o tranqüilo major Bernardes.

Os trabalhos iniciados, liguei para os eleitores dizendo que o pleito estava em andamento. Um a um foram comparecendo. A major Janete, convocada a votar, logo ao entrar na sala da Divisão de Patrimônio, onde se encontrava a urna, chegou a protestar, como muitas pessoas fazem, descrentes na política das eleições. Depois de trocar de roupa, compareceu junto a mesa, devidamente fardada, disposta a votar.

A Janete foi direta. "- Vou votar em consideração a ti Medina. Tu continua o mesmo otimista desde que te conheci como cadete da Brigada". Ganhei a semana com esta frase, numa sexta-feira 13. A Janete injetou adrenalina pura na minha veia. Fortaleceu ainda mais meu ânimo de continuar promovendo a democracia pelo voto direto.

Não imaginava que Deus seria ainda mais generoso comigo neste dia. Encerrado o horário de votação, reuni a comissão eleitoral, convidei a major Marta e o major Osvaldo para testemunharem a apuração dos votos. Abrimos a urna. Contamos um a um, os votos. Disputa apertada. Final da apuração, constatamos um rigoroso empate.

Pelo regulamento deveria ser eleito o de posto mais antigo. Os dois candidatos eram majores. Fomos para o segundo critério de desempate: quem nasceu primeiro? O Horn ganhou. Veio ao mundo em 1965, o Bernardes em 1967.

Cumprimentei o Horn e liguei para o Bernardes para informar-lhe o resultado. Do outro lado da linha o Bernardes recebeu o resultado com muita disciplina. Prontifiquei-me em lhe dar informações sobre o pleito. O Bernardes me faz uma única pergunta: "- O senhor estava presente na apuração?" Claro que sim, respondi com um ar de obviedade na minha cabeça. E o Bernardes atalhou: "- Veterano, então isso me basta. O resultado atestado por um homem do seu caráter, para mim é suficiente".

Bernardes, divido contigo e com os leitores desse espaço, tua gentileza e, digo que és mais digno ainda, por reconhecer nos outros, aquilo que te sobra na tua conduta diária. O caráter de um homem verdadeiramente de bem. Como a Janete, tu e tantos outros aumentam minha responsabilidade moral e política, no mais elevado grau. Sem querer parecer piegas ou romanceiro, assevero, prefiro a morte, a transigir com a honra e transgredir a confiança que os nobres irmãos e irmãs me concedem.

Longe de ser um homem perfeito, tenho muitos defeitos. Por exemplo, luto para controlar a raiva que sinto ao me deparar com motoristas irresponsáveis no trânsito. Sou ainda perfeccionista e não consigo desligar de tentar colocar algumas coisas ao meu alcance, em ordem. Indigno-me com aqueles que maltratam crianças e ignoram pessoas idosas. Não tolero os que usam de crueldade com os animais e aqueles que destroem os rios e as florestas por ganância. Estas e outras tantas imperfeições que peço a Deus em minhas orientações, para que eu não sinta tanta raiva e possa perdoar seres humanos que agem assim.

Talvez eu nunca me eleja para um cargo eletivo como gostaria, porque me falta poder econômico para bancar uma campanha, ao cargo que meus amigos, amigas e apoiadores almejam me colocar. Mas continuo em paz com minha conciência, porque creio que estou fazendo minha parte. Também sei que poderia fazer mais, como qualquer outra pessoa, mas como qualquer outra pessoa recaio na fraqueza de me sentir pequeno diante de tantos desafios que a vida coloca, diariamente, a nossa frente.

Não desisto, vou em frente, reabastecendo meu coração, na generosidade de tantas pessoas de maior valor e mérito que me encorajam, ainda que sem saber, dizendo que sou merecedor da sua confiança. Peço a Deus que ilumine e me fortaleça o espírito e o caráter, para viver de forma a ser digno dela.

Aroldo Medina

Nenhum comentário:

Postar um comentário