segunda-feira, 28 de março de 2011

Os bandidos são da Brigada Militar...





O título desta postagem deve causar consternação na sociedade e indignação na BM.

Tirei ele do segundo parágrafo da reportagem do Diário Gaúcho deste final de semana que passou. A matéria publicada sábado, dia 26 de março, na página 24, com manchete de capa e, na página 60 de Zero Hora, rendeu 1.741 centímetros quadrados, só nestes dois jornais, além de outros diários.

A notícia trata da prisão de três policiais militares que roubaram um banco no município gaúcho de Júlio de Castilhos, no início da tarde de sexta-feira, dia 25 de março de 2011.

O roubo é de fato um absurdo, como classifica o lead da manchete do Diário Gaúcho porque são protagonistas soldados da ativa da BM. A reportagem de capa deste jornal que sai como pão quente todos os dias, lido por milhares de gaúchos, ainda é ilustrada com a reprodução das carteiras de identidade dos PMs.

Só não imagino a mesma reportagem com esse destaque, justificado, se os ladrões fossem, por exemplo, médicos, advogados, arquitetos, engenheiros, entre outros.

O fato lamentável exige da Corporação quase bi-centenária, a expulsão exemplar dos PMs presos em flagrante, à bem da disciplina. É pouco, considerando o estrago que este tipo de acontecimento causa a imagem e a credibilidade da instituição. Explico.

Tempos atrás fui pagar uma conta no banco. Estava bem fardado da cabeça aos pés. Não portava arma na ocasião, embora tenha prerrogativa legal para andar permanentemente, armado. Fui passar pela porta giratória e fui barrado. O vigilante solicitou minha carteira de identidade funcional. Apresentei a carteira e fui barrado novamente. Pedi explicações e recebi como resposta que deveria retirar todos os objetos metálicos que trazia comigo, entre estes objetos estavam, naturalmente meu cinto e minha carteira policial. Claro que protestei e ainda ouvi uma pérola do vigilante: "-Tu pode ser falso e essa tua carteira também". Mais surpreso fiquei porque esta tese do vigilante ganhou apoio de duas senhoras que estavam usando o caixa eletrônico da agência.

Humilhado e constrangido, por estar, simplesmente usando a farda da BM, o que para mim é motivo de honra e orgulho, dei um passo para trás, liberei a porta e liguei para o 190 da Brigada. "- Alô! Brigada Militar. - Sim, as suas ordens! - Tem um sujeito aqui no banco (forneci o nome do banco e endereço), usando a farda da BM e o vigilante e alguns clientes acham que ele é falso. Dá para mandar uma viatura aqui para se certificarem se o cara é ou não da Brigada? - Sim. Com certeza, a viatura já esta a caminho. - Obrigado!"

A viatura do 1º BPM chegou em 5 minutos. Entraram na agência ligeiro, prontos para prender o "falso policial". Deram comigo e, surpresos disseram: "- Cadê o cara major? O senhor chegou primeiro que nós? Cadê o sujeito que tá usando indevidamente nossa farda?" Calmamente, respondi: "- Sou eu, o cara!"

O desfecho do caso foi bem brasileiro. Meus colegas do 1º BPM passaram pela porta giratória do banco "armados até os dentes" e sem mostrar carteira de identidade. O vigilante não fez menção nenhuma de barrar sua entrada. As mulheres que apoiavam a atitude do vigia sairam de fininho. O gerente apareceu para contemporizar.

E, para fechar com chave de ouro, já dentro da agência, perguntei ao vigilante por que ele não havia adotado com meus colegas que entraram armados, o mesmo procedimento que adotara comigo. Respondeu com silêncio.

Sai da agência pensando nos sofismas: "Será que fui discriminado porque estava fardado, mas desarmado? Será que me confundiram com um bandido porque eu estava fardado ou porque tem bandido que usa farda?

O que um policial de verdade tem a ver com tudo isso? Episódios como o aqui relatados dão o direito a outras pessoas vilipendiarem a autoridade policial? A honra de um PM que exerce sua profissão honestamente ainda vale alguma coisa?

Major Aroldo Medina - Jornalista.

2 comentários:

  1. Fico triste ao ler noticias deste tipo. Durante 30 anos que servi na Brigada Militar enfrentei criminosos sem medo, e garanto que qualquer Policial Militar da Brigada Militar, nutri o pior dos sentimentos que um ser humano sente a estas pessoas que cometeram este assalto, porque o pior bandido é o que esta ao nosso lado e não sabemos.
    Marco Ariel Gonçalves
    Sgt Brigada Militar

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  2. Não sei se as pessoas percebem que o mais grave nessa história é que esse tipo de crime, contribui para gerar uma prejudicial crise de autoridade na sociedade. A reportagem ao enfatizar que os bandidos eram policiais, dissemina um sentimento de desconfiança na própria policia. A conseqüência é sentida pelo policial honesto que preza pela honra da sua profissão quando é confundido injustamente com um bandido.

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