sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Coronel Paulo Eloir Bortoluzzi.



Após ser aprovado no vestibular da PUC-RS para o CFO (Curso de Formação de Oficiais) e vencer as demais etapas de seleção da BM, apresentei-me na Academia de Polícia Militar, em 1986. O comandante era o coronel Paulo Eloir Bortoluzzi.

A figura do coronel Bortoluzzi impunha respeito. Era um homem alto, teso e forte. Cabeça sempre erguida, sem vaidade. Olhar firme. Seu caminhar era uma marcha constante, com altruismo e coragem. Voz grave. Postura militar típica. Um comandante autêntico. Nos inspirava confiança e integridade.



Cadete do 1º ano, eu estava de "reforço da estrela". A "estrela" era um posto de serviço de guarda do quartel, em frente ao prédio da antiga Linha de Tiro da Brigada, no terreno da APM, em Porto Alegre. O meio fio arranjado no chão forma uma estrela entre os paralelepípedos.

Passava da meia noite quando vi alguém avançando em minha direção. Mandei um "alto lá, identifique-se"! E antes que eu pedisse a "senha", ouvi a resposta do vulto que se agigantava: "- É o Comandante, cadete".

A voz era inconfundível. Incréduto fui na direção do Comandante e me apresentei da melhor forma que consegui. Fiz ombro armas com meu "FO" (fuzil ordinário) e, com os pulmões cheios de ar, declarei: "- Com licença senhor, aluno oficial PM, Aroldo Medina, cadete do 1º ano do CFO, Reforço da Estrela; serviço sem novidade". O coronel Bortoluzzi, firme como uma rocha, recebeu minha apresentação. Fardado e na posição de sentido, o comandante declarou: "- Apresentado". Depois da formalidade, conversamos um pouco.

Após a conversa, o grande líder se despediu e desapareceu na penumbra da noite. Sua silhueta foi sumindo devagarinho na Sargento Witt, enquanto eu o seguia com olhos e coração de cadete, orgulhoso da visita do comandante, ao meu posto.

Hoje, nos despedimos do corpo do coronel Paulo Eloir Bortoluzzi, no cemitério São Miguel e Almas, em Porto Alegre. O espírito do grande líder militar partiu para outra dimensão de vida. Deixa um legado de boas obras na Brigada Militar e fora dela. Centenas de pessoas, familiares, amigos e colegas estiveram presentes na despedida do prócer oficial.

O ambiente na despedida era de rara fraternidade, congregando várias gerações de oficiais e praças da Brigada Militar. O espírito de luz e nobreza do coronel Bortoluzzi imantava a todos. Partiu com a certeza do bem realizado e do dever cumprido.

Que Deus e Jesus, governador do Planeta Terra, nossos comandantes espirituais supremos, o acolham em sua grande Corte Celestial.

Um grande abraço a todos, especialmente a família do coronel Bortoluzzi, a quem prestamos solidariedade, caprichada e sincera continência militar.

Major Aroldo Medina

Nota editorial: a primeira foto retrata o lançamento de Brigada em Revista, em abril de 1989, na Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre. A publicação foi alusiva a Turma de Aspirantes 1988 da Brigada Militar. Na foto, da esquerda para direita estão: o tenente Botelho, o coronel Bortoluzzi, o coronel Sidnei Pafiadache e tenente Medina. A segunda foto tirei de dentro de helicóptero do Grupamento Aéreo da BM.

2 comentários:

  1. Excelente texto, Medina!
    O Cel Bortoluzzi era o tipo de pessoa que se admirava, tantos eram os seus atributos. Particularmente, quando o olhava, parecia estar de frente a um ser imortal, de tão forte era a aura que emanava. Uma perda lastimável: para a família, para os amigos, para a Brigada Militar, para os gaúchos, para os brasileiros, enfim... para o mundo! Que esteja em bom lugar e em boa companhia!

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  2. Prezado,

    A Família Bortoluzzi agradece a linda homenagem a esse nosso pai herói. Nesse momento horrível de dor essas lindas palavras nos emocionam e nos confortam.

    Atenciosamente.

    Maria Helena Bortoluzzi, Alexandre Bortoluzzi, Luciana Bortoluzzi, Márcia Bortoluzzi e Patrícia Bortoluzzi.

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