domingo, 11 de dezembro de 2011

Ressonância Magnética não é o "Bicho Papão".


Quinta-feira passada, dia 09/12, estava deitado na minha cama elétrica, no quarto 105 do Hospital da BM quando um homem de branco entrou e anunciou: "- Seu Medina! Vou levá-lo para fazer um exame fora do hospital. Vamos de ambulância."

Cheguei na RADICOM, da Érico Veríssimo, duas da tarde. A escolta brigadiana me entregou, junto com uma planilha, com capa de madeira, recheada de papéis, para duas moças da clínica. Sentei e esperei o atendimento. Enquanto aguardava, conversei com minha filha pelo celular.

Fui chamado. Levantei e segui minha guia, a técnica em radiologia Talita, atenciosa e muito gentil, até a sala onde faria o exame.


Logo ao entrar, uma geringonça de designe futurista apareceu, imponente, em minha retina. A máquina de ressonância magnética era uma novidade para o gaúcho de Santana do Livramento.

A técnica acomodou-me na língua do monstro que me sugou para dentro. A boca do Papão é desdentada como a minha. Seu hálito é fresquinho. Tem formato cilíndrico. O espaço é restrito. O show começa quando o monstro começa a roncar. Aí, literalmente, o bicho pega. O Gepeto baixa e quer logo que apareça um Pinóquio para coçar a barriga do monstro e ele te cuspir. Se o capitão Nascimento chega nessa hora, ele vai gritar: "- Pede pra sairrr!!!" E, a maioria vai pedir.

O exame exige disciplina do paciente. Auto controle. O ambiente fechado, o som alto que se alterna lá dentro e a percepção de um rotor funcionando como a hélice de um helicóptero, forma no cilindro, um ambiente tenso para um expressivo número de pessoas. Muitas terminam entrando em pânico durante o exame, de acordo com o testemunho de profissionais que atuam nos controles da máquina. Este fenômeno é ainda ampliado porque vários pacientes já chegam amedrontados pelo relato de outras pessoas que são submetidas ao aparelho.

Tamanho é o pavor que se instala em muitas pessoas que só conseguem fazer o exame, sedadas. Crianças, dificilmente, encaram o desafio sem sedativo.

O segredo está em manter a calma durante o período em que a eficiente máquina está escaneando nosso corpo a procura dos males que importunam nossa saúde. Esqueça o ambiente, mantenha os olhos abertos e se concentre nas imagens que o som desperta em sua mente, procurando analisá-las e compreendê-las. Depois conte, com bom humor, a peripécia aos parentes e amigos.

Por exemplo, enquanto eu estava lá dentro, o ambiente pareceu-me um caixão de luxo, forrado com fino tecido. Enterrado vivo pensei que um telefone celular poderia ser útil para me comunicar com o "Mundo dos Vivos", lá fora. Cruzes!

Depois lembrei da trilha sonora de filmes de ficção científica e da hora em que as naves disparavam seu raio laser.

Terminei imaginando um conjunto de rock metal tocando na porta do cilindro que me engolia e que os DJs devem adorar o exame, pois, o ritmo da ressonante máquina deve lhes inspirar boas trilhas.

Enquanto viajava nos pensamentos o exame terminou e o monstro, irreverente, meteu a língua para fora da sua boca, onde encontrei a gentil Talita me esperando.

Aroldo Medina

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