segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Palmadas na educação dos filhos



Hoje de manhã cedo, sete e meia da manhã, ouvia o Ricardo Boechat, na Rádio Band News FM, 99.3. O Ricardo comentava sobre uma lei que será votada na França, nos próximos dias, apresentada por uma deputada pedagoga. A lei pretende proibir no "berço do iluminismo" (esta expressão é por minha conta), palmadas nos "bumbuns" das crianças.

O Ricardo falou que era pai de seis filhos e que não havia dispensado a palmada, na criação dos seus filhos e, sempre como último recurso, depois de esgotar toda aquela fase de argumentação, até usar a linguagem da força, da autoridade de pai. Arrependeu-se depois de cada palmada, mas garantiu que não havia outro remédio e que os filhos a mereceram.

Ouvindo o comentário no rádio, lembrei do meu pai, Ivo Medina, in memorian, um homem do bem. Perdi ele para um ataque cardiaco quando ele iria fazer 60 anos. Meu pai tinha muita paciência comigo. Quando criança, aprontei um monte. Era arteiro, por natureza. Só fui "domado" depois de umas três surras, mais ou menos. Todas merecidas e bem dadas. E não foi nenhuma palmadinha. A palmada não adiantava nada. Dobrei-me diante de uma cinta de couro que o meu pai usava para segurar as suas calças. E não foi por falta de aviso. Olha! Tenho consciência que abusei da paciência dele e da minha mãe. Sou grato a educação que recebi. O disco que mais ouvia da boca dos meus pais era: "- Estuda Aroldo. O maior bem que vamos te deixar é educação e estudo".

Na volta para casa, parei para jantar numa galeteria que frequento há 20 anos, a Primo Polastro, em Porto Alegre. O José Aldair Saldanha, funcionário antigo do estabelecimento, veio me recepcionar com o sorriso de sempre. Costuma me incentivar para concorrer nas eleições. Diz que tenho o seu voto garantido. Falamos um pouco sobre política e, em seguida entrei para jantar. Na saída, ainda com as palavras do Boechat na cabeça, provoquei o assunto com o José.

Fui direto ao ponto. Perguntei se fazia arte quando era pequeno. O José foi rápido: "- Báh! Eu era terrível. Meu professor uma vez me deu com uma vara de marmelo nas costas. Duas lambadas..." Interrompi: "- O professor?!" Sim. O professor, disse ele. "-Faltei com o respeito, com o professor Oreste e ele me tascou a vara nas costas. Fui pra casa com o lombo ardendo. Tirei até a camisa, de tanto que ardia. Cheguei em casa meio distraído e o meu pai viu aqueles dois vergões nas minhas costas e perguntou o que tinha acontecido. Tentei desconversar, mas acabei tendo que contar pro meu pai, o que havia ocorrido. Ele pegou outra vara e me fez mais uns vergões que eu perdi a conta, dizendo que eu tinha que respeitar o professor".

Vou dormir com as palavras finais do Boechat, ecoando na minha mente, um recado para os políticos brasileiros que gostam de macaquices: "- Eu penso que o Estado não deve interferir no modo como educo meus filhos dentro da minha casa... Eu não quero o Estado interferindo no espaço que separa a palma da minha mão e a bunda dos meus filhos". Apoiado!

82% dos franceses ouvidos em uma pesquisa sobre a matéria são contra a aprovação da lei.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Bandeira do Brasil em alta.


A bandeira como conhecemos ela hoje foi instituída por decreto do marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, em 19 de novembro de 1889. O campo verde e o losango amarelo provêm da bandeira imperial do Brasil e na sua concepção original, essas cores querem aludir a defesa da pátria pelo nosso Exército e ainda simbolizar a perpetuidade e a integridade de nosso país.

Esta informação histórica eu colhi na leitura do livro "A História dos Símbolos Nacionais", edição do Senado Federal de 2005, volume 47, páginas 72 e 73, obra adquirida em nossa recente 55ª Feira do Livro de Porto Alegre.

A Bandeira do Brasil foi o símbolo nacional mais lembrado por estrangeiros ouvidos em uma pesquisa de opinião encomendada pela EMBRATUR, divulgada pela mídia nacional no início deste mês. Em segundo lugar ficou o querido Cristo Redentor, no RJ. Na mesma pesquisa o povo brasileiro foi eleito pelos estrangeiros como o que há de melhor no Brasil, aspecto que deve nos orgulhar bastante e que aumenta muito nossa responsabilidade internacional.

Penso que podemos expressar melhor nosso amor pelo país, sendo mais patriotas.

Pesquisa com estrangeiros sobre o Brasil

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

BM 172 anos



Na vida dos gaúchos há 172 anos, a Brigada Militar está presente em todas as cidades do RS. São pouco mais vinte mil homens e mulheres na ativa, para guardar pela segurança pública de mais de 10 milhões de pessoas que habitam e visitam nosso Estado. Não incluí nesta conta, os recém incorporados novos alunos soldados, porque precisam estar devidamente formados para serem contabilizados, como escudo de defesa de nossa sociedade.

Do soldado ao coronel, todos exercem um papel determinante na manutenção da ordem pública, fator imprescindível para o desenvolvimento social e econômico do RS. No dizer do professor Voltaire Schilling, exerce a BM uma força magnética social, pouco observada, de manutenção da unidade de nosso território, desde que foi criada. Precisa ser melhor estudada. O livro mais conhecido que relata sua história data de 1972, “Crônica da Brigada Militar”, de Hélio Moro Mariante. O trabalho policial é um manancial de conhecimento ainda pouco explorado. Nossas universidades podem se constituir em laboratórios com excelentes credenciais para fomentar esses estudos.

Historicamente é uma força pública disciplinada para o bem do Rio Grande. Foi criada ainda no Império, em 18 de novembro de 1837, pelo presidente da Província de São Pedro, Antônio Elzeário de Miranda. Atuou em praticamente todos os conflitos internos ocorridos no Brasil desde então, até a presente data. Não combateu os Farrapos. Lutou na Guerra do Paraguai, contra Solano Lopez. Na sangrenta Revolução Federalista estava presente. Não se ausentou nas refregas intestinas da década de 20, nem tão pouco nas agitações do Estado Novo, em 1930. Em 1961, evidenciou-se nacionalmente pela Legalidade, sob a liderança do governador Leonel Brizola. Na Revolução de 64 cumpriu o que a Constituição lhe reservava: a manutenção da ordem pública, não lhe sendo imputada a tortura de nenhum preso político. Finda sua fase bélica e de transição, entra na sua fase policial, no início da década de 70.

Dos anos 70 até a presente data, bate-se na condição de polícia, ao lado de instituições co-irmãs, contra os inimigos da sociedade: os bandidos que não respeitam o patrimônio e a vida dos gaúchos e, tão pouco a vida dos policiais. O sangue brigadiano continua sendo derramado, pela preservação dos ideais inscritos em nossa bandeira: liberdade, igualdade e a buscada fraternidade entre os homens. Sua força e Justiça Militar, ao lado do Poder constituído de outras instituições civis é garantia do Estado Democrático de Direito.

A Brigada percorreu um longo caminho até aqui, cometendo erros e acertos nessa jornada. A honra dos seus homens e mulheres de outrora e de hoje é um patrimônio histórico e cultural que não pode ser alienado. É a base da confiança que os gaúchos nela depositam. Entre seus grandes desafios estão: a defesa incondicional da sociedade; a valorização profissional e salarial permanente dos seus efetivos, do soldado mais moderno ao coronel mais antigo; seu desenvolvimento tecnológico; o combate a corrupção e a violência policial, onde quer que ocorram.

Como presente de aniversário, seus componentes poderiam dar a si mesmos, uma fatia generosa de união e solidariedade. Deus ilumine a Brigada Militar.

domingo, 15 de novembro de 2009

República Federativa do Brasil: 120 anos.


A monarquia brasileira estava em crise, no final da década de 1880. A forma de governo não correspondia às mudanças sociais em processo. As classes sociais da época defendiam a implantação de uma nova forma de governo capaz de fazer o país avançar nas questões políticas, econômicas e sociais.

A crise do sistema monárquico brasileiro pode ser resumida nas seguintes questões:

- Interferência de D.Pedro II nos assuntos religiosos, provocando descontentamento da Igreja Católica;


- Críticas de integrantes do Exército Brasileiro que não aprovavam a corrupção existente na corte. Os militares também estavam descontentes com a proibição imposta pela Monarquia, pela qual os oficiais do Exército não podiam se manifestar na imprensa, sem prévia autorização do Ministro da Guerra;


- A classe média, composta por funcionário públicos, profissionais liberais, jornalistas, estudantes, artistas e comerciantes, identificada com ideais republicanos, estava crescendo nos grandes centros urbanos e desejava mais liberdade e participação nos assuntos políticos do país;


- Falta de apoio dos grandes proprietários rurais com grande poder econômico que desejavam maior poder político;

Diante desse cenário, sem apoio popular e das constantes críticas que partiam de vários setores sociais, o imperador e seu governo, encontravam-se enfraquecidos. Doente, D.Pedro II estava cada vez mais afastado das decisões políticas do país.

Assim, no dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, com o apoio dos simpatizantes da república, demitiu o Conselho de Ministros e seu presidente. Na noite deste mesmo dia, o marechal assinou o manifesto proclamando a República no Brasil, iniciando um governo provisório.

Transcorridos 67 anos, a monarquia chegava ao seu fim no Brasil. No dia 18 de novembro, D.Pedro II e a família imperial partiram rumo à Europa. A partir de então, o pais passa a ser governado por um presidente escolhido através de eleições.

sábado, 14 de novembro de 2009

Água na lua


Vi no noticiário desta noite que encontraram água na lua. Muito interessante a descoberta.

Água é sempre sinônimo de vida. Água boa é claro. Do tipo, sem poluentes. Imagino que a água da lua deva estar boa. Será radioativa?! Se for, deve ser saudável, pois, leio em alguns rótulos de água mineral, vendida nos supermercados, que na composição daquele líquido precioso à venda, ela é "radioativa"! Essa água da lua ainda vai dar muito o que falar.

Mais uma vez, o Google saca a "idéia das estrelas" e agrega o valor da descoberta a sua marca. Por essas iniciativas, simples e bem legais, declaro: "Sou muito fã do Google". Já gostava mesmo antes de lançarem o "Gmail" que é genial, além de ser de graça! O Google também comprou o BLOGGER que nos permite ter blogs bem legais, com grandes utilidades e, novamente, de graça para o usuário, como este que utilizo neste momento para comunicar essas idéias, aos visitantes desse espaço que são nossa razão de existir.

Se uma empresa pudesse concorrer a um NOBEL, eu votaria de olhos fechados e mãos atadas no GOOGLE, para o "NOBEL DE TECNOLOGIA POPULAR PLANETÁRIA"!

Aroldo Google Medina.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Montepio MBM: eleições e ensinamentos.

Logo ao chegar em meu local de trabalho, hoje, fui informado que havia sido nomeado pelo diretor do DLP, tenente-coronel Carlos Frederico Azevedo Hirsch, para presidir a Comissão Eleitoral que deveria colher os votos dos associados do Montepio da BM que trabalham no Departamento de Logística e Patrimônio da Brigada Militar, para escolha do delegado de nosso departamento, junto ao MBM.

Ciente da missão e sentindo-me honrado com ela, iniciei o processo eleitoral, secretariado pelo tenente Jacobsen, tendo como membro intermediário, o destemido capitão Sequeira. O cuidadoso tenente trouxe-me a urna, produzida por ele próprio. Uma caixa de papelão, devidamente encapada, como um caderno escolar de um aluno caprichoso. Em seguida, o tenente alcançou-me as cédulas eleitorais e disse em tom determinado: "- Major. O senhor tem que rubricar as cédulas." Prontamente atendi a recomendação do tenente, enquanto indagava sobre os eleitores do DLP.

Iniciamos o processo tendo dois candidatos: o major Evandro José Horn, ansioso pelo início da eleição e o tranqüilo major Bernardes.

Os trabalhos iniciados, liguei para os eleitores dizendo que o pleito estava em andamento. Um a um foram comparecendo. A major Janete, convocada a votar, logo ao entrar na sala da Divisão de Patrimônio, onde se encontrava a urna, chegou a protestar, como muitas pessoas fazem, descrentes na política das eleições. Depois de trocar de roupa, compareceu junto a mesa, devidamente fardada, disposta a votar.

A Janete foi direta. "- Vou votar em consideração a ti Medina. Tu continua o mesmo otimista desde que te conheci como cadete da Brigada". Ganhei a semana com esta frase, numa sexta-feira 13. A Janete injetou adrenalina pura na minha veia. Fortaleceu ainda mais meu ânimo de continuar promovendo a democracia pelo voto direto.

Não imaginava que Deus seria ainda mais generoso comigo neste dia. Encerrado o horário de votação, reuni a comissão eleitoral, convidei a major Marta e o major Osvaldo para testemunharem a apuração dos votos. Abrimos a urna. Contamos um a um, os votos. Disputa apertada. Final da apuração, constatamos um rigoroso empate.

Pelo regulamento deveria ser eleito o de posto mais antigo. Os dois candidatos eram majores. Fomos para o segundo critério de desempate: quem nasceu primeiro? O Horn ganhou. Veio ao mundo em 1965, o Bernardes em 1967.

Cumprimentei o Horn e liguei para o Bernardes para informar-lhe o resultado. Do outro lado da linha o Bernardes recebeu o resultado com muita disciplina. Prontifiquei-me em lhe dar informações sobre o pleito. O Bernardes me faz uma única pergunta: "- O senhor estava presente na apuração?" Claro que sim, respondi com um ar de obviedade na minha cabeça. E o Bernardes atalhou: "- Veterano, então isso me basta. O resultado atestado por um homem do seu caráter, para mim é suficiente".

Bernardes, divido contigo e com os leitores desse espaço, tua gentileza e, digo que és mais digno ainda, por reconhecer nos outros, aquilo que te sobra na tua conduta diária. O caráter de um homem verdadeiramente de bem. Como a Janete, tu e tantos outros aumentam minha responsabilidade moral e política, no mais elevado grau. Sem querer parecer piegas ou romanceiro, assevero, prefiro a morte, a transigir com a honra e transgredir a confiança que os nobres irmãos e irmãs me concedem.

Longe de ser um homem perfeito, tenho muitos defeitos. Por exemplo, luto para controlar a raiva que sinto ao me deparar com motoristas irresponsáveis no trânsito. Sou ainda perfeccionista e não consigo desligar de tentar colocar algumas coisas ao meu alcance, em ordem. Indigno-me com aqueles que maltratam crianças e ignoram pessoas idosas. Não tolero os que usam de crueldade com os animais e aqueles que destroem os rios e as florestas por ganância. Estas e outras tantas imperfeições que peço a Deus em minhas orientações, para que eu não sinta tanta raiva e possa perdoar seres humanos que agem assim.

Talvez eu nunca me eleja para um cargo eletivo como gostaria, porque me falta poder econômico para bancar uma campanha, ao cargo que meus amigos, amigas e apoiadores almejam me colocar. Mas continuo em paz com minha conciência, porque creio que estou fazendo minha parte. Também sei que poderia fazer mais, como qualquer outra pessoa, mas como qualquer outra pessoa recaio na fraqueza de me sentir pequeno diante de tantos desafios que a vida coloca, diariamente, a nossa frente.

Não desisto, vou em frente, reabastecendo meu coração, na generosidade de tantas pessoas de maior valor e mérito que me encorajam, ainda que sem saber, dizendo que sou merecedor da sua confiança. Peço a Deus que ilumine e me fortaleça o espírito e o caráter, para viver de forma a ser digno dela.

Aroldo Medina

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

BM em Canoas tem aula com prefeito Jairo Jorge

Tive a grata satisfação de receber convite para participar hoje, às 19 horas na ULBRA, em Canoas, de evento educacional organizado pelo Comando do CPM (Comando de Policiamento Metropolitano) e do 15º BPM.

O coronel Jorge Luiz Agostini e o tenente-coronel Carlos Roberto Bondan da Silva, dois líderes de reconhecida expressão intelectual na BM, convidaram o prefeito de Canoas, Jairo Jorge, para proferir uma palestra aos 161 novos alunos do Curso Básico de Formação de Polícia Militar. Após formados, deverão trabalhar em Canoas. Uma boa notícia para a cidade.

Em sua aula magna o prefeito Jairo Jorge destacou que vê a segurança pública como uma questão de Estado. O assunto deve ser tratado acima de governos. Entende como acertado o protagonismo do PRONASCI (Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania) desenvolvido pelo Governo Federal que chama os prefeitos para ter uma participação mais ativa na segurança do cidadão, na sua cidade.

O prefeito de Canoas falou das inovações em sua gestão. Criação do GGI (Gabinete de Gestão Integrada) que funciona como um centro técnico de elaboração de ações integradas na área da segurança pública. O gabinete reúne os atores estaduais e municipais para falar de questões afins no desenvolvimento de ações de defesa do cidadão. O trabalho é complementado por um “Observatório Municipal” que pesquisa, reúne e analisa dados relacionados aos indicadores presentes em questões de segurança pública.

Jairo Jorge destacou a importância para a cidade de Canoas receber os novos futuros policiais. Enfatizou a importância do trabalho da BM em Canoas e motivou os novos PMs a compreenderem sua responsabilidade neste cenário. Afirmou que seu papel como prefeito será assegurar a população de Canoas melhor segurança pública através da valorização do policial. Neste sentido, registrou que já estuda uma maneira de reforçar um programa do Governo Federal, o “Bolsa Formação” que paga para os policiais estudarem e se aperfeiçoarem como trabalhadores da área de segurança pública. Jairo Jorge quer pagar aos PMs que trabalham na cidade, uma segunda bolsa para que eles se dediquem ainda mais na defesa da comunidade canoense.

Antes de começar o evento sugeri ao prefeito, o desenvolvimento de um projeto na área habitacional, voltado aos praças que trabalham em Canoas, especialmente para os novos alunos que vieram do interior para trabalhar na capital, apenas com uma mala de viagem e muita coragem para enfrentar o custo de vida da cidade grande. O prefeito foi ágil. Imediatamente, acolheu a idéia e se dispôs a colocá-la em pratica. A julgar pelo bem que esta fazendo para Canoas, em apenas 10 meses de gestão, atrevo-me em dizer que o jovem prefeito irá surpreender muitos, em desenvolver mais este bom projeto para qualificar a segurança pública em Canoas.

Empolgado pelas idéias e determinação do prefeito, ao final de sua excelente palestra, mandei um cartãozinho para meu fraterno amigo coronel Agostini que coordenava os trabalhos, pedindo-lhe “dois dedos” de tempo para fazer uma breve locução. Ganhei um “balde de água fria”. O coronel não me concedeu a palavra. O protocolo da cerimônia não previu “meu entusiasmo”. Reveses que aqueles que se imaginam ainda idealistas como eu, estão acostumados.

Eu só queria dizer que havia apreciado muito, como cidadão que mora há 35 anos em Canoas, a iniciativa do Comando da BM na Região Metropolitana em ter tomado iniciativa tão louvável, integrar numa aula realmente magna, o prefeito da cidade com os novos alunos em formação.

Também queria ter podido contar que naquele mesmo auditório, há 15 anos atrás, eu havia sido empossado como presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Comunicação Social da ULBRA, quando estudava jornalismo nesta Universidade. E que no ato desta posse depois de eleito, revelei aos meus colegas da comunicação que eu era brigadiano. Foi o mesmo que dizer que eu era leproso. Um silêncio geral tomou conta do auditório e depois de alguns segundos, um colega no fundo gritou: “Votamos num porco”!

Depois de desarmar o espírito de alguns colegas, fizemos a partir daquele dia, uma gestão integrada, como o prefeito de Canoas está fazendo, sem preconceitos e muito trabalho. No final da gestão, meus colegas defendiam um segundo mandato, bem cientes e conscientes de que eu era um policial militar da ativa da BM. Mas entendi que havia feito a minha parte e passei a presidência para outro colega.

Aquele auditório despertou-me esta reminiscência saudosa que quis compartilhar com todos ali presentes, como um exemplo de cidadania, assim como uma homenagem a democracia e aos líderes que nos oportunizavam um encontro com nossas consciências.

O próprio prefeito em sua apresentação evocou a importância da democracia e ainda nos ajudou a compreender nossos tropeços nela ao lembrar que o Brasil em seus 500 anos de existência, ainda não viveu 50 anos de democracia continuada. Exortou-nos ainda, o prefeito, a pensarmos que outrora conjugávamos idéias de SEGURANÇA X CIDADANIA quando deveríamos introduzir o estudo como: SEGURANÇA E CIDADANIA, com uma idéia de adição representada pela conjunção aditiva "E" e não idéia de confronto, representada pela letra "X" de versus. Grande pensamento! Um único simbolo sob o ponto de vista semiótico, pode fazer muita diferença.

Creio que esta aula do prefeito, naquele auditório, com os atores ali presentes, com mais esta pequena história, formaria um bom conjunto de informações úteis a formação dos novos alunos. Será que fui inconveniente ao pedir permissão ao professor para participar da aula com um comentário, na condição de um empolgado aluno assistente?

Por fim, compartilho com os generosos visitantes desse espaço que ainda tenho esperanças de que os homens que se debatem por ideais possam ser melhor compreendidos pelas autoridades que nos governam e comandam. Que Deus ilumine a todos nós e nos proteja nessa caminhada da vida.

Um grande abraço a todos, Aroldo Medina.

domingo, 8 de novembro de 2009

Ponto para os bandidos - 2ª Parte

A vítima do furto pagou o resgate do próprio carro que foi devolvido pelos bandidos. Sentiu-se ao final da negociação, satisfeita com o resultado, mesmo ficando com uma dívida na empresa onde trabalha que lhe emprestou o dinheiro, para pagar o preço da extorção.

Chama atenção o "modus operandi" dos gangsters gaúchos. Em sintese: roubam o carro. Fazem contato com a vítima. Propõe devolver o carro se o proprietário pagar um resgate. O proprietário dá ouvidos a proposta dos bandidos. Os bandidos estabelecem as regras. 1ª) Nada de polícia. 2ª) Querem o dinheiro já. 3ª) Aterrorizam a vítima.

A negociação prossegue. O dono do carro arruma o dinheiro. Combinam o local da entrega do dinheiro. Se a vítima exigir ver o carro antes de pagar, os bandidos dizem onde ele pode ser visto "rapidinho". Estacionam o veículo furtado ou roubado numa rua, num estacionamento, num posto de gasolina onde a vítima é orientada a passar, olhar e não parar. A seguir o proprietário é orientado a ir no local onde deverá fazer o pagamento. No local do pagamento a vítima aguarda. Os bandidos vigiam o local para ver se não tem polícia na parada. Passam uma, duas, três vezes de carro, moto, bicicleta, à pé pelo local e não notando presença policial, chamam o motoboy da "sua confiança" para receber a grana. Aparece o motoboy que aborda a vítima para receber a "encomenda".

Quando o negócio é intermediado por algum "informante" entre a vítima e os bandidos, esse camarada funciona como uma espécie de garantia dos bandidos que tudo vai correr bem. O informante "fica" até amigo da vítima ou da família da vítima e vai intermediando o contato até que ele acontece. A vítima é informada que se alguma coisa der errado, tipo "pintar polícia na parada", o "informante" será "apagado"!

Com todo esse "clima", a vítima do roubo, da extorção, da ameaça de morte, sai "bem feliz", depois que tudo "terminou bem"! Pagou o resgate, recuperou o carro e volta para casa, sentindo-se "aliviado". Enquanto isso, os bandidos, as "feras do pedaço", também vão para casa comemorar, bem felizes também, porque saíram ganhando, mais uma vez.

Sem comentários.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ponto para os bandidos!


Um amigo teve o carro furtado, domingo passado, dia 01 de novembro, na frente da sua casa.

Ontem à noite me ligou dizendo que os bandidos haviam feito contato com ele para devolver o carro mediante pagamento. Perguntou-me o que fazer. Resumindo uma longa conversa, onde não consegui convencê-lo a não pagar, prontifiquei-me então a acompanhá-lo na transação. Ele quis saber o que eu faria. Respondi o óbvio. Tentaria prender os bandidos com a ajuda de outros policiais. Meu amigo perguntou se isso não era perigoso. Fui seco na resposta. É perigoso. Silêncio no outro lado da linha. Após um tempo, meu amigo respondeu, depois de pensar muito, que me manteria informado sobre os próximos passos. Fiquei aguardando sua ligação.

O tempo passou e ele não ligou. Então liguei para ele, a fim de saber alguma novidade. Respondeu que os bandidos haviam feito novo contato e que iriam combinar o local da "negociação". Novamente orientei-o a fazer contato comigo, assim que soubesse do local onde ocorreria o encontro. O tempo foi passando de novo e ele não ligou. Foi então que recebi uma ligação de sua irmã me informando que o irmão já estava com o carro. Uma sensação de frustração invadiu minha mente. Resignado, agradeci a ligação e assim que desliguei, liguei para o amigo.

Pedi que me contasse como fora a transação. Recebeu a ligação combinando o local. Foi informado onde estava o carro e onde deveria entregar o dinheiro, antes de buscá-lo. No local combinado para efetuar o pagamento, um motoboy usando capacete, abordou-o dizendo que estava ali para pegar "a encomenda". Ele entregou-lhe o envelope e foi buscar o carro furtado, estacionado onde os bandidos o colocaram momentos antes de concluirem a negociação.

Meu amigo demonstrou estar "satisfeito" com o negócio que realizara. Chegou mesmo a dizer que "eles" devolveram o carro inteirinho, tudo no lugar, exceto uma cadeirinha de bebe. Por fim, ainda comentou que o carro tava só um pouco "sujinho". "Acho que eles andaram no barro", conformou-se meu amigo que arrumou o dinheiro emprestado com seu patrão que, prontamente, dispos-se a ajudá-lo descontando o empréstimo do seu salário, em suaves prestações. Antes de desligar ainda me brindou com outra informação "interessante". "Sabe Aroldo, eles até me deram um desconto"! Nesse ponto da conversa cheguei a pensar que meu amigo, um homem verdadeiramente de bem, pai de família, um cidadão exemplar, estava achando que os ladrões que o furtaram e depois o extorquiram, eram até "bonzinhos".

Ponto para os bandidos que rendem pelo medo! Senti-me bastante frustrado como policial no dia de hoje. Desculpem se encerro por aqui, sem mais comentários.

Aroldo Medina

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Hoje perdi um pouco do juízo


Diz um antigo ditado popular que o siso é o dente do juízo. Deve ser porque nasce tarde, depois dos dezoito. Sendo assim, perdi parte desse "juízo" hoje.

Na correria do dia a dia, consegui chegar no horário marcado no dentista. Minha satisfação por chegar na hora durou pouco. Esqueci o raio X e a cirurgia teve que ser adiada. Frustrado resignei-me em ter que esperar uma nova agenda para daqui há um mês. Não conformado e ainda ansioso por ter que adiar o compromisso com o cirurgião, rezei enquanto voltava para o trabalho na Brigada. Pedi a Deus que o próximo paciente não pudesse comparecer.

Trinta minutos se passam. Estou estacionendo o carro. Meu telefone toca. Atendo. Uma gentil assistente da IBCM (Instituto Beneficente Coronel Massot) diz: "- Seu Medina!" - Sim." " - O senhor pode retornar? O próximo paciente marcado cancelou sua consulta." Minha resposta é um sim com entusiasmo e carregado de fé. Um sorriso povoa meu coração de agradecimento.

Enquanto a assistente do doutor Rodrigo da Rocha me prepara com muito profissionalismo e gentileza, conversamos. O assunto indefectível: segurança pública. Não a censuro por crer como a maioria da população brasileira que bandido bom é bandido morto. Surpreendo-a ao dizer que discordo. Penso que bandido bom é bandido preso. Conto-lhe uma história onde depois de entrar em confronto armado, mais de uma vez, com bandidos que me receberam à bala, cuidei para que não fossem mortos. Não me vejo como um justiceiro. A assistente, educadamente, me interrompe e diz que não sabe se teria toda essa consideração com eles, pelo tamanho da violência que praticam contra pessoas de bem, todos os dias.

Continuo a história e lhe conto que um dia estava trabalhando no controle de um tumulto no Presídio Central de Porto Alegre. Tenente antigo, servia no então Batalhão de Polícia de Choque da BM. Um dos chefes de galeria se dirige a mim e pergunta: "- O senhor é o tenente Medina?". Sim, eu respondo com minha tarjeta de identificação bem visível. "- Já tivemos oportunidade de matá-lo, sabia?" Não! Respondi, com um tom de curiosidade estampado no rosto. "Podíamos mas não fizemos". Deu uma pausa e continuou... "Não matamos porque o senhor é um homem de bem. Nos trata com respeito". Fez nova pausa e acrescentou: "Também porque sabemos que é um policial honesto". Fiquei olhando o homem em silêncio, pensativo. Ele fitando-me nos olhos com firmeza, encerrou a conversa arrematando: "- Nossa política com os corruptos é outra!"

O doutor Rodrigo entrou na sala e começou o seu trabalho. Poucos minutos depois, com muita habilidade, sacou um pedaço do meu "juízo".

Fui para casa de boca fechada, sem poder falar uma só palavra, carregando um siso no bolso da calça. Ganhei meu dente da assistente, enrolado numa gaze que alcançou-o dizendo: "- Dá para fazer um novo Medina", referindo-se a uma outra conversa que tivemos sobre os avanços da medicina nos próximos 100 anos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Caos no México

Não pode passar desapercebida a série de reportagens de Zero Hora sobre a escalada de violência no México e submersão do Estado frente ao Poder dos Traficantes de Droga na região.

Fiquei impressionado com o que li nas Cartas do Editor, página 2 e nas páginas 20 à 23, da edição de ZH do dia de ontem. Inevitável lembrar do que estamos vendo no Rio de Janeiro, onde apesar dos confrontos diários entre o Estado e o Poder Paralelo, ainda não chegamos, felizmente, no nível de implosão social que os mexicanos vivem.

Urge a união dos brasileiros para defender o Rio de Janeiro e até mesmo o poderoso Estado de SP, onde os agentes do crime protagonizam grandes hostilidades contra a sociedade brasileira, em patamares ainda não conhecidos por outros Estados.

A guerra contra o tráfico de drogas deve ser vencida fora do RS, para que não chegue aqui, nos níveis em que já se encontram fora do território gaúcho.



A carta do Editor de ZH

Governando as CPIs - Reportagem Especial ZH


"Seguindo o exemplo do governo Lula, Yeda Crusius conseguiu domar a CPI da Corrupção, barrando as investigações".

Este é o lead que abre a reportagem especial de ZH Dominical, dia de ontem que li hoje, no feriado do "Dia dos Mortos". Vale a pena ler.

A imprensa livre, independente e responsável num país é a maior garantia de defesa da democracia e do próprio Estado Democrático de Direito".

REPORTAGEM