sexta-feira, 2 de março de 2012

Andrade Gutierrez e o financiamento da obra no BR.


Leitor diário da Página 10 de Zero Hora, vi hoje na Coluna da Rosane de Oliveira, um registro sobre o IPE (Instituto de Previdência do Estado do RS) "ter sido cogitado como um dos investidores no projeto do Beira Rio".

Levantei esta pauta com um gestor experiente na área de finanças, para entender melhor o "lance". Depois de uma boa conversa com o especialista financeiro, faço uma síntese da reflexão que fizemos juntos e das hipóteses que levantamos.

1) Por que a Andrade Gutierrez precisa do Banrisul para fazer o financiamento no BNDES? Por que a AG não pega o dinheiro direto no BNDES? O Banrisul serviria de avalista do negócio. O Banco do Estado do RS garantiria o pagamento do empréstimo, em dia, caso a AG atrasasse este pagamento ou mesmo ficasse inadimplente.

2) Por que a AG não procurou qualquer outro banco (Bradesco, Itaú, Caixa, etc) para buscar este financiamento? Por que procurou justamente o Banrisul? Por que qualquer outro banco pediria as garantias que o Banrisul pediu. Quem encaminhou o negócio com o Banrisul imaginou que poderia funcionar alguma espécie de tráfico de influência política, botando o Banco dos Gaúchos na parede, responsabilizando ele por travar o negócio, ao pedir as garantias que foram solicitadas. Este "tiro saiu pela culatra", com o posicionamento transparente e técnico da presidência do Banco.

3) E se o Banco tivesse aprovado o negócio, nos termos da AG? Provavelmente as ações do Banrisul na Bolsa de Valores cairiam, por conta do risco do empreendimento. E, neste particular, vai um alerta para os políticos que cogitaram colocar o IPE "nessa fria": o Fundo de Assistência a Saúde do IPE não pode ser "tapa buraco" dessa enrascada em que o Internacional se meteu, fazendo negócios com uma empresa que ainda não mostrou para que veio ao RS.

4) Será que a empresa que iniciou a obra inacabada no Beira Rio é mesmo a Andrade Gutierrez? Ou talvez seja uma nova empresa da AG, constituída com CNPJ próprio, exclusivamente, para "tocar" essa obra, sem colocar em risco o patrimônio da poderosa construtora, face as incertezas de contar com o "ovo dentro da galinha", como representam as expectativas de gasosas rendas futuras? Para essa última pergunta, as possíveis respostas permanecem em aberto.

Aroldo Medina

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