sábado, 27 de outubro de 2012

O sexto sentido de irmã Isaura.

Quando fui me despedir da irmã Isaura Lima Lopes no aeroporto Salgado Filho, na quinta-feira passada, dia 25, levei um álbum para ela. O álbum continha 15 fotografias que correspondiam a visita que lhe fiz na quarta, dia 24, com minha filha e o soldado Rodrigo. Na ocasião entregamos a missionária, um diploma de reconhecimento do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar, por identificarmos na irmã Isaura uma conduta digna do nosso maior respeito e consideração pelo seu trabalho de evangelização nos aeroportos do Brasil.

O álbum de fotos ficou bem legal. Um documento que gravou no tempo e no espaço um momento de grande sintonia entre pessoas que comungam da mesma fé e ideais de servir ao próximo. Irmã Isaura tem muito da vocação dos anjos da guarda que enfrentam o fogo para salvar vidas.

Em casa, não levei mais do que 30 minutos para organizar e colar as fotos no álbum. Enquanto finalizava o trabalho lembrei que a irmã Isaura havia me mostrado o recorte de Zero Hora sobre seu trabalho no Salgado Filho. As folhas de jornal estavas bem dobradas. E, no dobra e desdobra, certamente, iriam rasgar logo e a memória da reportagem se desintegraria nas mãos de Isaura. Resolvi então plastificar as duas folhas inteiras da reportagem do dia 23/10 e dá-las a missionária. Comprei o plástico adesivo, em rolo e, pus mão a obra.

Alguém já experimentou plastificar uma folha de jornal tablóide, com plástico adesivo transparente? Tente então é stress na certa. Gastei uns cinco exemplares Zero Hora que nossa secretária doméstica foi catando na vizinhança, na medida em que eu pedia a ela para buscar mais um exemplar e mais um, pois não conseguia me acertar com a combinação: folha de jornal + papel adesivo. A colagem perfeita, sem "bolhas de ar" ou sem formar "rugas" é um desafio. Meu nervosismo ficou visível. Lá pelas tantas depois de, no mínimo duas horas tentando, o trabalho ficou razoável. Fiz um rolinho, peguei o álbum e me toquei para o aeroporto.


Lá chegando, primeiro alcancei o álbum que foi bem curtido pela "velhinha mais feliz do planeta Terra", como Isaura se definiu na reportagem de ZH, depois de ser entrevistada. Lendo numa das fotos, a dedicatória que fizemos para ela, eu e a Natália, lágrimas de alegria nasceram em seus olhos e, nos meus ao observá-la.

Depois do álbum, foi a vez de lhe alcançar as famosas páginas de ZH plastificadas. Recebeu-as com alegria e no mesmo instante em que pegou as folhas na mão, disse em tom maternal: "- O senhor teve muito trabalho para organizar esta lembrança. Ficou exaurido. Até nervoso. Precisa ir descansar agora. Fez um bom trabalho". Como podia saber o que eu antes sentira? Admirado e surpreso pousei meu olhar no semblante sereno da missionária e concluí: o sexto sentido de irmã Isaura capta tudo que levamos para ela, além das fronteiras da matéria.

Aroldo Medina.



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