sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Países Árabes e o RS - 2º dia visita



Salam aleicun!

Ontem e hoje, participei de um seminário em Canoas, onde pude ouvir líderes da comunidade islâmica internacional. Fiquei impressionado com a sua cultura e conhecimento. Hoje pela manhã, acomodado em uma cadeira estofada, arrumada numa grande sala do Canoas Parque Hotel, ao lado de outras pessoas de nossa comunidade e de cidadãos árabes muçulmanos visitantes tive uma das melhores aulas de cidadania e educação espiritual de minha vida.

Não imaginava uma cultura tão elevada. A palestra proferida pelo presidente do Banco Islâmico Makaseb, senhor Ahmed El Helw, superou todos os ensinamentos colhidos nas leituras dos livros de literatura árabe que meu pai me deu, em minha adolescência. Entre estes livros aquele que mais marcou em minha memória foi “O Homem que Calculava” de Malba Tahan, codinome de Júlio César de Mello e Souza.

Ahmed El Helw dos Emirados Árabes nos apresentou aspectos da cultura econômica do Islã. Deus está em primeiro lugar. O Sistema econômico do Islã observa três diretrizes básicas em seus negócios que resumo em três palavras: fé, desenvolvimento e investimento. O dirigente destacou que seu banco não patrocina nada que faça mal ao indivíduo, como por exemplo, produção de bebidas alcoólicas e indústria do tabaco. Resumiu dizendo: “- Quanto mais nos ajudamos, mais Deus nos ajuda também”.

No sistema islâmico é proibido cobrar juros. Sim, isso mesmo, seus bancos não cobram juros daqueles que buscam financiamento para os seus projetos. O banco analisa, criteriosamente, o projeto e constatando sua viabilidade, empresta o dinheiro, sem juros. Um choque para todos nós que estamos acostumados com juros altos no Brasil, mesmo que atualmente nosso Conselho Monetário Nacional tenha sido mais complacente com nossa economia e prossiga na tendência de baixar a taxa de juros no país, na casa dos 9% ao ano, atualmente.

E mesmo assim, os bancos privados brasileiros continuam operando com uma taxa de juros média de 5% ao mês e as administradoras de cartões de crédito ainda na faixa de 10 à 15 % ao mês. Nada parecido com juro zero dos bancos islâmicos.

O líder do Makaseb explicou que a cultura islâmica preza pelo desenvolvimento sem cobrar juros por isso. Entendem os muçulmanos que uma instituição financeira não deve ser egoísta e explorar aqueles que procuram o banco para financiar projetos responsáveis. Defendem uma política monetária onde o lucro não deve ser o principal requisito de um negócio e sim o bem estar e o desenvolvimento que o empreendimento vai gerar para a pessoa, o banco e a sociedade. Não é permitida especulação financeira e a ética está presente nas negociações. Falou ainda no ZAKAT: imposto da caridade. Todos pagam 2,5% sobre seus negócios. O imposto é destinado, integralmente, a obras sociais.

Ahmed deixou bem claro os requisitos que os países árabes observam para fazer novos investimentos no Brasil. Informou que os países do Golfo primam hoje, por investimentos na área de energia e agricultura. Definiu um roteiro para os países interessados em receber seus investimentos se habilitarem.

Traduzi as etapas a serem percorridas pelos interessados, da seguinte maneira: deve existir um projeto piloto que descreva o empreendimento; o segundo passo é que o Estado ofereça incentivos fiscais e até mesmo o terreno para instalação do negócio de forma juridicamente clara e segura. Os árabes não gostam de entrelinhas nos contratos ou contratos com armadilhas. Tradução minha. Querem contratos seguros inseridos num sistema legal e jurídico que garanta cumprimento dos acordos. Alias, acho que ninguém gosta de ser enganado. Um último passo é o governo declarar publicamente o terreno do empreendimento como uma área de investimento, fornecendo certificados que garantam os investimentos. O conjunto dessas ações integradas irá formar um centro de investimentos em massa dos países árabes. Relatoria: major Aroldo Medina.

Na foto, estou ao lado de Bassyouny Said, sheickh árabe.

Um comentário:

  1. Hoje com tanta corrupção, mentira e hipocrisia, o que vale para alguns é: encher os próprios bolsos, pensam que é cada um por si. É bom saber que ainda tem pessoas e culturas que colocam Deus em primeiro lugar.
    Temos consciência que lucro é importante, mas com toda certeza não é mais importante que tudo o resto; E saber que ainda existem pessoas que não patrocinam e não incentivam algo que fará mal ao seu semelhante nos mostra que afinal não somos tão errados assim e que ainda podemos ter esperança de um futuro melhor.
    O Rio Grande do Sul está casando de investidores que só vem aqui para tirar o que temos de melhor e depois ir embora sem olhar pra trás; Queremos investidores que venham para somar, que seja parceiro no crescimento, desenvolvimento, que possamos andar juntos para um futuro próximo, onde todos sejam valorizados de igual maneira. Sabendo que o nosso estado depende da agricultura, fico muito feliz em ver que existem pessoas e organizações sérias que estejam dispostas a serem parceiras do nosso Estado.

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