segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Wall E



A leitura do artigo do jornalista Irineu Guarnier Filho, "Fashion era minha avó", publicado no jornal Zero Hora, edição de domingo, dia 17 de janeiro de 2010, à página 15, além de dar gosto de ler pela sua originalidade, me fez lembrar do "Wall E".

"Wall E" é aquele robô faxineiro super simpático da Pixar, criado pelo diretor Andrew Stanton. O robô inteligente se auto consertava e vivia na Terra do futuro. Nosso planeta neste filme virou um grande "latão de lixo", inabitável para os seres humanos. O desenho animado é de 2008 e sua mensagem alerta contra o consumismo desenfreado e acelerado que vivemos, cada vez com mais intensidade, após a Revolução Industrial.

Comprar! Comprar! Comprar! Passou a estar sempre na moda. O descartável foi concebido para "facilitar" a vida das pessoas. E tome lixo na cabeça da natureza. Lindo!

O Irineu também fez eu lembrar da minha infância. Eu juntava lixo. Garrafa de vidro e ferro velho, principalmente. Minha mãe não aprovava muito eu chegar com um "lixinho" em casa, quando voltava do colégio, à pé. Eu amontoava ele no fundo do pátio, esperando o "Ferro Velho". Lá pelas tantas vinha um carroceiro gritando rua afora: "- Comprador de osso e vidro quebrado; garrafa vazia e ferro velho". Dizia essa frase, o cavaleiro cantando, carregando nas vogais e espichando as silabas para chamar a meninada na rua, como fazia o Flautista de Hamelin.

A gurizada fazia fila para vender a "coleta" da semana. O homem do "ferro velho" pesava a quinquilharia, numa balança aérea que eu sempre ficava desconfiado que não funcionava direito, pois, o peso nunca correspondia as minhas espectativas na quantidade das moedas que o comprador distribuia aos meninos de mãos postas no ar.

O lixo virava moedas que viravam bolinhas de gude, peões, ioiôs, soldadinhos, além de chiclés, balas e chocolates. Isto é que eu chamo de resultado eficiente de campanha de preservação da natureza: transforme seu lixo e o lixo dos outros em balas e brinquedos. Bons tempos aqueles! Aroldo Medina.

Um comentário:

  1. Quero deixar em evidencia que ambos artigos são dignos de grandes sábios. Que hoje em dia escrever coerentemente, refletindo e pensando, com originalidade e personalidade virou um dom. Não é mais algo comum como antigamente.

    As pessoas deixam de ler, refletir, pensar, discutir questões, pontos de vista. Preferem numa tarde de domingo assistir "Faustão" e ficar alienadas em frente a uma TV, não usufruindo dos beneficios do conhecimento e da cultura adquirida em uma simples conversa ou mesmo na leitura de um prazeiroso livro ou de um bom jornal.

    "Wall E" é de fato um filme de grande mensagem educacional. Nos alerta sobre o consumismo desenfreado, como por exemplo o consumo de copos, pratos, garrafas pets, totalmente descartáveis. Esse conforto descartável é uma absurda ilusão. Muitas pessoas acabam optando pelo prático, pela facilidade do descartável.

    Aqui em casa temos o hábito de fazer churrasco nos fins de semana. Quando esta quase tudo pronto para saborearmos o gostoso churrasco, minha tia costuma colocar a mesa, sempre dando preferência para os pratos plásticos descartáveis.

    Depois de ler ambos artigos, percebi que nós também optamos pelo prático, pela facilidade, pelo conforto do menor esforço. Neste ponto também lembrei dos gorduchos simpáticos do filme do "Wall E".

    No almoço da família reunida ao redor da mesa, nos finais de semana, quando meu pai senta e vê os pratos plásticos, ele nunca aprova a idéia e, sempre pede um prato de vidro. A maioria de nossos familiares se manifesta dizendo que a atitude do meu pai é frescura.

    Agora dou razão a ele. De fato, pequenos atos fazem a diferença.

    No artigo "Fashion era minha avó” observamos que antigamente não tinha esta negligência do “prático descartável”, por consequência o impacto do lixo no meio ambiente, era muito menos nocivo a natureza.

    Concluo que devemos dar mais importância a pequenos gestos que podem ajudar a salvar o planeta. Vou fazer minha parte, ainda melhor daqui para frente. Até pensei numa idéia para provocar o debate entre meus amigos: entre possuir uma árvore ou um celular, o que você prefere?

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